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  • Transtorno de personalidade borderline ainda é mal diagnosticado, diz psiquiatra francesa
    O transtorno de personalidade borderline é uma doença mental que compromete a vida do paciente e das pessoas com quem ele convive, mas ainda é uma patologia desconhecida do grande público. A doença provoca ansiedade, irritabilidade e comportamentos impulsivos. O paciente, que teme o abandono, vive com as emoções literalmente à flor da pele e se sente incapaz de gerenciá-las. A prevalência do distúrbio na população é estimada entre 4% e 6%. O tratamento principal é a psicoterapia e pode associar medicamentos, dependendo do caso. Como ajudar alguém que é afetado pelo problema? A psiquiatra francesa Deborah Ducasse, que atua no Hospital Universitario de Montpellier, é uma das co-autoras do livro “Le Trouble borderline expliqué aux proches”, ou “O Transtorno Borderline explicado à família e aos amigos”, em tradução livre. “É um problema muito frequente, mas ainda pouco conhecido. Há poucos profissionais de saúde formados para diagnosticar a doença. Pode ser dificil para a equipe tratá-la e acompanhar o doente de maneira eficaz. Exige uma formação específica”, disse à RFI. De acordo com a psiquiatra, o transtorno tem diferentes níveis de gravidade, como na maior parte das doenças mentais. Há, entretanto, um ponto comum entre os doentes: o apego excessivo a uma relação, explica a psiquiatra. “O borderline é um transtorno emocional, enquanto o bipolar ou a depressão são distúrbios do humor”, diz. "Movimento afetivo" As emoções podem ser definidas como um “movimento afetivo”: um conjunto de sensações normais que se manifestam no organismo e que têm duração limitada. Entre elas estão a alegria, o medo, a tristeza ou a raiva, por exemplo. No transtorno borderline, a intensidade das emoções é extrema e oscila ao longo do dia. Os sintomas são variáveis e se baseiam na incapacidade de sentir autossatisfação, o que provoca um vazio interior, explica a especialista. “É para enfrentar esse vazio que a pessoa vai imaginar um relacionamento próximo como a solução para esse mal-estar interno. O paciente idealiza a capacidade do outro para preencher esse vazio, criando muitas expectativas. Como em geral o outro não estará à altura dessas expectativas, haverá muitas decepções e alternância entre a idealização e desvalorização. ” É comum, por exemplo, que o paciente invista de maneira excessiva em uma relação amorosa, ou amizade, e se torne dependente emocionalmente desse relacionamento. Isso pode gerar comportamentos autodestrutivos, como tentativas suicidas ou até automutilação. A psiquiatra francesa ainda explica que, quem sofre da doença, pode passar a ter uma opinião completamente diferente de alguém que, no passado, foi o objeto de sua devoção. Isso pode provocar acessos de raiva e explosões seguidas de uma grande sensação de culpa. Doença pode passar despercebida No ambiente de trabalho, a doença pode não ser notada pelos colegas. “No transtorno borderline, há um apego ao sucesso profissional, que deriva da necessidade de valorização pessoal. O paciente pode ser muito competente, ter um excelente desempenho, e interagir bem com os colegas com quem não tem relações tão próximas”, descreve Deborah Ducasse. Estudos mostram que estresses vividos na infância podem contribuir para o desenvolvimento da doença. A predisposição genética é uma outra pista, assim como uma desregulação dos neuropeptídeos, substâncias químicas liberadas pelas células cerebrais. A RFI entrevistou uma paciente de 22 anos que foi diagnosticada em setembro de 2020 e preferiu não se identificar. Inicialmente, ela teve anorexia e os médicos que a trataram não detectaram imediatamente o transtorno borderline, apesar de terem observado a existência de um outro problema psiquiátrico associado. “Nossa vida depende da imagem que temos de nós mesmos no mundo. Então, todos os eventos que afetam essa imagem externa vão nos desestabilizar. ” Comportamentos compulsivos, descreve a paciente, também são comuns: comprar ou comer demais ou usar drogas são alguns dos exemplos. Hoje a jovem francesa deu a volta por cima e fala sem complexo sobre sua doença. “Tornou-se uma parte da minha história, e tenho orgulho dela. É essa história que faz que eu tenha tanta força hoje."
