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  • Os balões de observação e as suas possíveis utilizações científicas ou militares
    No passado fim-de-semana, os Estados Unidos abateram um balão chinês junto da sua costa leste, depois de dias de especulação sobre o que estaria por detrás da presença desse engenho no seu espaço aéreo. Este balão que segundo Pequim não era suposto ter-se deslocado para essa área, estaria a fazer recolha de informação meteorológica. Contudo Washington acredita que este era um balão "espião", tanto mais que o engenho sobrevoou zonas sensíveis, como instalações nucleares. À luz deste acontecimento, a RFI foi explorar as possíveis utilizações dos balões, nomeadamente em termos científicos. Estes engenhos são quotidianamente utilizados para recolher dados sobre meteorologia. Com dimensões muito variáveis, quanto mais volumosos forem, mais alto e mais longe conseguem chegar, como refere Jorge Neto, meteorologista do IPMA, Instituto Português do Mar e da Atmosfera. "O balão meteorológico é um balão que pesa cerca de 600 gramas, que é enchido com hélio ou com hidrogénio e que leva uma sonda meteorológica amarrada", começa por explicar o cientista referindo que "para medições da qualidade do ar, são usados balões com dois quilos. Quanto mais pesado é o balão, mais ar leva e mais para cima pode ir ainda". Ao indicar que estes engenhos podem atingir altitudes "entre os 30 e os 40 quilómetros", o meteorologista detalha que "para além de ter quatro sensores, eles têm uma antena rádio e uma antena GPS. A antena GPS é para dar a sua localização e a antena rádio é para transmitir os dados em tempo real". Para além de um uso científico, os balões também podem ter um uso militar. Aliás, a sua utilização para finalidades de espionagem não é de agora. A sua primeira utilização neste âmbito deu-se durante as guerras revolucionárias francesas contra o império germânico em 1794. Balões de espionagem foram igualmente utilizados durante a guerra civil americana entre 1861 e 1865. Mais recentemente, tanto durante a primeira como na segunda guerra mundial, foram utilizados balões de espionagem mais sofisticados de ambos os lados das trincheiras. Hoje em dia, apesar da existência dos satélites, a recolha de informações pelos balões de observação não se tornou uma actividade obsoleta. Segundo peritos militares citados pela comunicação social americana, estes engenhos não estão tão expostos quanto os satélites, são mais baratos e não são facilmente detectáveis pelos radares. Contudo, poucos elementos são fornecidos sobre os balões "espiões". Por exemplo, não se sabe ao certo se um balão de recolha de informação meteorológica pode ser utilizado para outras finalidades, como refere o Major General Carlos Branco, ligado ao Instituto Português de Relações Internacionais. "Nós temos versões diferentes, não sabemos qual é que é a verdadeira, se de facto este é apenas um balão de observação meteorológica ou se é um balão espião. Na verdade, pode ser ambas coisas. De qualquer forma, não é a primeira vez que surgem estes incidentes. Registaram-se quatro ou cinco incidentes desde a era Obama", começa por observar o militar que não deixa de expressar alguma surpresa com o facto de o balão chinês ter conseguido chegar até aos Estados Unidos. "Como é que um balão consegue penetrar no espaço de alta altitude, primeiro, do Canadá e, depois, dos Estados Unidos, sem ser objecto de identificação e de intercepção? Foi identificada a sua presença através de um piloto de um voo comercial, o que não deixa de ser algo extremamente singular", nota o perito. Outra pista de reflexão identificada pelo Major General Carlos Branco é o vazio legal existente no que toca à zona de alta altitude situado entre a zona por onde passam os aviões e o espaço exterior para onde se lançam satélites, uma zona que é regulamentada desde 1967. "Esse espaço de alta altitude é um espaço intermédio entre o espaço aéreo e o espaço exterior. Isto será uma zona que não está regulamentada e, portanto, não é inteiramente claro o exercício da soberania por parte do Estado nestas altitudes", menciona o militar que, ao referir-se à destruição do balão chinês, considera que "independentemente da legitimidade que os Estados Unidos tenham para a fazer (esta destruição), isto pode ser utilizado pela China nas áreas do sul do Mar da China para operações semelhantes de retaliação", num contexto de forte tensão entre Pequim e Washington.
