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  • Planeta verde - COP26: restrições sanitárias “racistas” e viagem cara ameaçam presença de ONGs dos países do sul
    Restrições sanitárias e custos elevados podem deixar de fora da COP26, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, milhares de representantes da sociedade civil dos países mais pobres. O evento, historicamente marcado por uma presença em massa das ONGs, acontece em pouco mais de um mês em Glasgow, na Escócia. Lúcia Müzell, da RFI Em meio à pandemia de coronavírus, as organizações denunciam o “racismo" das autoridades britânicas, que manterão a exigência a quarentena para os viajantes da chamada "lista vermelha” de países, onde o risco de transmissão pelo coronavírus permanece elevado. Entre eles, está o Brasil e a maioria dos países da América Latina e da África, onde o acesso à vacinação está mais lento do que nas nações desenvolvidas. Mas a medida vale inclusive para as pessoas completamente vacinadas contra a Covid-19. "Mesmo com a gente 100% imunizado e com outras vacinas além da CoronaVac, eles ainda estão com essa barreira. A gente enxerga isso como um racismo, porque outros países que estão com a mesma vacina, do mesmo fabricante, não estão precisando fazer essa quarentena”, critica Paulo Ricardo de Brito Santos, coordenador de Mudanças Climáticas do Engajamundo. Diante da pressão, o governo britânico se ofereceu para pagar os custos do isolamento em hotel dos participantes da lista vermelha: cinco dias para os imunizados e 10 dias para os que ainda não tiverem tomado a vacina. Mas Paulo esclarece que, a pouco mais de 30 dias da conferência, não há informações sobre de que maneira esse financiamento será liberado. Da mesma forma, a promessa de imunizantes gratuitos para os participantes do evento ainda não se concretizou. Viagem em libras, com real desvalorizado A estimativa das organizações é de que o período mais curto de isolamento não sairia por menos de 2 mil libras por pessoa, o equivalente a R$ 14,5 mil. O valor extrapola o orçamento de muitas entidades, para as quais a viagem já representa um esforço financeiro considerável. Daniel Holanda, ativista da Fridays for Future Brasil, avalia que essa restrição visa afastar os países do sul das discussões da COP26. "Em todas as conferências que eu conheço, eles sempre tentam fazer o apagamento das minorias e que estão na linha de frente das mudanças climáticas, principalmente Brasil, países latino-americanos, da África, que são os mais pobres do mundo”, afirma. Para driblar as dificuldades, as organizações promovem campanhas de financiamento coletivo e buscam ajuda de empresários e personalidades para financiar os custos da viagem. Menos pressão? Tradicionalmente, a participação da sociedade civil no maior evento internacional sobre as mudanças climáticas representa um instrumento de pressão crucial sobre os governos, que debatem a portas fechadas os detalhes técnicos de um acordo global para limitar o aquecimento do planeta. No contexto atual, o temor é que a ausência das entidades deixe o caminho mais livre para a adoção de medidas menos ambiciosas face à crise climática. "Eu acho bastante grave porque estamos lidando com o futuro de milhares de pessoas. Negociar o futuro dos jovens sendo que eles não estão lá é muito grave. As pessoas engravatadas, mais velhas, talvez não estejam daqui a 30 ou 40 anos para ver as consequências dessas decisões que eles tiveram”, indica Daniel Holanda. "Mas nós que temos 19, 15, 12 anos, vamos estar daqui a 40 ou 50 anos, recebendo as consequências das medidas que são tomadas hoje em dia.” No caso específico do Brasil, Paulo Santos relembra ainda que, desde a posse de Jair Bolsonaro, o acesso dos ativistas às COPs enfrenta uma barreira a mais: o governo cortou o credenciamento oficial da sociedade civil para o evento. Agora, é preciso buscar apoio junto a grandes entidades internacionais para viabilizar a participação – um caminho tortuoso para as organizações de menor porte. "Até então, quem cedia essas credenciais era o Itamaraty, mas com a entrada do governo do Bolsonaro, eles não estão mais dando [as credenciais], para a sociedade civil participar desses espaços de tomada de decisão. Qualquer ONG que queira ir através do governo para fazer parte da delegação brasileira, não consegue mais”, ressalta o ativista da Engajamundo. Face ao que consideram uma injustiça e um evento não-democrático, cerca de 1.500 organizações não governamentais pediram, no início de setembro, o adiamento da conferência internacional. A reunião já deveria ter ocorrido em 2020, mas foi postergada para este ano pela crise sanitária. O governo britânico e as Nações Unidas rejeitaram o apelo das ONGs, alegando que a crise climática não pode esperar mais um ano.
