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  • Saúde em dia - Álbum de HQ que conta história de menina diabética vira sucesso na França
    A jornalista e escritora francesa Ana Waalder, diabética do tipo 1 desde os três anos de idade, acaba de lançar, em parceria com o marido quadrinista Mikhael Allouche, o álbum “Escroqueuse – Quand l’Hypo Frappe" (A Feiticeira que dribla as hipoglicemias, em tradução livre). Taíssa Stivanin, da RFI Em suas 186 páginas, o livro em formato de quadrinhos coloca o leitor na pele de Ana, que convive com a doença desde pequena. “Queríamos mergulhar o leitor no mundo do diabetes, para que percebesse o impacto que a doença tem na vida de alguém que acaba sendo obrigado a se controlar de maneira permanente, e que tem crises de hipoglicemia que literalmente derrubam a pessoa”, disse Ana Waalder à RFI Brasil. Essas crises podem provocar, por exemplo, desmaios em lugares públicos. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de diabéticos no mundo aumentou de 108 milhões em 1980 para 422 milhões em 2014. O diabetes se manifesta de várias formas. Os mais conhecidos são os do tipo 1 e 2, mas há muitos outros. No diabetes de tipo 1, um grupo de células do pâncreas conhecidas como ilhotas de Langershans, que produzem insulina e glucagon, são destruídas por anticorpos fabricados pelo próprio corpo. É uma doença autoimune que se desenvolve em indivíduos predispostos geneticamente, e sua aparição não está ligada a fatores como a obesidade, que podem desencadear, por exemplo, o tipo 2. O tratamento exige a injeção cotidiana de insulina e o monitoramento constante do nível de açúcar no sangue, para evitar a hiperglicemia ou a hipoglicemia e o risco de graves consequências para a saúde. Manter a glicemia sob controle exige uma grande disciplina – o que afeta a qualidade de vida do paciente em todos seus aspectos. “Quando falamos de diabetes, sempre imaginamos um cotidiano que nos obriga a prestar atenção no que comemos. Na realidade, o diabetes é bem mais complexo do que isso, principalmente quando a gente é obrigada a injetar insulina. Com esse livro, queríamos contar uma história emocionante, que prendesse o leitor, e também despertasse o desejo de saber mais sobre essa doença”, explica a escritora. A aposta deu certo: a emocionante história de Ana captura a atenção do leitor, acostumado ou não ao convívio com a doença. De forma romanceada, a jornalista narra como sua família descobriu que ela tinha diabetes, aos três anos, depois de uma festa de família em que ela passou mal e acabou sendo internada. Ana foi uma criança privada de doces, que passava boa parte da vida em hospitais. Sua família, para protegê-la, decidiu fazer da doença um segredo, escondendo-a inclusive do próprio irmão. Reviver a história familiar no livro de Ana foi um momento difícil para seus pais, mas hoje, segundo ela, eles até fazem propaganda do álbum, que demorou três anos para ser terminado. Na pele de um diabético A jornalista e escritora é casada há 15 anos com o quadrinista Mikhael Allouche, que ilustrou o livro. Ele explica que a trajetória de Ana, a menina que descobre que é diabética e se transforma em uma mulher realizada, é o fio condutor do álbum. “Não é uma história em quadrinhos didática. Aprendemos muito, mas na realidade, entramos em uma história, emocionante, que nos faz mergulhar de cabeça na dificuldade de ser ter um diabetes. É como se o leitor entrasse na pele do personagem ”, ressalta. “O álbum é uma história investigativa, imersiva, mas antes de tudo uma história em quadrinhos onde vivemos uma trajetória e, sem perceber, aprendemos muitas coisas. ” No álbum também existem muitos elementos gráficos simbólicos, explica Mikhael, que serão interpretados de forma diferentes pelos leitores. “A maneira como o leitor vai vivenciar o livro é uma experiência muito pessoal. ”, resume. “Esse quadrinho é uma busca, que também traz uma investigação jornalística sobre os desafios sanitários e políticos da doença. Não falamos apenas sobre a patologia, mas também sobre a maneira como os pacientes são tratados nos hospitais e como o sistema de saúde se organiza em torno do diabetes”, explica. Em busca da cura A obra traz, paralelamente, uma investigação jornalística sobre os limites dos tratamentos e a falta de investimento da indústria farmacêutica para buscar a cura para uma patologia que movimenta bilhões de dólares em insulina, agulhas e sistema de monitoramento da glicose no sangue. “O que eu quis mostrar no livro é a necessidade de ter como objetivo não a criação de novos dispositivos de tratamento, mas a descoberta de