    2/6/2023
    15:20
  • OMS preocupada com aumento de surtos de cólera
    A cólera é agora mais preocupante que a Covid-19 em África, alertou a Organização Mundial da Saúde face aos vários surtos de cólera no continente. O mais inquietante é no Maláwi, onde morreram mais de 1.000 pessoas desde Março de 2022, ou seja, o pior surto de sempre no país. Os surtos são cada vez "mais intensos, mais numerosos e mais duradouros" devido a eventos climáticos extremos e é urgente investir na rede de água e sanitarismo básico, avisa o investigador Jorge Seixas. RFI: "Antes de mais o que é a cólera?" Jorge Seixas, director da Unidade de Clínica Tropical do Instituto de Higiene e Medicina Tropical: "A cólera é uma doença diarreica aguda que é ocasionada por uma bactéria que está na água e que poderá estar também nos alimentos, uma vez que estes podem ser irrigados com água contaminada. Nalgumas circunstâncias, em África em particular, o contacto com um indivíduo que falece de cólera pode também transmitir directamente - através da mão - quem manipula durante os rituais fúnebres aos que participam do ritual fúnebre." "Quais são os sintomas da cólera?" "Os sintomas são basicamente a diarreia, mas pode haver infecções por essa bactéria que decorrem sem sintomas. Habitualmente, há uma diarreia aguda, é relativamente banal. Mas, numa certa percentagem de casos, a cólera assume um carácter de uma diarreia com uma perda de líquido através das fezes tão intensa, na ordem de cinco a dez litros por dia, o que torna a cólera - quando se manifesta dessa maneira - das doenças que matam mais rapidamente um indivíduo saudável." "Ou seja, ainda que seja tratável, pode provocar a morte por desidratação se não for prontamente combatida…" "Exactamente." "A Organização Mundial da Saúde alertou que a principal preocupação em África já não é a Covid-19 mas sim o surto de cólera que afecta dez países africanos. Quais são estes principais países afectados de uma forma geral e porquê? Temos noção porque é que são estes países?" "Em geral, para que haja o surto de cólera, é preciso que haja um evento natural, por exemplo, ciclones, como é o caso de Moçambique ou da Nigéria, ou seca, no caso da Etiópia e do Corno de África, que limita o acesso à água de qualidade mínima. No caso dos ciclones, há uma grande mistura, por causa das inundações, de água contaminada nas fontes de água anteriormente adequadas para consumo humano. Estes eventos climáticos, ciclone ou seca, são um factor determinante para a existência de surtos de cólera." "O aumento das temperaturas devido ao aquecimento global também pode facilitar o aparecimento de surtos de cólera?" "O aumento das temperaturas vai, por exemplo, ocasionar ciclones na costa leste de África, mas também no Golfo da Guiné, e seca nalguns outros lugares. Não é a temperatura ambiental em si, mas as consequências destas alterações climáticas que não são só o aquecimento. É instabilidade com eventos climáticos extremos que estão a aumentar claramente. Então, isto deverá ser um factor importante neste ressurgimento com surtos mais intensos e mais numerosos e mais duradouros, associado a uma disrupção dos sistemas de resposta em termos de saúde que sofreram com os efeitos da pandemia do Covid-19 mesmo em África." "Esta expansão foi evidente no Malawi, onde se regista o pior surto de cólera de sempre, com mais de 1.000 mortos desde Março do ano passado. O que é que se passa?" "O que se passa nesse país é basicamente uma desestruturação sociopolítica muito intensa. Todo o acesso a água de qualidade, o sanitarismo que não existe, os esgotos, as condições de vida da população implicam que têm, primeiro, dificuldade de acesso a esta água de qualidade potável e, depois, as contaminações entre a rede de esgoto e a rede de suprimento de água, associada a uma muito baixa capacidade de resposta, a um surto de cólera. Se um sistema de saúde pública já é deficiente, então quando você tem milhares de casos, isso requer uma acção muito incisiva em hospitais de campanha com a colaboração da ONGs. Os sistemas de saúde pública desses países não têm capacidade, muitas vezes, de sozinhos de fazerem face a um stress adicional que é um surto de cólera." "Entretanto, o governo do Malawi queixou-se de falta de vacinas e disse que só há um fabricante de vacinas contra a cólera, o que torna mais difícil a sua compra. Isto é verdade? Mais uma vez, os interesses da indústria sobrepõem-se aos interesses da comunidade, ou seja, não aprendemos nada com a Covid-19?" "Não existe só uma vacina, existem quatro vacinas, mas a mais utilizada para a vacinação reactiva, que é a vacinação feita quando há um susto de cólera, é a Dukoral. Essas vacinas são orais, requerem duas doses e, na verdade, as empresas - e principalmente esta que fabrica a Dukoral - já está no limite da sua capacidade de