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UM PULO EM PARIS

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  • Reforma da Previdência de Macron é considerada injusta entre gerações
    Ao final da aposentadoria, a geração de franceses que nasceu na década de 1950 e desfruta atualmente de uma vida mais tranquila – os chamados "baby boomers" – terá recebido um montante total de pensões duas vezes maior do que a soma das contribuições revertidas ao caixa da Previdência. Esta é uma das inúmeras injustiças apontadas por franceses contrários ao projeto de reforma apresentado pelo governo no início do mês, que levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas do país, na quinta-feira (19). A geração que nasceu nos anos 1950 e desfruta atualmente da aposentadoria na França pagou contribuições relativamente baixas ao sistema, parou de trabalhar cedo – aos 60 anos ou menos –, e recebe pensões razoavelmente dignas. Porém, com a variação da demografia nas décadas seguintes, o valor da contribuição foi aumentando, assim como o número de anos trabalhados para manter o equilíbrio do sistema. O resultado é que, hoje, para sustentar a aposentadoria dos pais, os filhos terão de pagar cotizações mais elevadas e trabalhar por mais tempo, para receber, no final, pensões de aposentadoria mais baixas.  Este fenômeno pode ser explicado pela demografia francesa e por um efeito estrutural ligado à implementação do sistema de pagamento por repartição, baseado na solidariedade dos que trabalham para sustentar aqueles que cessaram a vida ativa.  O economista Maxime Sbaihi mostrou essa projeção com um gráfico em sua conta no Twitter: O objetivo do reforma é reequilibrar o caixa da Previdência, que aponta para uma previsão de déficit nos próximos anos. Um dos aspectos apontados como injusto para se alcançar essa meta é que o esforço financeiro recai basicamente sobre os trabalhadores, e não sobre os empregadores. Os sindicatos dizem que o aumento da taxa obrigatória de contribuição das empresas seria suficiente para não precisar elevar o período de contribuição – embora a medida pudesse ter impacto sobre o nível de emprego no país. As manifestações ocorridas nessa quinta-feira contra o projeto de reforma, reafirmado como "justo e necessário" pelo presidente Emmanuel Macron, reuniu entre 1 e 2 milhões de pessoas nas ruas, 400 mil apenas em Paris. A queda de braço se instalou entre o governo e a frente sindical unida que convocou a greve, aliada aos 72% de franceses que rejeitam a reforma, segundo uma pesquisa do instituto Harris Interactive-Toluna, encomendada pela emissora RTL e a AEF Info. O projeto de lei do governo aumenta a idade mínima legal de aposentadoria para 64 anos, contra 62 anos atualmente, e amplia para 43 anos o tempo de contribuição para acesso à pensão integral. Isto é, sem essas duas condições reunidas, a idade mínima e os 43 anos de contribuição quitados, o trabalhador é penalizado com descontos altíssimos nas pensões. 31 de janeiro: nova greve As oito centrais sindicais que encabeçam o movimento convocaram um novo dia de greve e manifestações em 31 de janeiro. Até lá, elas pretendem mobilizar os assalariados que temem uma luta perdida. O direito à greve é uma garantia constitucional no país, mas o grevista tem o salário descontado pelo dia de ausência. Em tempos de inflação elevada, muitos não podem abrir mão de um dia trabalhado para pagar as contas no final do mês. Até lá, as lideranças sindicais pretendem incitar debates internos nas empresas e discutir meios de ação alternativos, além da tradicional panfletagem nas feiras livres dos fins de semana.  Saiba mais sobre este impopular projeto de reforma aqui.