um remédio para o diabetes. Sem estabelecer essa meta, continuaremos a nos dar por satisfeitos com ferramentas de gestão da doença. Não queremos mais ferramentas. Queremos um remédio”, defende Ana. Segundo ela, há décadas os especialistas falam sobre o surgimento uma molécula que poderá revolucionar a vida dos pacientes, o que nunca ocorreu. “Não sabemos se é possível encontrar esse remédio. Mas é necessário um financiamento para a pesquisa, para que possamos descobrir, investindo na pesquisa fundamental e em setores como a imunologia. “Pensamos que é nesse sentido que as coisas devem ir. Mas, não somos médicos, ou pesquisadores. Apenas interrogamos muitos deles para perguntar qual era sua opinião”, ressalta Ana, que espera que o álbum ajude a tornar a doença mais conhecida pelo grande público.
    10/19/2021
    5:57
  • Saúde em dia - França: neurocirurgiões utilizam realidade virtual para preservar área da cognição social no cérebro
    Para tratar lesões cerebrais, incluindo a epilepsia, tumores cerebrais ou outras doenças, a equipe do neurocirurgião francês Philippe Menei, do Centro de Pesquisa em Cancelorologia e Imunologia de Nantes, no nordeste da França, opera o paciente acordado. O objetivo é poupar as áreas cerebrais responsáveis pela linguagem ou a motricidade. Taíssa Stivanin, da RFI Durante o procedimento, os pacientes são totalmente anestesiados para a instalação no bloco operatório e, ao mesmo tempo, recebem um anestésico local, aplicado na pele do crânio, que é a estrutura mais sensível da cabeça. Quando os cirurgiões têm acesso ao cérebro, o paciente é acordado, mas não sente dor. O objetivo é testar se zona a ser operada pode comprometer os movimentos ou a linguagem. “Todos nós temos a mesma rede cerebral, mas há variações individuais”, explica o médico francês. Para operar com o mínimo de sequelas possível, os neurocirurgiões realizam, durante a intervenção, a chamada cartografia cerebral. “Utilizamos a chamada estimulação elétrica. Temos um pequeno eletrodo que paralisa uma área do cérebro de cerca de um centímetro quadrado, durante alguns segundos. Pedimos ao paciente que fale, e, se localizamos uma área importante para a linguagem, ele terá dificuldade de falar se encostarmos o eletrodo nessa zona cerebral", explica. A região da linguagem, geralmente, se situa no hemisfério esquerdo, explica o neurocirurgião francês. Por essa razão, esse tipo de técnica é utilizada quando as lesões são detectadas nessa área. Realidade virtual Outras regiões do cérebro, entretanto, podem ser afetadas durante a cirurgia, como a da chamada cognição social, ou comunicação não-verbal. Ela se traduz pelo olhar e expressões faciais sutis que, ausentes, prejudicam a interação do indivíduo com o seu meio. Essas funções estão localizadas no hemisfério direito, explica Philippe Menei. “Essa comunicação é extremamente importante e utilizamos todos os dias sem perceber: a maneira como olhamos as pessoas, a maneira como você exprime as emoções no rosto e como as interpreta e a maneira de “adivinhar” a emoção da pessoa que está olhando para você. Tudo isso faz parte da linguagem não-verbal”, completa. Apesar de ser extremamente importante, ressalta o neurocirurgião francês, essa zona do cérebro, durante muitos anos foi “esquecida” nas cirurgias, por ser considerada uma deficiência “invisível”. “Quando alguém não pode mais falar, percebemos na hora. Quando alguém perdeu uma parte das habilidades não-verbais, é considerado como bizarro, e reage de maneira bizarra às coisas, mas não é algo imediatamente visível”, declara. Testando a linguagem não-verbal A equipe de Philippe Menei decidiu então testar essa área cerebral no bloco operatório, utilizando óculos inteligentes de realidade virtual. O paciente acorda e entra de maneira imersiva em um espaço virtual, onde os avatares tentarão entrar em contato com ele de maneira não-verbal. Durante mais de 10 anos, a técnica foi testada a pedido das Autoridades de Saúde francesas, que queriam avaliar a inocuidade da tecnologia nas cirurgias cerebrais. Hoje, o uso da realidade virtual na saúde se desenvolve rapidamente e os óculos inteligentes fazem parte da rotina da equipe de Philippe Menei nos hospitais, mas esse não era o caso há alguns anos. Ele exemplifica com o caso de um músico que precise operar o cérebro. A realidade virtual poderá simular sua participação em um concerto com uma orquestra, auxiliando os cirurgiões na preservação das regiões cerebrais utilizadas para tocar os instrumentos. “O único limite é nossa imaginação. Com a realidade virtual podemos reproduzir todo tipo de situação”, conclui.