produção. Estamos a falar de um número de cerca de 24 milhões de doses necessárias face a esta deficiência de existência da vacina no mercado. Inclusive, a OMS acabou por dizer ‘Vamos fazer uma dose que confere alguma protecção e vamos eventualmente limitar o número de indivíduos que recebem duas doses’ que é o necessário para uma protecção mais completa. Mas estamos a falar exactamente de 24 milhões necessárias, mais oito para fazer a segunda dose. Na verdade, é um problema de produção, como já se viu no passado para a produção da vacina da febre amarela. Não é possível aumentar repentinamente ou muito rapidamente a capacidade de produção face a este aumento no número de países e regiões que estão a ter surtos de cólera." "Como se pode combater a propagação de cólera, nomeadamente em países onde há uma falta crónica de redes de saneamento?" "Não tenho soluções mágicas. Como é que os países europeus e Estados Unidos - que também tinham cólera, aliás todos os países do mundo tiveram cólera num certo momento - resolveram o problema? Investindo na rede de água de qualidade e de sanitarismo básico. Porque é que estes países de baixo e médio rendimento não conseguem fazer isso? Simplesmente porque as prioridades são diversas. Temos malária, temos HIV, temos dengue, temos uma série de outras doenças. Acaba por ser sempre, como se diz, correr atrás do prejuízo porque os investimentos na água, no sanitarismo e na higiene acabam por sofrer sempre e constantemente atrasos. Mas é uma questão de estabelecer isso como prioridade." "Se a nível político a população não está protegida, o que é que a população - individualmente e em termos da própria comunidade - pode fazer para se precaver?" "A água é tornada potável adicionando-lhe três gotas de lixívia por litro de água e deixando repousar durante 20 minutos. A cloragem da água, adicionando de lixívia, é o que se faz durante os surtos de cólera nos poços e nas fontes de água. Individualmente, as pessoas têm que esterilizar a água, utilizando essa pequena quantidade de lixívia que torna a água segura. A cloragem é uma técnica que se usa já há décadas." "E a lavagem das mãos…" "Sim, a lavagem das mãos, claro. Mas (o contágio acontece), sobretudo, através da ingestão de água e de legumes frescos contaminados com água que tem a bactéria da cólera." "O Centro Africano para o Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana disse estar preocupado com a expansão do surto de cólera do Malawi a outros países vizinhos, nomeadamente Moçambique. Houve, pelo menos, 16 mortos até agora em Moçambique. Está preocupado?" "Moçambique não precisa de importar cólera do Malawi porque Moçambique tem regularmente ciclones e outros problemas infraestruturais na Beira e em regiões costeiras que sofrem esse tipo de fenómeno climático. Evidentemente, há indivíduos que são contaminados por esta bactéria e que, se não têm sintomatologia, passam a eliminar a bactéria nas fezes. Claro que se um indivíduo, vindo para a Beira, por exemplo, é portador da bactéria, pode ajudar a contribuir para contaminar as redes de esgoto ou facilitar a disseminação dessa bactéria, sim. Mas, a própria OMS e as várias organizações não colocam restrições à movimentação das pessoas por causa de surtos de cólera porque isso teria um impacto também muito desfavorável na vida das pessoas, de pequenos comerciantes que deixam de poder fazer a sua vida que implica muitas vezes deslocações transfronteiriças." "Como vimos durante a pandemia de Covid-19…" "Sim, exactamente, em que a África pagou um preço muito alto porque uma parte da economia é informal. Desde há muito tempo que a OMS não recomenda nenhum tipo de restrição de movimentação de pessoas. Existe um risco? Sim, existe um risco, mas não é por isso que se vai impedir as pessoas de fazerem uma vida normal em termos das suas movimentações. É preciso é trabalhar a montante disso: fazer obras de engenharia sanitária que garanta acesso à água potável e a uma rede de esgotos funcional. É a estratégia Wash (‘water, sanitation and hygiene’ - água, sanitarismo e higiene): esterilizar a água, lavagem das mãos com água e sabão…" "O aumento de surtos não é só em África. Globalmente houve um aumento da cólera, depois de anos de declínio. Em Setembro, a OMS falou no recrudescimento preocupante de cólera no mundo. Falou-se do Haiti, da Síria, do Líbano… Isto também tem a ver com a pobreza, com as guerras?" "Sim, sim. Instabilidade sociopolítica, campos de refugiados - é o caso da Síria, do Iémen, da República Democrática do Congo, Haiti, que infelizmente continua sem conseguir resolver os seus problemas sociopolíticos, em que a água é um elemento fundamental mas em que não foi possível durante décadas de continuar a fornecer a água potável de uma forma sustentada. É isso que contribui para este aumento nalguns desses lugares."