    9/23/2021
    6:46
  • Planeta verde - Pesquisa mostra impacto da “ansiedade climática” nos jovens, que culpam governos por "traição"
    Um estudo promovido por pesquisadores britânicos em 10 países revelou o peso psicológico da degradação ambiental em adolescentes e jovens. A pesquisa ouviu 10 mil pessoas, inclusive no Brasil, e apontou o quanto a falta de ação dos governos para enfrentar a crise climática acentua o sentimento de ansiedade e preocupação nas novas gerações. O estudo se apresenta como o maior já realizado sobre o tema e será publicado na revista científica Lancet Planetary Health, por pesquisadores da universidade de Bath, do Centro de Inovação em Medicina Stanford, a Fundação Saúde NHS de Oxford, entre outros. "A ansiedade climática não é uma doença mental. É uma resposta racional ao estresse psicológico da realidade das mudanças climáticas, e um tal nível de estresse pode provavelmente acabar impactando na saúde mental”, explica a psicóloga Elizabeth Marks, uma das autoras principais da pesquisa. "Quando perguntamos para eles como eles pensam o futuro das mudanças climáticas, eles descrevem um mundo cheio de oportunidades perdidas, assustador e inseguro.” "Por que viver num mundo que não se importa com as crianças?” Foram ouvidas pessoas de 16 a 25 anos, nos seguintes países: Reino Unido, Finlândia, França, Portugal, Estados Unidos, Austrália, Índia, Filipinas, Nigéria e Brasil. A pesquisa constatou que o sofrimento psicológico causado pela crise climática está “significantemente relacionado” com a falta de ação dos governos – ou seja, a angústia das crianças e jovens aumenta na medida em que os países se recusam a tomar medidas mais ambiciosas para conter o aquecimento do planeta. No total, 58% dos entrevistados disseram ter a sensação de estarem sendo “traídos" pelos seus governos e 61% acham que os governantes não estão protegendo a atual juventude, o planeta e as futuras gerações. Os que vivem nos países do sul, como Brasil e Filipinas, se mostram ainda mais angustiados com o problema. “Nós não sabíamos o quanto eles estão apavorados. Uma criança disse para mim: eu estou com medo de respirar o ar fora da minha casa. Quando iniciamos a pesquisa, sabíamos que a vida cotidiana deles estava sendo afetada por isso, mas não sabíamos o quanto estava abalando a alimentação, o sono, o estudo e as brincadeiras”, afirma a psicoterapeuta Caroline Hickman, a segunda autora principal. "E o que não sabíamos é o quanto esses sentimentos estão correlacionados com a ação ou a inação dos governos. Um adolescente britânico me disse: por que eu deveria querer viver num mundo que não se importa com as crianças, nem os animais?" Jovens sem planos de ter filhos Concretamente, o que a comunidade internacional espera atenuar hoje são as consequências dramáticas no clima previstas pelos cientistas para até o fim deste século. É por isso que um dos efeitos mais práticos desta angústia é o abandono dos planos de ter filhos. A brasiliense Valentina Ruas, de 18 anos, é uma dessas jovens que, a princípio, abrirá mão da maternidade. “Eu já não penso em ter filhos. É claro que o futuro é muito incerto, mas toda a vez que eu vejo notícias, artigos, eu penso que não quero pôr uma pessoa no mundo se eu não sei quão incerto esse futuro será. Se já é incerto para mim, imagina para as próximas gerações”, indica a jovem. O estudo concluiu que quase a metade dos entrevistados, 45%, afirmou que os pensamentos negativos em relação às mudanças climáticas afetam o seu cotidiano e 59% se disseram “muito" ou “extremamente" preocupados com a questão. A chamada “ansiedade climática” inclui sentimentos como medo, raiva, rancor, culpa e vergonha, mas também esperança. Valentina tem preferido olhar o problema sob esta perspectiva – e por isso decidiu agir, se engajando no movimento internacional Fridays for Future, fundado por jovens como a sueca Greta Thumberg. "Quando você se junta a um movimento e vê pessoas do seu lado trabalhando para que aquilo não aconteça, é uma coisa que te anima no sentido de dar uma esperança. Ajuda. É muito difícil pensar em algo concreto porque é muito incerto”, insiste. "A gente sabe que se nada for feito contra a crise climática, vai ser muito ruim, mas o quanto será ruim, eu de fato não sei. Então eu tento canalizar esse pensamento para fazer algo que evite esse cenário.” O estudo é lançado a menos de dois meses da próxima Conferência do Clima da ONU, a COP26, que acontecerá em novembro em Glasgow, na Escócia. O evento, que estava previsto para ser realizado em 2020, foi adiado devido à crise sanitária.