    1/20/2023
    12:00
  • Caso de deputado condenado por violências domésticas gera racha em partido da esquerda na França
    O caso do deputado francês Adrien Quatennens, condenado por violências domésticas em dezembro, suscita uma forte polêmica na França. Apesar das críticas e de ter sido temporariamente suspenso por seu partido França Insubmissa, ele resolveu retornar às atividades na Assembleia Nacional nesta semana. A atitude do político vem resultando em um racha na maior legenda da esquerda do país. Para Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa, Adrien Quatennens tem razão de retomar as atividades na Assembleia Nacional. Considerado como um tutor do deputado, o ex-candidato à presidência acredita que seu “afilhado” foi suficientemente punido, após ter sido condenado a quatro meses de prisão com sursis por violências domésticas, no final de dezembro, e ser suspenso até abril da legenda da esquerda radical. Mas a opinião de Mélenchon não é unanimidade dentro do partido. Outras lideranças do França Insubmissa, principalmente mulheres, exigem a renúncia de Quatennens. É o caso da deputada Clémentine Autain e a eurodeputada Manon Aubry, que acreditam que ele não pode mais ocupar um cargo político e que a insistência em se agarrar à função de deputado está prejudicando a imagem do partido. Já para a deputada Clémence Guetté, Quatennens não deveria mais ser associado ao partido “já que está suspenso até abril". “Ele não é deputado da França Insubmissa”, ressaltou, nesta semana, em entrevista à Franceinfo. No entanto, ela não descarta que o colega tenha “direito a uma reabilitação”, ressaltando “a exigência de respeitar os princípios feministas” do partido. Outra liderança do França Insubmissa, o deputado Alexis Corbière, diz que o condenado poderá voltar a exercer suas atividades normalmente em três meses, mas impõe condições. “Dependendo da atitude de Quatennens, veremos se ele voltará ao grupo. Ele está suspenso até 13 de abril e depois haverá uma revisão, o que significa que vamos discutir tudo isso novamente”, disse, em entrevista ao canal de TV France 2. Violências domésticas Adrien Quatennens, 32 anos, foi condenado em dezembro passado a quatro meses de prisão com sursis por ter cometido violências contra a esposa entre outubro e dezembro de 2021. O caso veio à tona depois que o jornal francês Le Canard Enchaîné revelou que Céline Quatennens registrou uma queixa na polícia acusando o marido de a ter agredido quando ela anunciou sua intenção de se divorciar. As revelações resultaram em uma imensa polêmica que mobilizou a classe política e deixou o partido França Insubmissa – célebre por seu posicionamento progressista e defesa de valores feministas – em uma situação delicada. Alguns dias depois, Quatennens publicou um comunicado no Twitter admitindo que havia agredido a esposa. Em um longo relato, o deputado reconheceu ter protagonizado brigas e confrontos físicos com a mulher. Em um dos episódios, ele diz ter agarrado o pulso dela. Em outro, confiscou seu celular e a empurrou, resultando em um ferimento no cotovelo da esposa. Quatennens revelou também que um ano antes do pedido de divórcio, durante uma discussão com a mulher, deu um tapa em seu rosto. No comunicado publicado no Twitter, Adrien Quatennens também pediu desculpas públicas, explicou que sua natureza não é violenta e disse se arrepender de ter protagonizado essas agressões. No mesmo documento, ele anunciou sua renúncia ao cargo de coordenador do partido França Insubmissa, se colocando à disposição da justiça francesa e indicando que o casal começaria o processo de separação. Depois da condenação, Quatennens foi temporariamente suspenso da legenda, mas passou a mencionar a possibilidade de retornar às funções de deputado. Dizendo-se vítima de uma linchagem midiática, e apontando para a necessidade de honrar seu mandato. “Paguei caro em todos os planos. Não cederei”, afirmou, em entrevista ao jornal francês La Voix du Nord. Retorno à Assembleia Nacional Na quarta-feira (11), Quatennens suscitou uma forte indignação da classe política ao chegar na Assembleia para participar de uma comissão que discute a reforma do corpo diplomático francês. No entanto, suspenso por seu partido, ele pode apenas assistir às atividades parlamentares, sem o direito de se pronunciar ou de votar. Muitos deputados não hesitaram em exaltar sua revolta com a atitude de Quatennens. Aurore Bergé, líder do partido governista Renascimento, majoritário na Assembleia, denuncia o retorno do esquerdista à Assembleia como algo “anormal”, que não pode ser considerado banal. O também centrista Sylvain Maillard afirmou que sua volta é “inaceitável”. A líder da extrema direita Marine Le Pen sugeriu que Quatennens renuncie e tente retornar à vida política nas próximas eleições. Já a vereadora ecologista Raphaelle Rémy classificou a atitude do deputado como “vergonhosa” e se diz indignada contra todos os políticos que apoiam o comportamento do esquerdista. Após o retorno de Quatennens, deputados do partido Renascimento anunciaram a criação de um projeto de lei para tornar inelegíveis pessoas condenadas por violências domésticas. O texto começará a ser debatido no próximo mês de março.