    1/30/2023
    13:01
  • Geração de energia através da fusão nuclear em laboratório é "feito histórico"
    Em dezembro de 2022, a secretária da Energia dos Estados Unidos da América, Jennifer Granholm anunciou ao Mundo que pela primeira vez na História, o laboratório National Ignition Facility, na Califórnia, tinha conseguido criar através da fusão nuclear mais energia do que aquela que tinha sido gasta na experiência. Um "feito histórico", segundo  Bruno Soares Gonçalves, presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Técnico de Lisboa, relatou aos microfones da RFI. A responsável norte-americana chamou mesmo a esta experiência “um dos mais impressionantes feitos científicos do século XXI”, podendo dar origem a uma revolução energética, já que ao contrário da energia nuclear usada actualmente, não há dejectos radio-activos e os combustíveis necessários para a produção também não são poluentes e são usados em muito pequenas quantidades. Este é efectivamente “um resultado histórico”, segundo Bruno Soares Gonçalves, presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, do Instituto Técnico de Lisboa, disse em entrevista à RFI, mas não significa que num futuro próximo esta fonte de energia venha a substituir o que existe actualmente já que envolve ainda muita investigação. "Conseguiram obter um resultado histórico, porque obtiveram mais energia do que aquela que incidiu no combustível, ou seja, foi conseguida fusão nuclear com um ganho superior à energia gasta. É a primeira vez que tal é conseguido e é um resultado bastante importante na área da fusão nuclear. Não significa, no entanto, que tenhamos máquinas de fusão nuclear a produzir electricidade depois de amanhã, mas significa que estamos no bom caminho", declarou o investigador. A fusão nuclear é a energia das estrelas, por exemplo do nosso Sol, e consiste em juntar nucleos de átomos leves, especificamente entre dois isótopos do hidrogénio, o deutério e trítio, que libertam muita energia, sendo que o objectivo é transformar esta reacção em electricidade - para saber mais sobre este processo, leia aqui a obra de Bruno Soares Gonçalves. Se ainda não tínhamos tido uma reacção deste género, é porque, segundo o investigador português, este é um processo "complexo" em termos de engenharia e do ponto de vista dos materiais. Estamos agora "no bom caminho", sendo que a energia nuclear de que dispomos actualmente, proveniente da fissão nuclear teve um enorme avanço na II Guerra Mundial devido à bomba atómica. Devem agora continuar os esforços para uma energia mais limpa com os meios que dispomos actualmente, já que o horizonte para começar a testar a fusão nuclear se alarga até 2040 ou mesmo mais tarde, sendo que as alterações climáticas não podem esperar até lá, mesmo se esta é a energia mais limpa que poderemos vir a dispor. "Tem havido muitas notícias a apontar que a fusão nuclear é a solução para a transição energética e não vai ser. Não será nos próximos 10 anos, a menos que haja uma avanço muito significativo, que teremos um reactor na rede. A fusão nuclear não vai ajudar à transição energética entre agora e 2050, mas espera-se que em meados de 2040 ou de 2050, comecem a aparecer reactores de energia de fusão nuclear na rede", explicou Bruno Soares Gonçalves.