    10/8/2021
    6:46
  • Saúde em dia - O maior risco da Covid-19 para as crianças é a saúde mental, diz pediatra francesa
    A contagiosidade da variante delta, que hoje predomina na França, exigiu a manutenção de medidas de proteção nas escolas, como o uso da máscara e o distanciamento. Apesar dos cuidados, os casos aos poucos se multiplicam entre os menores de 11 anos, que não têm acesso à vacinação. Taíssa Stivanin, da RFI Para a presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, Christèle Gras-Le Guen, o reforço do protocolo sanitário nos estabelecimentos, que reabriram no início do ano, é necessário. “Nós esperávamos poder aliviar as medidas de proteção e retomar a escola em condições mais normais. Mas, infelizmente, o vírus é muito contagioso, e sua circulação vai provavelmente acelerar com o início do ano letivo. Fomos obrigados a manter medidas na volta às aulas”, explica. De acordo com Le Guen, o vírus, até agora, não é considerado muito perigoso para as crianças. Poucas hospitalizações, que se mantêm estáveis desde o início da epidemia, foram contabilizadas na França. O número de menores nas unidades de terapia intensiva (UTI), diz, é baixo, e nenhuma morte foi registrada em 2021. Desde março de 2020, seis crianças sucumbiram à Covid-19 no país. O vírus continua sendo benigno para os alunos, reitera, e o retorno à escola gera um risco de aumento da circulação, assim como o retorno em presencial de boa parte dos trabalhadores, que vão voltar a lotar o transporte coletivo. “Não estamos preocupados com a saúde das crianças, que correm poucos riscos de ter uma forma grave da Covid-19.” As mensagens alarmistas que pululam nas redes sociais, relembra, não correspondem à realidade epidêmica dessa faixa etária na França. A situação nos Estados Unidos, entretanto, é diferente. Os casos quintuplicaram e, desde o início da epidemia, pelo menos 432 menores entre 0-17 anos foram infectadas pelo vírus, de acordo com dados consolidados do CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças) até o dia 9 de agosto.  A pediatra ressalta, entretanto, que é preciso avaliar o acesso à saúde, que não pode ser comparado entre os dois países. Na França, independentemente da renda ou condição social, todas as pessoas recebem tratamento para qualquer tipo de patologia. Muitas vezes, totalmente gratuito. Le Guen também cita fatores de risco, como a obesidade, mais comum na população americana, e que predispõe a formas graves. Além disso, defende, desde o início da epidemia no país, muitas crianças já estiveram em contato com o vírus e podem ter adquirido um certo grau de proteção. A verdadeira preocupação, no mundo pediátrico, ressalta a presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, é em relação aos efeitos indiretos do vírus na saúde mental das crianças, como foi o caso das restrições ferrenhas colocadas em prática no primeiro lockdown na França, de março a maio de 2020. “Nós os impedimos de praticar esportes, de ver seus amigos, em alguns casos até de ir à escola. Tudo isso teve um impacto muito forte na saúde na mental”. Covid longa A Covid longa, reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), também atinge crianças. Há relatos em vários países de menores que, após a infecção, desenvolveram sintomas persistentes como falta de concentração, cansaço ou perda de fôlego. Christelle Le Guen diz desconhecer casos na França. Ela cita um estudo britânico que mostra que entre 7% e 10% das crianças afetadas pelo SARS-CoV-2 desenvolveram sintomas. “A principal dificuldade é que os sintomas são, na maior parte do tempo, subjetivos. Sintomas que envolvem sono, apetite, atenção, memória, que fazem parte de quadros de ansiedade, depressão ou um grande estresse”, explica. Segundo ela, muitos adolescentes foram atendidos no pronto-socorro após tentativas de suicídio. A presidente da Sociedade Francesa de Pediatria lembra que é preciso ficar atento a novos sinais de gravidade da doença nas crianças, mas reitera que, por enquanto, a Covid-19 continua sendo perigosa principalmente para idosos e pessoas com outras patologias que favorecem uma forma grave.