    1/13/2023
    13:59
  • Coletes amarelos voltam às ruas na França contra reforma da Previdência de Macron
    O ano de 2023 começou com a perspectiva de forte mobilização social na França pela insistência do presidente Emmanuel Macron em querer aprovar, até o mês de julho, uma reforma da Previdência destinada a aumentar a idade mínima de aposentadoria dos atuais 62 anos para 64 ou 65 anos. Os detalhes do projeto de lei serão apresentados na semana que vem, no dia 10. Mas essa reforma impopular, rejeitada por dois terços da população, segundo uma pesquisa do instituto Ifop, e também por todas as organizações sindicais de trabalhadores do país, evidencia um desgaste importante de Macron perante a opinião pública e sinaliza meses de protestos pela frente. Grupos de coletes amarelos retornam às ruas neste sábado (7) para protestar contra o projeto, o aumento dos custos da energia, dos combustíveis e da inflação, assim como a falta de votação parlamentar na aprovação do Orçamento de 2023. Motivos para reclamar não faltam, mas ninguém sabe se o movimento vai ganhar força como aconteceu em 2018, quando surgiu, motivado na época pelo aumento dos preços dos combustíveis. Há páginas do Facebook com chamados para passeatas em Paris e outras cidades francesas. Uma outra manifestação, da oposição de esquerda e de organizações estudantis, já está marcada para 21 de janeiro.  A rejeição massiva dos franceses à reforma da Previdência tem múltiplas razões. As condições de vida estão mais difíceis com o retorno da inflação. Os salários estão achatados, a guerra na Ucrânia pesa no moral das pessoas, e os franceses têm notado no cotidiano uma deterioração dos serviços públicos. Em dezembro, os ferroviários fizeram greve no fim de semana do Natal, faltam motoristas de ônibus e metroviários na região parisiense, os hospitais públicos enfrentam a pior crise em décadas, por falta de médicos e enfermeiros. Mas o principal argumento de resistência à reforma é a dificuldade de manter o emprego depois dos 55 anos.  O próprio Ministério do Trabalho admite que só a metade das pessoas – 56% – na faixa etária de 55 a 64 anos permanece empregada na França, um percentual que nos países escandinavos chega a 90% nessas idades. A Alemanha também dá muito mais oportunidades de trabalho aos sêniores. Na França, como historicamente as empresas empurram a pessoa à demissão ou mandam embora na última década da carreira, e elas não encontram mais emprego, mesmo tendo contribuído durante anos para o sistema previdenciário, muitos aposentados vivem com pensões de baixo valor. Para contornar a situação, o ministro do Trabalho, Olivier Dussopt, cogitou criar um "índex" para obrigar as empresas a publicar anualmente o número de pessoas que mantêm empregadas com mais de 55 anos. Na avaliação da opinião pública, soou como conversa para boi dormir. Por que trabalhar mais? O governo diz aos franceses que eles precisam trabalhar por mais tempo para preservar a universalidade do sistema e torná-lo