    11/22/2022
    5:21
  • Covid-19: controle definitivo da pandemia depende de adesão à vacina, diz virologista francês
    O aparecimento da subvariante BQ.1.1 da ômicron BA.5, que atualmente é responsável por boa parte das novas contaminações na França, não preocupa as autoridades sanitárias do país, que enfrenta sua oitava onda epidêmica. O número de casos cresceu cerca de 18% na última semana, de acordo com dados divulgados pela Santé Publique France, a agência de vigilância sanitária francesa, mas há menos hospitalizações, mortes e internações nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Taíssa Stivanin, da RFI O controle da epidemia agora dependerá principalmente da adesão da população à vacinação periódica, diz Bruno Lina, professor de Virologia do Hospital Universitário de Lyon e membro do COVARS, o Comitê de Acompanhamento e Antecipação de Riscos Sanitários do Ministério da Saúde Francês. O órgão publicou suas últimas recomendações no último dia 20 de outubro. "Temos a impressão que esse vírus, BQ.1.1, não é responsável por uma retomada epidêmica. Ele parece ser um vírus de transição", disse o virologista francês à RFI Brasil. "Estamos otimistas em relação à epidemia, mas a próxima fase está condicionada ao uso de todas as ferramentas que existem para lutar contra o coronavírus. Se interrompermos a vacinação, se não aderirmos à imunização e às medidas de proteção nos períodos em que o vírus está circulando, estamos expostos à retomada epidêmica. Isso é claro", acrescentou. A Covid-19, a exemplo da gripe, provavelmente será responsavel por uma onda epidêmica anual, prevê o virologista francês. Mas, para atingir esse patamar, que representa o tão esperado retorno de fato à vida normal, é necessário manter a imunidade da população. Para isso, o ideal é fazer a dose de reforço em média de quatro a seis meses após a última injeção e três após a infecção  – que protegem por tempo limitado, com algumas variações individuais. Esta é a recomendação da FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos) dos Estados Unidos. A França optou por concentrar seus esforços em campanhas para incitar a dose de reforço em pacientes idosos ou com fatores de risco. A imunização desse grupo é essencial para evitar internações, formas graves e mortes, e aliviar a pressão nos hospitais, mas isso não significa que a população com menos de 60 anos esteja dispensada da vacina, lembra Bruno Lina. O país já dispõe da vacina bivalente da Pfizer, que traz as cepas BA.4 e BA.5 e é segura, afirma. O especialista lembra, entretanto, que os imunizantes feitos com a cepa histórica continuam sendo eficazes e não há razões para adiar a injeção nos países onde a nova vacina do laboratório americano ainda não está disponível. "Temos que parar de achar que a Covid-19 se tornou uma doença benigna só porque a maioria das pessoas não vai para o hospital. Podemos ficar de cama durante três semanas", alerta. O virologista também lembra o risco da Covid longa, que atinge uma parcela ainda desconhecida dos contaminados que convivem com sintomas persistentes. Monitoramento de variantes     À espera de elementos mais concretos sobre o futuro epidêmico, por hora o governo francês continuará monitorando a nova subvariante BQ.1.1, que deve se tornar majoritária nas próximas semanas. O objetivo é determinar se ela induzirá um número maior de contaminações. Há razões para manter o otimismo, diz Bruno Lina: na onda atual, os hospitais não ficaram lotados, o que mostra que houve menos casos graves. O pico da epidemia deve ser atingido em 15 de novembro, com uma queda significativa da taxa de incidência. No continente europeu, também existe a possibilidade de que haja uma queda brutal da circulação em dezembro, apesar da chegada do inverno no hemisfério norte. A todos esses aspectos, soma-se um outro fator fundamental. Dados mostram que a mutação 346 presente na proteina Spike da BQ.1.1, que o SARS-CoV-2 utiliza para entrar na