    9/21/2021
    3:54
  • Saúde em dia - Covid-19: vacina para menores de 5 a 11 anos deve ser avaliada pela FDA em setembro
    A luta contra a Covid-19 deve ganhar novos aliados com a aprovação do uso emergencial da vacina Cominarty, produzida pela Pfizer/BioNTech, para menores de 5 a 11 anos de idade. Os dados devem estar disponíveis no final de setembro para análise da FDA, a agência de alimentos e medicamentos dos EUA. Os resultados para a utilização nas faixas etárias entre 6 meses e 5 anos devem ser divulgados na sequência, como indicou a empresa em um comunicado. Taíssa Stivanin, da RFI Segundo o laboratório americano, mais de 4.500 crianças com idades de 6 a 11 anos participam dos testes clínicos nos Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha. A empresa também pretende avaliar a aplicação da vacina em bebês de menos de seis meses. A farmacêutica lembra que os menores de 15 anos de idade representam 26% da população global. O pediatra americano Willie Ng, que tem mais de 40 anos de experiência e atua em uma clínica de Cincinatti, em Ohio, conversou com a RFI Brasil sobre a expectativa da chegada do imunizante que utiliza o RNA mensageiro ao país. Segundo o especialista em cardiologia infantil, nos Estados Unidos muitos pais aguardam com ansiedade a possibilidade de proteger seus filhos do SARS-CoV-2. Parte dos testes clínicos com a vacina são realizados em Cincinatti e alguns de seus jovens pacientes estão participando dos estudos, que visam avaliar, principalmente, a dose necessária para imunizar as crianças. A Covid-19 gera poucos casos graves em crianças abaixo de 11 anos de idade, afirma, mas vaciná-las será fundamental para o controle da epidemia. Isso fará com que o vírus circule menos e evitará o aparecimento de variantes que podem ser mais perigosas, inclusive para as próprias crianças. Em sua opinião, imunizar todas as faixas etárias também será a única maneira de continuar protegendo idosos e pessoas mais frágeis. Hoje, ressalta, são os não vacinados que contribuem para a circulação ativa do vírus. “Sou a favor da vacina para todas as crianças, até as mais jovens. Há muitos pais que acham que como os casos são leves na maioria, é melhor adquirir a imunidade natural. Acho que sempre há o risco de se ter um caso mais severo, ou desenvolver a Covid longa. Nunca se sabe, sempre é melhor prevenir”, afirma. Com o avanço da variante delta nos Estados Unidos, o número de infecções entre menores quintuplicou, mas sem provocar, proporcionalmente, mais casos graves. As complicações são dez vezes mais frequentes em adolescentes não vacinados, explica o pediatra americano. “Até agora, por sorte, a maioria dos casos são leves”, diz. “Mas se você permite que o vírus continue se replicando, vão aparecer outras variantes, que podem ser piores. É melhor tentar parar essa epidemia agora”, frisa. “A próxima criança pode pegar um vírus que vai mutar e gerar casos mais sérios”, alerta. As mutações são normais, lembra, e a chegada de uma nova cepa é questão de tempo. Por isso, reitera, todo mundo deve ser vacinado. "Minha recomendação é essa.” “Não existe vacina perfeita” O risco de eventuais efeitos colaterais graves provocados pela vacina, em uma população que geralmente registra infecções banais, tem gerado debate nos Estados Unidos. Foram relatados casos raros de miocardite, uma inflamação que atinge o músculo cardíaco, e de pericardite, que inflama o pericárdio, uma membrana que envolve o órgão. Segundo o jornal americano The New York Times, por conta disso, a Pfizer e a Moderna, que também realizam testes clínicos para o imunizante na faixa etária entre 5 a 11 anos, tiveram que incluir mais 3 mil crianças na pesquisa, a pedido da FDA. Essa precaução, reitera Willie Ng, não deve servir de argumento para impedir a imunização nessa faixa etária. “Não existe vacina perfeita. Temos que medir os prós e contras