    9/14/2021
    7:47
  • Planeta verde - Sediado na França, Congresso da Natureza pressiona Brasil a preservar a Amazônia
    O encontro internacional mais importante para debater a situação da biodiversidade no planeta pressiona o Brasil a preservar a Amazônia, lar de uma fauna inigualável no mundo. O Ministério do Meio Ambiente, entretanto, não enviou representantes para o Congresso Mundial da Natureza, que acontece em Marselha (sul). Lúcia Müzell, da RFI O evento ocorre a cada quatro anos e estava previsto para 2020, mas foi adiado por conta da pandemia de coronavírus. Brasília enviou um diplomata da sua embaixada na capital francesa para acompanhar o congresso, no sul. Na cerimônia de abertura, o presidente francês, Emmanuel Macron, discursou instantes depois de o fotógrafo Sebastião Salgado clamar pela proteção da maior floresta tropical da Terra. Macron ressaltou a determinação de Paris em encerrar o chamado desmatamento importado – quando a compra de produtos agrícolas por um país gera devastação no país produtor e exportador. "A França foi um dos primeiros países a propor uma estratégia de combate ao desmatamento importado. Ela se tornou lei e queremos acelerar para que, em nível europeu, tenhamos uma estratégia clara e forte contra o desmatamento importado”, explicou Macron. "Isso significa não comprar mais soja ou proteínas quando elas levam ao desmatamento, especialmente na Amazônia”, complementou. Impacto econômico do desmatamento O presidente francês voltou a afirmar que, por razões ambientais, não aceitará o acordo comercial assinado entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado pretende livrar de taxas as importações do Brasil – compostas essencialmente por matérias-primas, mas cuja procedência é cada vez mais questionada pelos europeus, inclusive as multinacionais. Macron tem insistido na ideia de soberania proteica da França, outro tópico que ele destacou no congresso da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN). "Isso tem um impacto muito grande na economia brasileira. Não estamos só falando de uma questão ambiental, e sim para os que comercializam a soja, que terão um impacto grande do que está sendo discutido aqui”, disse Roberto Palmieri, gerente de projetos do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), em entrevista à RFI. Ele lidera a comitiva sul-americana da sociedade civil no evento. "A cultura da soja tem se ampliado nos últimos anos. Mas é possível se pensar numa produção de soja e de carne, se pensamos nas culturas mais polêmicas, bem mais sustentável”, garante Palmieri. De quarta a sexta-feira, os membros do IUCN, vindos de 160 países, deliberam sobre como evitar um declínio ainda maior da biodiversidade mundial. Um relatório divulgado esta semana pela instituição demonstrou que 28% das espécies catalogadas correm risco de extinção. Temas como o uso de agrotóxicos, a poluição de plásticos nos oceanos e a degradação dos solos pela agricultura são amplamente abordados, e resultarão em uma série de recomendações, ao final do evento. "Alguns governos se pautam muito por essas moções, e o governo brasileiro historicamente tinha participações, mas não se assumia como membro da IUCN. Agora, o que aconteceu com o governo atual foi realmente ignorar esse congresso. Num encontro mundial, com tantos países, o Brasil foi o país mais citado na abertura”, observa o gerente do Imaflora. Constrangimento internacional O desmatamento ilegal e outras práticas irregulares em áreas protegidas são o calcanhar de Aquiles do Brasil na área ambiental. Presentes no congresso, grupos indígenas latino-americanos pediram que a preservação de 80% da Amazônia até 2025, com redução drástica do desmatamento e do garimpo, seja uma das moções aprovadas pelos países participantes. Neste ano, pela primeira vez, os indígenas obtiveram uma condição especial neste congresso, com direito a se pronunciar oficialmente, embora não tenham direito a voto. A aprovação da moção não gera nenhuma obrigação aos países, frisa Palmieri. "O que ela tem é um impacto político, de dizer que um congresso mundial com todos os países chegou àquela recomendação. Há uma concordância, são dez dias aqui discutindo, debatendo. Não é algo isolado só dos grupos indígenas”, detalha. "Gera um constrangimento. A IUCN tem a obrigação de endereçar uma carta a quem cabe, então certamente será endereçada ao governo brasileiro. Ele pode ignorar? Pode, mas é algo que desgasta a relação com outros países que estão aqui e com a própria França, que sedia a IUCN."