célula, "opera em um contexto de maior pressão imunitária adquirida pela população." De acordo com Bruno Lina, essa mutação não se compara em termos de virulência, por exemplo, às observadas nas linhagens BA.1 e a BA.2 e a BA.4 e a BA.5. A chegada da ômicron e de suas subvariantes mudou a trajetória da pandemia. Mais contagiosa e menos virulenta, ela contaminou um número maior de pessoas, fazendo com que as populações em diversos países do mundo adquirissem um certo grau de imunidade que, associada à vacinação, evita hospitalizações, casos graves e mortes. À espera (ou não) de novas cepas Esse equilíbrio, entretanto, pode ou não ser duradouro. Segundo Bruno Lina, dois fatores são determinantes para o futuro epidêmico : a emergência de novas variantes que acabem com o reinado da ômicron, e o ritmo das ondas epidêmicas, que ocorrem surgem, em média, a cada quatro meses, mas poderia diminuir. "Essas duas questões estão correlacionadas. Se a evolução do vírus for lenta, é provável que o ritmo das epidemias seja mais espaçado", prevê. "Hoje, entretanto, sou incapaz de dizer se essa incidência vai diminuir ao ponto de fazer com que os casos de Covid desapareçam, ou se entraremos em uma circulação praticamente sazonal, de um virus respiratório normal. Ou que ainda estamos expostos ao risco de retomada epidêmica por um vírus que talvez não apareça na Europa, mas no exterior", questiona. O virologista francês lembra que o Ministério da Saúde monitora com atenção, por exemplo, a variante XBB, surgida na Ásia, que parece ter um maior potencial de escape imunitário.
    11/8/2022
    4:59
  • “A Covid-19 continua sendo uma roleta russa”, diz especialista francês
    O médico do Esporte Nicolas Barizien dirige o setor de Covid Longa do Hospital Foch, em Suresnes, na região parisiense. Em entrevista à RFI, ele explicou que, apesar da pandemia estar em uma nova fase, a prevenção não deve ser deixada de lado. A melhor maneira de evitar complicações continua sendo não contrair o vírus.  Taíssa Stivanin, da RFI Por que a Covid-19 é uma doença banal para muitas pessoas, mas pode gerar casos graves e desencadear a Covid longa em outras?  Desde o início da epidemia, no final de 2019, cientistas do mundo todo tentam responder essa pergunta. Milhares de estudos foram feitos e existem algumas pistas, mas ainda serão necessários anos, talvez décadas, para compreender as peculiaridades da doença. Há indícios de que, em ambos os casos, exista uma predisposição genética, mas essa é uma hipótese que ainda está longe de ser comprovada, explicou o especialista francês. “Suspeitamos que exista, entre aspas, uma fragilidade genética, mas são estudos de pesquisa fundamental, ainda não temos o resultado”, disse Barizien à reportagem da RFI, que acompanhou pacientes que sofrem de Covid longa no hospital. A França está entrando na oitava onda epidêmica, e os casos vêm aumentando desde outubro. O pico deve ser atingido em 15 de novembro. “Como todas as doenças, o melhor é não pegar. Então eu insisto: é preciso tomar a vacina. Quem não se vacinou, deve fazê-lo porque isso é que vai proteger”, lembra. Ele ressalta que a vacina bivalente da Pfizer, que já está sendo aplicada na França, traz ainda mais esperança de controle da epidemia, já que inclui as cepas ômicron que circulam atualmente – mais contagiosas e menos virulentas.  A vacinação salvou vidas e diminuiu o número de hospitalizações e internações nas UTIs. Pacientes que se imunizaram também têm menor risco de desenvolver a Covid longa após contrair o vírus. Ainda há controvérsias, entretanto, sobre o efeito do reforço na Síndrome pós-Covid, como mostraram diversos estudos, explica o especialista.   “Há pacientes com a Covid longa que melhoram com o reforço da vacinação, mas em outros, a vacina não faz diferença. Há também aqueles que têm um agravamento dos sintomas e não há nenhuma maneira de saber, por antecipação, quem vai melhorar ou piorar com a vacina”, lamenta. Tomar vacina antes de pegar o vírus evita a Covid longa O especialista recomenda, para pacientes com Covid longa diagnosticada por uma equipe multidisciplinar, um exame laboratorial para medir a quantidade de anticorpos e determinar a necessidade imediata ou não do reforço. Ele lembra, entretanto, que, após o início da vacinação, há cada vez menos pacientes com Covid longa, já que pegar o vírus depois da injeção evita ter a doença. Por isso, ele alerta para a importância do diagnóstico precoce. “Quem teve Covid e sempre está cansado, com falta de ar e sente taquicardia um mês depois da infecção, vale a pena consultar um médico, para estabelecer um diagnóstico, fazer exames complementares e se tratar rapidamente”, diz. O efeito das múltiplas infecções no organismo ainda deve ser melhor estudado. O que pode acontecer no corpo de alguém que pega a Covid-19 várias vezes? E se o paciente já tinha a Covid longa e contrair o vírus novamente?  “É uma roleta russa. Tem gente que vai pegar o Covid pela segunda vez e ter dois ou três dias de febre e voltar ao mesmo estado de antes, sem piorar. Mas em alguns pacientes, essa nova contaminação vai desencadear um novo ciclo com sintomas piores, durante vários meses. Tudo depende”, resume.
    11/2/2022
    3:59
  • "Nada será como antes": hospital francês ajuda pacientes com Covid longa a retomar vida normal
    A RFI acompanhou pacientes com Covid longa atendidos no Hospital Foch, na região parisiense, que mais de um ano após terem contraído o vírus, lutam para conviver com os sintomas persistentes gerados pela Covid-19. Taíssa Stivanin, da RFI São 8h da manhã e três pacientes aguardam na sala de espera do setor de Medicina Esportiva do Hospital Foch, em Suresnes, na região parisiense. Audrey é uma delas. Desde 2021, ela convive com a Covid longa. Após sua infecção, seus sintomas se intensificaram e ela acabou paralisada, em uma cadeira de rodas. “Não conseguia andar, de tanto cansaço”, conta a francesa de 40 anos, contaminada pela variante Alfa, em 2021. Audrey iniciou seu tratamento em maio. Hoje, seis meses depois, ela recuperou o fôlego e seu estado de saúde melhorou, após meses de reeducação com uma equipe multidisciplinar, que inclui psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta, neurologistas e fonoaudiólogas. Vítima de uma forma severa de Covid longa, Audrey agora quer virar a página, deixar tudo para trás e pede à reportagem para não aparecer na foto. Foi em 2020 que surgiram os primeiros casos de pacientes que, meses após contrair o vírus sem complicações, ainda sentiam falta de ar, cansaço extremo e tinham problemas cognitivos que os impediam de realizar tarefas banais do cotidiano. A professora primária Nadège Courilleau, de 51 anos, acredita ter pego o vírus, há cerca de um ano, na escola onde lecionava, perto de Paris. Desde então, ela convive com os sintomas da doença. Durante a entrevista, Nadège perdeu o fôlego e precisou interromper a conversa algumas vezes - ela tinha, visivelmente, dificuldade para completar seu raciocínio. A professora francesa teve um declínio cognitivo confirmado pelos médicos após a infecção pela Covid-19 que, no seu caso, foi moderada, mas sem hospitalização. A memória imediata de Nadège não é a mesma de antes e esse problema a impede de trabalhar. “Não consigo gerenciar imprevistos. Tenho problemas de planejamento e de organização. Coisas que eu fazia e ensinava antes não sou mais capaz de fazer. Não consigo mais fazer cálculos de cabeça e tenho problemas de compreensão, de leitura e de fala”, conta. “Para mim, a grande surpresa, é que nunca melhorei. O tempo passa e os sintomas continuam os mesmos”, lamenta. Nadège contou à RFI que sente cansaço extremo, tem vertigens e taquicardia. “Antes, eu era uma atleta, corria duas vezes por semana e praticava natação.  