mais justo. Ainda mais em um contexto em que muitos países europeus já aumentaram a idade mínima das aposentadorias para 65 ou até 68 anos. Na proposta, que muitos apontam como ideológica e não técnica, o Executivo promete garantir uma pensão mínima de aposentadoria de € 1.200, que hoje corresponde a 85% do salário mínimo. Isto dá uma ideia do quanto as pensões podem ser minoradas, uma vez que elas sequer alcançam o valor do salário mínimo em vigor.  Governo tenta convencer com apelo a mulheres As autoridades também alegam que a reforma é essencial para fazer justiça às mulheres, que não teriam mais o tempo de licenças usadas para cuidar dos filhos descontadas do tempo de contribuição. Mas especialistas dizem que a maior injustiça, que a reforma não corrige, é que as pensões pagas às mulheres são 40% inferiores às dos homens, por causa da desigualdade salarial crônica ao longo da carreira.  Outro fator de resistência é que já existe uma reforma recente, que entrou em vigor em 2020, aumentando gradualmente o tempo de contribuição para que uma pessoa tenha direito à pensão integral. O calendário de aplicação dessa reforma, aprovada durante a presidência do socialista François Hollande, em 2014, já obriga quem está atualmente no mercado a trabalhar até 65-67 anos se quiser obter o benefício da pensão integral. Em 2035, serão exigidos 43 anos de tempo mínimo de contribuição.  Intenso debate na mídia Durante as negociações, que foram conduzidas pela primeira-ministra Élisabeth Borne, as centrais sindicais tentaram garantir a continuidade de vantagens para quem começou a trabalhar cedo, antes dos 20 anos, e de 15 categorias que beneficiam de regimes especiais de aposentadoria. O projeto de Macron acaba com os regimes especiais, mas promete levar em conta as carreiras longas e manter vantagens para alguns critérios de periculosidade. Professores e trabalhadores do setor nuclear perderiam benefícios.  Neste momento, há intenso debate na mídia e na sociedade sobre a necessidade ou não de se fazer esta reforma. Muitos especialistas dizem que bastava aumentar ligeiramente a contribuição previdenciária para todos, algo em torno de € 4 por mês, que o risco de déficit e desequilíbrio das contas estaria resolvido.  Macron aposta em vencer pelo cansaço, contando que os trabalhadores, com a alta do custo de vida, não poderão abrir mão de vários dias de salário para fazer greve. Para o presidente, o que está em jogo é sua imagem de reformador e este é o trunfo político que ele quer deixar como legado no final de dois mandatos. O governo não tem mais maioria absoluta no Parlamento, então depende da oposição para aprovar a reforma. O partido da direita republicana (LR) sempre defendeu o aumento da idade mínima da aposentadoria para 65 anos em seu programa, e provavelmente votará junto com o governo. Mas vários deputados conservadores já disseram que aumentar de 62 para 64 anos pode ser a proposta que não esticaria demais a corda e poderia vingar no Parlamento.