    1/23/2023
    8:31
  • Cabo Verde já tem agricultura com “menos 90% de água e de terra”
    Hélder Silva introduziu em Cabo Verde a aeroponia, uma técnica de plantação na vertical, em torres, que utiliza menos 90% de água e de terra. O seu objectivo é vender esta tecnologia e tornar o arquipélago autónomo em termos de produção agrícola. Foi durante a pandemia que um acaso, na internet, levou Hélder Silva a deparar-se com a aeroponia, uma técnica agrícola que viu então como “petróleo ou ouro para Cabo Verde”. “Li agricultura com menos 90% de água e 90% de solo. Fiquei tão eufórico que disse que isto é petróleo ou ouro para Cabo Verde! É precisamente o que nós não temos !”, explicou à RFI o agora representante em Cabo Verde e em África de uma empresa de aeroponia americana. Aos 48 anos, e mais conhecido como músico [Havy H], Hélder Silva apostou na aeroponia e quer vender a tecnologia no arquipélago para o tornar autónomo das importações agrícolas. Apesar de alguma dificuldade inicial para arranjar financiamento em Cabo Verde, que chegou através de um aval do Estado para crédito num banco comercial, conseguiu implementar a aeroponia numa quinta de 1.000 metros quadrados, em São Francisco, uma aldeia a sudeste da cidade da Praia, na ilha de Santiago. A primeira plantação na quinta Afroponic Purahvida aconteceu a 2 de Outubro de 2022. Desde então, Hélder Silva vai na terceira plantação e colheu um pouco de tudo, desde pepino, quiabo, alfaces, beterraba, brócolos, mostarda, flores, ervas aromáticas, malaguetas, salsa, coentros e couves. Ou seja, uma produção três vezes mais rápida do que o normal e sem utilização de agrotóxicos, explica. “A tecnologia é essa: as plantas estão com as raízes em contacto com o oxigénio na vertical, ganhando espaço por estar na vertical : por exemplo, onde crescem duas alfaces no chão, em cada torre – a minha é de 2,10 metros – produzo 36, mas as torres podem ir até três metros com 52 buracos cada uma”, acrescenta. Hélder Silva também louva “um consumo energético mínimo” na agroponia. Na sua quinta, tem seis painéis solares e são eles que alimentam as bombas de 35 watts presentes em cada torre e que só regam três em cada 15 minutos, totalizando 12 minutos por hora e 4h08 por dia. “Numa quinta comercial como a minha, com 100 torres, são 3.500 watts”, resume. Hélder Silva afiança que o seu objectivo não é vender os produtos em si, mas sim a tecnologia porque diz que “em dois meses Cabo Verde pode não ter que importar mais nenhum vegetal”. Além disso, ele sublinha que “é a agricultura mais simples” e “mais do que orgânica, não só pelo conteúdo, mas também por ser amiga do ambiente porque gasta menos 90% de água e não está a devastar os solos”. Produzir dentro do país também significa reduzir a poluição dos barcos e ter acesso a produtos mais frescos e supostamente mais baratos. Oiça a entrevista neste programa.
    1/16/2023
    10:03
  • Angola : Start-up quer "soluções sustentáveis para a agricultura"
    "Criar soluções sustentáveis para a agricultura" em Angola é o objectivo da start-up AngoCultiva que se destacou na última edição do ClimateLaunchpad, um programa internacional de apoio a negócios que ajudem o ambiente. A start-up foi criada em contexto académico e tem como ambição tornar-se numa referência em Angola, conta José Coio, co-fundador da AngoCultiva, que entrevistámos neste programa. "A AngoCultiva é uma start-up que actua no sector agrícola aqui em Angola e tem como principal objectivo criar soluções sustentáveis para a agricultura", começa por explicar José Coio. Para combater a falta de fertilizantes, o seu elevado custo e o tempo que demora para se obter adubo, a empresa criada pelos jovens universitários começou por realizar uma máquina de compostagem acelerada. Outro projecto da start-up é a produção de biofertilizantes a partir de bactérias. "Nós queremos ser uma referência aqui, a nível nacional, e com a nossa start-up ajudar os agricultores a produzirem mais porque temos vários problemas ao nível de produção de alimentos. Queremos que a AngoCultiva seja uma referência no sector agrícola", resume José Coio. A AngoCultiva chegou às finais globais do "maior concurso verde do mundo", o  ClimateLaunchpad 2022, depois de ter vencido a edição angolana. Estudante de Engenharia Química no Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências e também estudante de Engenharia de Petróleo na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, José Coio não é um estreante nas andanças das start-ups. No currículo, ele conta com a criação de outra empresa, a start-up "Estudante Carneiro", criada para ajudar os alunos a estudarem e a obterem melhores resultados. Oiça a entrevista nesta edição do programa Ciência.
    1/9/2023
    10:23

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