Agora, não faço mais nada. Só caminho um pouco, não consigo fazer outra coisa”, diz. O programa pós-Covid é, para ela, a esperança de poder retomar uma vida normal e cuidar de seu filho mais velho, que é cadeirante. “Não posso mais dirigir e levá-lo às consultas.” A Covid longa também afetou sua vida social: algumas pessoas, diz, parecem duvidar da existência de sua doença. “Às vezes insinuam que não me esforço o suficiente.” Com o tempo, ela percebeu que a Covid longa provoca recaídas - uma característica comum a muitas patologias crônicas. “Melhora um pouco e depois os sintomas voltam, como no começo", descreve. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhece a existência da Covid longa ou Síndrome da Covid longa, desde 2021.  A estimativa é que entre 10 e 20% dos contaminados terão sintomas persistentes, que duram mais de quatro semanas. O programa para pacientes com Covid longa do Hospital Foch é dirigido pelo médico francês Nicolas Barizien, especialista em Medicina Esportiva, que escreveu um livro sobre o tema. Ele é uma referência para os pacientes que sofrem da doença e buscam tratamento. O setor foi um dos primeiros criados na França, em 2020, poucos meses após o aparecimento do vírus SARS-CoV-2 no país. A doença pode se manifestar de forma benigna, moderada ou severa. “A Covid longa atinge principalmente pessoas que tiveram uma forma leve ou moderada, tratada em casa e sem hospitalização. São pacientes jovens, entre 20 e 60 anos, na sua maioria mulheres. São pessoas ativas, com família e filhos pequenos”, explica. “Alguns sofrem tanto com a doença que não conseguem continuar a trabalhar, mesmo que seja meio período, por exemplo. É um grande impacto na vida de certos pacientes”, relata. Desde que os primeiros casos de Covid longa foram detectados, a estimativa é de que cerca de 2000 estudos científicos sobre o tema já tenham sido publicados, que buscam detectar fatores de propensão à doença. Hoje, existem três pistas que podem explicar o aparecimento da Covid longa, explica o médico francês. “A primeira é: será que o vírus fica no organismo e por isso continua gerando sintomas? A segunda é: será que o vírus provoca uma reação inflamatória? Terceiro: será que desencadeou um processo autoimune, levando o corpo a fabricar anticorpos contra si mesmo?", diz.   “Essas são algumas das pistas da pesquisa fundamental para explicar por que os pacientes continuam tendo os mesmos sintomas tanto tempo após a infecção. Praticamente todo mundo já pegou a Covid hoje, pelo menos uma vez. Podemos ficar mal de 2 a 15 dias, mas na maioria das vezes, passa. Há pessoas que vão continuar tendo sintomas durante anos. Tenho pacientes que já estão entrando no terceiro ano de Covid longa”, observa. Um novo estudo publicado em agosto deste ano levanta novas hipóteses sobre a predisposição à Covid longa .A pesquisa feita por cientistas da universidade de Yale e da Icahn School of Medicine, de Nova York, analisou o sangue de 215 pessoas. A conclusão é que o vírus parece afetar e diminuir a secreção do cortisol, o hormônio de adaptação ao stres em alguns indivíduos. O SARS-CoV-2 geraria uma resposta autoimune e inflamatória, com produção de anticorpos e proteínas imunológicas anormais. “Temos a confirmação de que é uma doença com repercussões biológicas. O sintoma que sempre está presente é um cansaço anormal. É normal se sentir cansado depois de ir a uma festa ou correr uma maratona. Não estou falando desse cansaço. Todos dizem, literalmente: minha bateria acabou”, declara. Há também suspeitas de que exista uma predisposição genética à Covid longa, mas ainda não há provas científicas. Além disso, é impossível saber se os sintomas podem piorar caso o paciente seja contaminado novamente. Segundo o médico francês, o reforço da vacinação também age de maneira heterogênea e pode ou não melhorar a condição do paciente. Em contrapartida, pegar o vírus depois de tomar a vacina diminui o risco de ter uma Covid longa. Isso explica, segundo o especialista, por que os casos mais severos, em geral, surgiram no início da epidemia.     