    1/6/2023
    11:24
  • Inflação alta e veganismo fazem franceses mudar de hábitos no Natal
    O aumento da inflação impôs mudanças aos franceses naquilo que eles mais apreciam: a boa mesa. Com algumas especialidades a preços astronômicos, pratos típicos dessa época do ano estão sendo substituídos por alternativas mais em conta. O tradicional foie gras, o polêmico fígado gordo de pato ou ganso, dobrou de preço em um ano e está custando a bagatela de € 150 o quilo, cerca de R$ 822.  Esta entrada, que sempre foi associada a um luxo, mas que a maioria das famílias ainda fazia questão de ter na mesa de Natal e no Réveillon, praticamente sai do cardápio. Isto já era uma tendência, devido à forma como as aves são forçadas a se alimentar. A moda, agora, é servir a versão vegana do foie gras, que os chefes de cozinha batizaram de "non gras", uma receita à base de castanhas, manteiga de cacau, óleo de coco, missô japonês, pasta de gergelim, conhaque e uma pitada de trufa, aquele fungo raro que também é um assalto à carteira.  Os chefes de cozinha dão várias ideias de como fazer uma ceia de Natal sem se arruinar. A dica é evitar o salmão selvagem, trocado pela truta, algumas espécies de aves e crustáceos que encareceram acima da conta e substituí-los por outros produtos, principalmente, pelas vieiras, chamadas de noix de Saint-Jacques, abundantes na França neste ano. Com a comida cara, o orçamento para presentes diminuiu e esta é outra tendência de fundo. As lojas estão lotadas, mas é perceptível que os franceses estão privilegiando mais qualidade e menos quantidade, tanto devido à inflação, dos preços proibitivos, quanto por consciência ecológica. Na França, não é comum fazer amigo secreto, mas isso está mudando, justamente para diminuir a quantidade de presentes nas famílias.  Segundo uma pesquisa Ifop, 18% dos franceses não irão oferecer presentes de Natal neste ano, uma alta de 8 pontos em relação ao ano passado. A geração mais jovem tem muito mais consciência da gravidade das mudanças climáticas, sofre com isso e quer se livrar do peso que essa tradição de consumo exagerado e presentes representam.  Nas vésperas do Natal, dá para ver que as pessoas aguardam a temporada de liquidação de inverno, que vai começar em 11 de janeiro. Tem muita mercadoria sobrando nas lojas. Marcas de roupa mais caras diminuíram visivelmente suas coleções. Algumas lojas têm aquela área enorme e poucas peças nos cabides. Os donos de indústrias estão pessimistas: 56% acreditam que 2023 será um ano difícil para o setor da moda na Europa, contra 9% que faziam essa previsão pessimista no ano passado.   A festa das famílias Fala-se muito que os franceses são desgarrados das famílias, mas o Natal é realmente a data em que a grande maioria das pessoas fica em família. Para muita gente, é a única ocasião do ano em que toda a família se reúne: bisavós, avós, pais, filhos, netos e bisnetos. Quem mora fora volta para casa; os aposentados, que costumam mudar para uma região mais ensolarada, ficam com a casa cheia. Por isso, os preparativos para a ceia do dia 24 e o almoço de 25 de dezembro são tão importantes.  As pessoas são capazes de passar de três a cinco horas à mesa, e cada região tem suas tradições. Uma delas é o trou normand, um hábito criado na Normandia. Para aguentar a refeição de duas ou três entradas, prato de peixe, uma ave assada, queijos e sobremesas, bebe-se um copo de Calvados, a cachaça local feita de maçã, entre as etapas, para abrir de novo o apetite. Assim, é garantido que a comilança dure horas.  Depois do Natal, quem tem dinheiro viaja. Alguns vão para as estações de esqui, embora as pessoas prefiram fazer o esqui em fevereiro e passar o Natal e o Ano-Novo mais sossegados. O que está uma dor de cabeça nesses dias é a greve de trens. Greve de trens prejudica viagens A greve dos agentes que controlam as passagens deve tirar de circulação praticamente dois terços dos trens na França, neste fim de semana. Os controladores, independentes de sindicatos, convocaram uma mobilização por aumento de salários, e mais de 200 mil passageiros tiveram suas passagens canceladas. A companhia ferroviária SNCF indenizou os clientes, propondo um vale no valor do dobro da passagem perdida, mas a paralisação estragou o Natal de muita gente. Os carros de locação desapareceram das lojas, os preços das passagens de ônibus e de caronas na plataforma Blablacar foram às alturas, um estresse de última hora que deixou os viajantes irritados. O conflito social só foi resolvido na manhã de sexta-feira (23), depois que o presidente Emmanuel Macron deu uma bronca, na véspera, no presidente da companhia, no ministro dos Transportes, e acusou os grevistas de falta de empatia com a população, ao fazer uma greve no único momento do ano em que as pessoas visitam familiares.  Finalmente, um acordo foi encontrado, e os sindicatos da SNCF suspenderam a greve que também estava prevista para o fim de semana do Ano-Novo. O Natal já está perdido.