entre a vacina e a doença. Ainda acho que a possibilidade de ter uma complicação com a vacina é muito menor do que as chances de sofrer de uma forma grave da doença”, defendeu a pediatra, em entrevista à RFI Brasil. Na França, por exemplo, de acordo com os últimos divulgados em agosto pela Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos, foram registradas 44.587 reações à Cominarty, nome comercial da vacina da Pfizer, em um total de 66.445.000 injeções. A maior parte delas sem gravidade. A presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, Christèle Gras-Le Ghen, questiona a necessidade de vacinar as crianças menores. “O SARS-CoV-2, se circula entre as crianças e é benigno, não é motivo de preocupação. A preocupação de verdade é entre os adultos, que podem desenvolver uma forma grave. A solução é clara: vacinar os adultos que podem ir parar na UTI”, diz. Sobre a vacinação, a pediatra francesa diz que é preciso aguardar os dados definitivos sobre a eficácia da vacina e de seus efeitos colaterais em menores de 11 anos de idade, que ainda não foram publicados. “Do meu ponto de vista, a vacinação de crianças só faz sentido após a imunização de todos os adultos”, declara. “Os médicos que trabalham nas UTIs relatam que, em seus setores, recebem principalmente não vacinados”, conclui.
    9/14/2021
    5:05
  • Saúde em dia - Variante Delta compromete vacinação e meta da imunidade coletiva
    Novos estudos sobre a Covid-19 vêm mostrando as graves consequências da propagação da variante Delta. A eficácia das vacinas vem baixando diante desta linhagem, altamente contagiosa. Além disso, alguns estudos apontam que indivíduos imunizados podem tanto se contaminar quanto transmitir a doença. As novas descobertas levam especialistas a descartar a possibilidade de alcançar uma imunidade coletiva. Recentemente, os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos elaboraram um documento em que apontam que pessoas já vacinadas podem se contaminar e transmitir o vírus. Uma outra pesquisa, no Reino Unido, mostrou que a eficácia da vacina da Pfizer contra a variante Delta pode cair a 42%. No mundo inteiro, novos estudos vêm à tona mostrando que a disseminação da variante Delta deve tornar a luta contra a pandemia ainda mais longa. A maior preocupação dos especialistas não é com as pessoas vacinadas, que estão, na maioria dos casos, protegidas contra formas graves da doença. O grande temor atualmente se concentra em quem não foi imunizado. Aqui na França, são esses indivíduos que vêm dando entrada nos hospitais e UTIs, em uma quarta onda da Covid-19 que se intensificou nessas últimas semanas devido à rápida disseminação da linhagem indiana. Para o clínico-geral Jérôme Marty, presidente do sindicato União Francesa por uma Medicina Livre (UFML), não é surpreendente que a fácil propagação de um vírus resulte em variantes mais fortes. Por isso, segundo ele, é essencial que todas as pessoas elegíveis se vacinem. "O fato de estar vacinado não impede de ser 'contaminante', nem contaminado. Mas a função da vacina é evitar formas graves e, assim, as hospitalizações. Afinal, todas as consequências desta doença se deram por causa da monopolização dos serviços hospitalares. Então, se vacinarmos todas as pessoas com um imunizante que impede o desenvolvimento de formas graves, você tem menos hospitalizações, não lota as UTIs, evita lockdowns e todas as consequências econômicas e sociais. A particularidade desta doença - e nunca havíamos passado por isso na história da medicina - é o fato de ocupar todos os leitos de UTI", defende. Quarta onda da Covid-19 na França Pela quarta vez em um ano e meio de pandemia de Covid-19, a França volta a enfrentar aumento de óbitos, contaminações e internações, principalmente devido à variante Delta. Os números chegaram a alcançar patamares que não eram registrados há meses. Nas ilhas da Martinica e