De acordo com ele, há três categorias de sintomas. Entre eles, os respiratórios, que provocam falta de fôlego, por exemplo. Em seguida, há sequelas cardíacas, que causam taquicardia em repouso, queda da pressão e vertigens, além de outros problemas. Por fim, muitos pacientes se queixam de deficiências neurocognitivas, que causam dificuldades de concentração, atenção ou memória. Sintomas digestivos e cutâneos também são possíveis, mas menos frequentes. Atualmente, não existem medicamentos para tratar a Covid longa e o objetivo do tratamento é limitar o impacto dos efeitos colaterais no dia a dia. O programa criado pelo médico francês inclui, por exemplo, exercícios cognitivos, respiratórios e recondicionamento físico. Ele lembra que, por isso, também é importante diagnosticar cedo a doença para dar início rapidamente ao tratamento e interromper sua progressão.   Casos graves também podem desencadear Covid longa A Covid longa também pode atingir pacientes que tiveram uma forma grave. É o caso do aposentado Philippe Baudelot, 70 anos, que também é atendido no Hospital Foch. Depois de passar um mês na UTI, ele trata as múltiplas sequelas que surgiram após a infecção e a sua internação. Mas, apesar de ter tido uma Covid grave, contraída em 2021, ele consegue levar uma vida relativamente normal, embora tome muitos medicamentos, contou à RFI durante a consulta com o especialista francês. “Desde que tive a Covid-19, tento tomar o menor número de remédios possível. Para mim, ter que tomar todo dia alguma coisa, é bem difícil. Remédio para o estômago, para isso, para aquilo, para suportar tudo”, diz referindo-se às moléculas que o ajudam a dormir e a driblar a ansiedade. Apesar disso, Philippe mantém o bom humor e é com entusiasmo que ele se levanta para realizar o teste de esforço na sala ao lado. “Vamos pedalar agora? ”, sugere o especialista francês, Nicolas Barizien. “Vamos, vamos fazer a volta da França! ”
    10/25/2022
    6:45
  • Outubro Rosa: epidemia de Covid-19 atrasou diagnósticos, com queda de 40% nas mamografias
    Outubro Rosa é a campanha anual que visa sensibilizar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, a maior causa de morte em todas as regiões do Brasil, exceto no norte do país.  Taíssa Stivanin, da RFI Neste ano, a data tem um significado especial: após quase três anos de pandemia de Covid-19, ela poderá ser comemorada sem restrições, com eventos previstos em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é que a doença tenha provocado 50 mortes por dia no país em 2021, segundo dados do Inca, o Instituto Nacional do Câncer. Em 2020, 685 mil mulheres morreram vítimas do câncer do seio, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) em todo o mundo. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas, já que, se descoberto no início, e dependendo do tipo de câncer, a chance de cura pode chegar a 100%, explicou à RFI o mastologista Fábio Augusto Arruda de Oliveira, do Hospital Sírio-Libanês.  Segundo ele, houve muito atraso nos diagnósticos nos dois primeiros anos da epidemia de Covid-19 e há estudos mostrando que o número de mamografias realizadas diminuiu cerca de 40%. Em 2021, diz, a estimativa é que 1,6 milhão de exames deixaram de ser feitos. “A gente vê no consultório chegarem casos com tumores um pouco maiores, e mais avançados. Aqui no Brasil, e acredito que, no mundo todo, alguns serviços fecharam, literalmente. A mulher não tinha como realizar a mamografia”, diz. O início do monitoramento, ressalta o médico, difere em cada país. “A tendência no Brasil é começar a fazer a mamografia anualmente, a partir dos 40 anos, em casos com o chamado risco habitual. No caso de mulheres com risco maior, por conta de cânceres na família, podemos antecipar um pouco esse início”, explica.  