    12/24/2022
    12:55
  • Com a França na final da Copa, boicote contra o Catar mingua
    A França está na final da Copa do Mundo e pode se tornar, junto com a Itália e o Brasil, a terceira seleção a vencer duas Copas consecutivas. Após as sucessivas vitórias do time de Didier Deschamps, o boicote contra o Catar parece ter ido por água abaixo. O início da Copa do Mundo foi marcado pela mobilização de torcedores e da classe política francesa contra o Catar. No início de novembro, 42% dos franceses diziam que não assistiram aos jogos em protesto. O movimento foi iniciado pelo ex-jogador francês Eric Cantona, para quem a realização do Mundial em Doha é “uma aberração”. De fato, o Catar protagoniza diversos escândalos, com milhares de mortos na construção dos estádios da Copa, além da climatização antiecológica das arquibancadas, a intolerância aos homossexuais, e a recente suspeita de envolvimento em um sistema de corrupção no Parlamento Europeu. Em protesto, prefeituras de várias cidades francesas, entre elas, Paris, decidiram não instalar fan zones. A mobilização teve repercussão na quantidade de torcedores que viajaram para assistir aos jogos na sede da Copa, seis vezes menor do que no Mundial da Rússia, em 2018, segundo o jornal L’Equipe. Por outro lado, a evolução da seleção francesa na competição foi enfraquecendo o boicote. Na última quarta-feira (14), a transmissão do jogo França e Marrocos pelo canal aberto TF1 registrou recorde de audiência em Copa do Mundo, com mais de 23 milhoes de telespectadores. Em todo o país, bares lotados e a festa dos torcedores na avenida Champs-Elysées, em Paris, mostraram que a paixão pelo futebol é maior. Até políticos aliviaram o tom nos últimos dias, como o líder do Partido Comunista francês, Fabien Roussel, que em setembro declarou: “se eu fosse jogador de futebol, não iria à Copa”. Mas, nesta semana, voltou atrás e admitiu que vai assistir à final do Mundial. Macron na final da Copa Desde o início, o presidente francês, Emmanuel Macron, se negou a participar do boicote. Em novembro, ao comentar sua possível ida a Doha para assistir à semifinal e à final do Mundial, ele afirmou que “o esporte não deveria ser politizado” – uma declaração que recebeu uma enxurrada de críticas. Na última quarta-feira (14), antes do jogo da França contra o Marrocos, o presidente francês voltou a provocar uma polêmica, ao anunciar que iria assistir à semifinal em Doha. Para a classe política francesa, principalmente a esquerda, é inadmíssivel que um chefe de Estado apoie um evento esportivo realizado em um país envolvido em tantas polêmicas: a última delas veio à tona na semana passada - um escândalo de corrupção envolvendo o Catar e o Parlamento Europeu. O chefe do partido socialista francês, Olivier Faure disse compreender que os torcedores assistam às partidas, mas ter um presidente que viaja para o Catar para ver um jogo é apoiar um regime questionável. “É claro que os franceses e as francesas estão ligados nesta Copa do Mundo e a assistem. Mas não podemos endossar um regime quando vemos dia após dia o que ele representa”, afirmou. Já os ecologistas denunciam a pegada de carbono do presidente francês que fez um bate e volta em Doha com o avião presidencial. Mas, ao que tudo indica, Macron deve retornar à Doha para assistir à final no domingo. Ao ser questionado sobre a viagem, o chefe de Estado francês disse que “assume completamente” sua decisão, e que não deixará de apoiar os “Bleus”, como é chamada a equipe de Didier Deschamps. Macron aproveitou para criticar o boicote, ressaltando a grande audiência nas transmissões dos jogos na TV: "Amamos a nossa seleção, temos orgulho dela, queremos que ela vença, e vamos apoiá-la até ao fim".
    12/16/2022
    9:38

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