    9/9/2021
    6:31
  • Planeta verde - Deslocamentos provocados por desastres do clima são quase o dobro dos causados por conflitos
    Mais de 20 milhões de pessoas são obrigadas a deixar suas casas todos os anos em decorrência de desastres provocados pelas mudanças climáticas, segundo a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR). Relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em agosto deste ano, revela que o aquecimento global é pior e mais rápido do que se temia, com riscos de desastres "sem precedentes" para a humanidade. “A mudança climática é real e as atividades humanas são sua principal causa”, diz Fernando Godinho, oficial de comunicação e porta-voz do ACNUR no Brasil. Ele acrescenta que a emergência climática é a crise que podemos chamar de definidora do nosso tempo, e que os deslocamentos forçados são uma de suas principais consequências. “Populações inteiras no mundo hoje já sofrem os impactos da crise climática, entretanto pessoas em situação de vulnerabilidade, vivendo em países mais frágeis e afetados por conflitos, são afetadas de maneira desproporcional. Muitas das pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas, estão na linha de frente da emergência climática, vivem em pontos críticos, sem recursos para se adaptar a um ambiente cada vez mais hostil”, diz Godinho. Segundo o porta-voz do ACNUR, os deslocamentos provocados pelas mudanças climáticas são quase o dobro dos causados por conflitos e violência. Secas e enchentes El Salvador, Guatemala, Honduras, Costa Rica e Panamá são países na América Central que estão bastante sujeitos a secas e chuvas torrenciais, o que coloca as populações em risco. Já na região do Sahel e na Somália, no continente arfricano, os habitantes estão vivenciando longos períodos de seca, o que provoca insegurança alimentar e deslocamento crescente.  Alyona Synenko, porta-voz regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na África, explica que as pessoas vivendo em países afetados por conflitos ou violência estão mais vulneráveis aos efeitos dos choques climáticos.  “Então, por exemplo, se tomarmos o Sul do Sudão ou a Somália, onde as pessoas sofreram deslocamentos múltiplos e muitas vezes perderam sua fonte de renda, é mais difícil para elas estarem preparadas e devidamente equipadas para o impacto de enchentes ou secas”, disse.  Os países afetados por conflitos e violência também estão menos equipados para apoiar a população quando os desastres climáticos acontecem. Por isso, organizações como a Cruz Vermelha trabalham para entender os impactos das mudanças climáticas na vida de pessoas que vivem nessas regiões, além de procurar alternativas para construir resiliência, como melhor resistência a secas e formas alternativas de agricultura. Segundo Synenko, uma coisa é certa: diante das já inevitáveis consequências das mudanças climáticas, é preciso melhor equipar os habitantes de regiões de risco para sobreviver a elas.