Guadalupe, departamentos ultramarinos franceses na América Central, a situação é extremamente grave. Não por acaso, apenas 25% da população está vacinada: uma quantidade insuficiente para barrar a doença, afirma Yannick Brouste, chefe da emergência do hospital de Fort-de-France, capital da Martinica. "Em menos de uma hora, os pacientes que estão chegando aqui à emergência podem morrer, ser entubados ou levados diretamente à UTI. Atualmente temos mais de 50 pessoas internadas em estado grave, algo que era raro de acontecer antes da Covid. Na nossa UTI o número de pacientes vacinados é zero. Nenhum dos pacientes que morreu de Covid estava vacinado", diz. Essa situação não é exclusiva dos territórios ultramarinos, onde a população é particularmente resistente à vacinação. Vincent Bounes, chefe do Samu da região de Haute-Garonne, no sudoeste da França, descreve um comportamento similar entre os doentes que trata. "A situação é tensa, com a quantidade de pacientes dobrando a cada semana nas UTIs. Passamos de uma situação estável a algo realmente exponencial. Entre todos os pacientes que temos hoje nas UTIs, 95% não estão vacinados. São principalmente jovens, gente que achava que não seria infectada pela Covid, e que hoje está entre a vida e a morte, entubado, em estado grave. Como médico, ver tudo isso é realmente difícil", afirma, em entrevista à Franceinfo. Solução: vacinação Jérôme Marty lembra que enquanto a quantidade de pessoas não vacinadas for alta, o vírus vai continuar mutando e se propagando. Essa situação implica em graves consequências para bebês e crianças abaixo de 12 anos, que ainda não podem ser imunizados contra a Covid-19. "O vírus circula onde sabe que vai encontrar combustível para continuar circulando. E sabemos que o combustível do vírus é o nosso corpo. Ele passa de um corpo a outro, então, a partir do momento que os corpos que o vírus encontra não têm defesa, ele vai conseguir acelerar e mutar. Então, o ideal, se quisermos vencer essa pandemia, é que as populações estejam completamente vacinadas. Desta forma, não teremos formas graves e hospitalizações. Teremos uma doença circulando, claro, mas sem riscos", explica. O clínico geral chama atenção para um fato inédito desde o início da pandemia: um aumento de contaminações e hospitalizações de bebês e crianças. Na França, entre o final de junho e o início de agosto, a quantidade de casos positivos na faixa de 0-9 anos foi multiplicado por 10. Boa parte das infecções ocorre dentro de casa, a partir de mães e pais não vacinados. O fenômeno incita o debate sobre a necessidade da vacinação dos pequenos. Até o momento, a segurança da vacina foi validada em jovens a partir dos 12 anos. Estudos que avaliam a utilização de imunizantes em faixas etárias inferiores estão sendo realizados; os primeiros resultados devem começar a ser divulgados no segundo semestre deste ano. "É preciso considerar duas coisas. A primeira é que sabemos que a variante Delta está circulando mais entre os jovens. A segunda é que vacinamos as gerações com idades mais avançadas e poupamos as crianças. Por isso, o vírus está circulando entre os pequenos. Agora é preciso juntar todos os estudos sobre a segurança da vacina para os menores de 12 anos. Sabemos, por exemplo, que há casos de miocardite entre os mais jovens. É preciso avançar de forma prudente, mas é provável que mais para frente tenhamos que vacinar as crianças", avalia Jérôme Marty. Com novas pesquisas apontando também para a diminuição da eficácia dos imunizantes meses após sua aplicação, o médico lembra que muito além das terceiras doses, injeções para o reforço da proteção contra a doença talvez se tornem a regra no futuro. O médico lembra que isso já ocorre hoje, por exemplo, com a vacina contra a gripe, que pode ser administrada todos os anos.
    8/24/2021
    7:41

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