Ele lembra que entre 10 e 15% dos cânceres são genéticos e trazem mutações em genes específicos, como o BRCA1 ou BRCA2. Eles fazem com a que as portadoras tenham 80% de chance de desenvolver a doença. Isso requer o monitoramento mais precoce em função da idade em que a mãe da paciente teve o tumor, por exemplo, explica o mastologista. Riscos inespecíficos Na maior parte dos casos, o câncer do seio aparece sem que haja riscos específicos, mas causas “ambientais”, ligadas ao modo de vida, por exemplo. “São os fatores epigenéticos, que podem influenciar a genética. A célula tumoral é uma célula que teve algum estímulo ruim, gerando uma mutação na sua própria genética. Se essa célula perde sua capacidade de velocidade de crescimento e morte, ela se prolifera muito rápido formando um tumor e gerando um crescimento desordenado.” A forma como isso vai acontecer constitui um dos grandes mistérios da Medicina e a genética individual ainda é um vasto campo a ser estudado. Em todos os casos, o prognóstico do câncer depende sempre da prevenção, que melhorou nos últimos anos com o avanço dos métodos de diagnóstico. Um exemplo é a tomossíntese, ou mamografia 3D, que permite uma análise profunda e detalhada da mama. A tecnologia usada, associada a novos medicamentos, faz com que o câncer do seio tenha deixado de ser uma sentença de morte.  “De forma geral, temos uma taxa de cura que ultrapassa 90% ou 95%. Quando você diagnostica um tumor pequeno, de tamanho milimétrico, chega a 100% de cura”, ressalta o especialista. Caso o tumor seja detectado num estágio mais avançado, com linfonodos ou metástases, a expectativa de cura ou sobrevida diminui em função do avanço da doença.  Existem vários tipos de cânceres do seio. Após a descoberta do tumor é necessário analisar, por exemplo, os receptores hormonais, a presença ou a ausência da proteína HER2 na superfície das células, além da velocidade de proliferação. Essas informações, ressalta o mastologista, determinam o tratamento e mostram se o câncer será mais ou menos agressivo.  Quanto menor for o tumor, maior é a possibilidade de recorrer a tratamentos que serão menos agressivos ou mutilantes. “O mais comum é o carcinoma invasivo, que pode ser ductal, e representa 80% dos casos, ou lobular. Esses são os cânceres de mama. Mas nas mamas também existem sarcomas e, agora, os linfomas induzidos pela prótese de silicone”, salienta. Novas moléculas descobertas recentemente também trazem esperança. Uma delas é a transtumuzab deruxtecan (nome comercial do Enhertu), que pode ser usada em casos específicos: pacientes, por exemplo, com a proteína HER2 produtiva e metástases. De um modo geral, o tratamento é modulado em função do caso, mas se baseia na cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A quimioterapia pode ser realizada antes da operação e a imunoterapia também vem sendo utilizada, em protocolos mais avançados. Prevenção é desigual no país No Brasil, infelizmente as chances de cura e os tratamentos disponíveis diferem em função do atendimento, explica o mastologista, que conviveu de perto com o problema da desigualdade em sua carreira.  O agendamento da mamografia é mais difícil no SUS (Sistema Único de Saúde) e a qualidade dos equipamentos é inferior, explica o especialista, que atuou durante vários anos em hospitais públicos. Além disso, há demora no agendamento da consulta, do exame e na obtenção dos resultados.  “Eu briguei durante muitas vezes na unidade onde eu trabalhava porque eu não aceitava que demorasse 60 dias o resultado de uma biópsia. A resposta é que era o contrato. Então tem que mudar o contrato. A gente não pode aceitar e ficar satisfeito com uma resposta dessas”, reitera o especialista. Ele também lembra que o acesso influencia no diagnóstico precoce e na sobrevida, apesar da situação, em geral, ter melhorado. “Mulheres que trabalham muito, acordam de madrugada, pegam a condução, trabalham o dia inteiro e chegam em casa muito tarde, têm dificuldade para fazer o exame e negociar com o patrão. A gente tem um perfil com doença mais avançada de quem usa saúde pública, em relação a quem usa complementar”, resume.
    10/18/2022
    8:31

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