    8/26/2021
    5:58
  • Planeta verde - Preocupação com mudanças do clima começou no século 15, com Colombo, contam historiadores
    As negociações e acordos internacionais para combater as mudanças climáticas se iniciaram há apenas 40 anos, mas a preocupação do ser humano com o problema já tem mais de cinco séculos. A percepção no Ocidente de que a ação do homem poderia impactar o meio ambiente data desde a época dos descobrimentos e das colonizações, nos séculos 15 e 16. Essa história - rica em revelações científicas, mas também repleta de exploração e preconceito – é retraçada pelos historiadores franceses Jean-Baptiste Fressoz e Fabien Locher em Les révoltes du ciel, une histoire du changement climatique du XVème au XXème siècle ("As Revoltas do Céu, uma história da mudança climática do século 15 ao século 20", em tradução livre). Eles participaram do programa C’est Pas du Vent, da RFI, e contaram que Cristóvão Colombo pode ser apontado como o primeiro a refletir sobre o impacto da ação humana na condição climática de um território. Esse “estalo" ocorreu em meio à segunda expedição do navegador espanhol às Américas, em 1494. "Ele está na costa da Jamaica e sofre tempestades com trovões, fica muito impressionado pelo fenômeno, mas também intrigado. Ele pensa que aquela terra tem um ambiente perfeito, apesar do problema do excesso de umidade no verão, mas que quando os exploradores cortarem as árvores, como fizeram nas ilhas Canárias e na Madeira, colonizadas 50 anos antes pelos espanhóis e portugueses, eles terão o mesmo tipo de clima”, explica Jean-Baptiste Fressoz. "Essas ilhas foram, de certa forma, a primeira experiência de um choque ecológico”, diz o historiador especialista em ciências. Consequências de desmatar ou plantar árvores Naquele tempo, ninguém fazia a menor ideia do que significavam termos hoje banais, como gases de efeito estufa, CO2 e camada de ozônio. Mas o homem acabava de tomar consciência de que o desmatamento resultava na alteração no regime de chuvas de uma região. O reflorestamento, por outro lado, já era uma solução adotada para equilibrar o clima. No contexto das colonizações, esse conhecimento se transformou em um valioso instrumento de poder dos europeus sobre os colonizados. "Havia a ideia segundo a qual os colonizadores poderiam ajustar a temperatura do país àquela que melhor conviesse, cortando mais ou menos árvores. Outro aspecto que nos surpreendeu é que essa compreensão criou uma nova escala de civilização: uma hierarquia baseada sobre a ação climática”, observa o historiador ambiental Fabien Locher. "A ideia é que os europeus estavam no topo, já que tinham a capacidade de atuar sobre o clima e melhorá-lo, e que outras populações não sabiam como fazer isso – tipicamente, os índios das Américas. Ou, ainda pior, no Oriente Médio, os árabes, que não só não sabiam fazer, como ainda degradavam o clima, por serem incapazes de gerenciar a natureza”, complementa. Teoria de Buffon acelera a busca pela compreensão do clima Ou seja, nessa época a mudança do clima tinha um viés otimista, que ilustrava o suposto controle que o homem poderia exercer sobre a natureza. Até que o naturalista francês Georges-Louis Leclerc Buffon aparece com uma teoria assustadora: a de que a Terra estava se resfriando e poderia estar se direcionando para uma “morte térmica”. "Buffon diz que a morte é inevitável, mas ele acha que as sociedades europeias têm o poder de melhorar o clima para atrasar essa morte certa”, ressalta Locher. Essa percepção vai marcar o início da climatologia, no fim do século 18. Em pleno Iluminismo, a meta era buscar embasamento científico para poder antecipar e evitar as mudanças climáticas que poderiam ocorrer na Terra em um horizonte distante, de décadas ou séculos à frente. Iniciam-se, então, os estudos das geleiras e da vegetação nos topos das montanhas, que até hoje embasam os cientistas para medir a que ponto o planeta se degrada. Nesse contexto, uma gigantesca catástrofe natural acelerou a busca por respostas – a maior erupção vulcânica de todos os tempos, em 1815 na Indonésia, é associada ao frio atípico no verão europeu no ano seguinte. Emissões geradas pelo homem "Houve todos os tipos de teorias que foram apresentadas, mas o essencial do debate foi sobre as causas antrópicas, ou seja, humanas. Será que desmatamos demais no passado?”, questiona Fressoz. "Na França, o debate foi: o que a revolução fez com as nossas florestas? E aí vimos a dimensão política se misturando ao assunto, pela primeira vez. O discurso dos monarquistas foi de que a Revolução Francesa foi devastadora para as florestas do país e, portanto, para o clima”, comenta. Nesse mesmo período, uma outra revolução marcou a história da climatologia: a industrial. Ocultada pelo desenvolvimento da indústria, a preocupação climática ficou para segundo plano. Enquanto isso, as emissões em massa de gases de efeito estufa pelos transportes e as máquinas geraram, pouco a pouco, a crise climática que o mundo enfrenta agora. Apesar dos esforços dos cientistas, eles só conseguiram provar que a ação do homem era determinante em mudanças irreversíveis no clima da Terra no início do século 21.
    8/19/2021
    7:19

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