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  • Batutas em Paris: a turnê europeia que mudou a música brasileira e foi alvo de racismo em 1922
    Em fevereiro de 1922, sete músicos brasileiros desembarcavam no porto de Bordeaux, sudoeste da França. O destino do grupo era Paris, a badalada capital francesa que vivia seus anos mais loucos após o final da Primeira Guerra Mundial. Pixinguinha, Donga, entre outros batutas, fizeram apresentações durante seis meses no que é considerada a primeira turnê europeia de um grupo de música popular brasileira. O evento, no entanto, não teve a mesma recepção no Brasil, onde a imprensa publicou críticas racistas de quem não aceitava a música popular tocada por negros como imagem da cultura de seu país. O sucesso dessa viagem, que completa cem anos ainda pouco conhecida, foi fundamental para o desenvolvimento do choro e do maxixe no Brasil, e mudou a carreira de Pixinguinha. A história começa no subsolo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde os bailes do Cabaré Assyrio eram animados pelo grupo Oito Batutas, que tinha entre seus músicos o jovem Pixinguinha e Donga. Com seus maxixes, choros e sambas, a banda conquistou a elite carioca. E chamou a atenção de um bailarino brasileiro que vivia na França, Antonio Lopes de Amorim Diniz, conhecido como Duque. “O Duque ficou encantando com o que ele ouviu. E o Duque valorizava muito a cultura brasileira, tanto que ele foi o grande divulgador do maxixe [nos bailes de Paris]”, explica Andrea Wanderley, editora do projeto Brasiliana Fotógrafica. Desse encontro, surge a ideia de levar o grupo para uma turnê na capital francesa, sedenta pelo exotismo na música e na dança e aberta às novas sonoridades. Para isso, Duque vai conseguir que o empresário Arnaldo Guinle, representante de uma das famílias mais ricas do Brasil à época, custeie a turnê, explica a pesquisadora do Instituto Moreira Salles. O grupo de sete músicos –após a desistência de seu baterista J. Tomás-- embarca no transatlântico Massília rumo à França, para uma turnê que deveria durar um mês no cabaré Shéherazade, em Paris. Sucesso na França, racismo na imprensa brasileira Com o sucesso na capital, a estadia do grupo é prolongada e eles se apresentam ao longo de seis meses em Paris. Em abril, as páginas do jornal Figaro anunciavam o show do grupo “Les Batutas”, “orquestra brasileira, original, extraordinária e de uma alegria endiabrada, única no mundo”. O interesse internacional pela música popular brasileira e pelo grupo dos Batutas não foi suficiente para que parte da imprensa no Brasil elogiasse a turnê. Ao contrário, o grupo foi alvo de textos racistas. “Houve uma gritaria espetacular não só na imprensa brasileira como no Congresso Nacional. “Como é que vamos ser representados por esses crioulos tocando essas músicas popularescas?””, lembra o produtor musical Didu Nogueira, criador do projeto “Baú do Donga”, que retoma a carreira do homem que inventou o samba. Pouco mais de trinta anos após a Abolição da Escravidão, parte da elite brasileira não aceitava ter a imagem nacional retratada na Cidade Luz por uma música que não escondia sua ascendência africana. Nas páginas do Diário de Pernambuco, um cronista escreve: “Não sei se a coisa é para rir ou para chorar. Seja como for, o boulevard vai se ocupar de nós. Não do Brasil de Arthur Napoleão, de Osvaldo Cruz, de Rui Barbosa, de Oliveira Lima, não do Brasil expoente, do Brasil elite, mas do Brasil pernóstico, negróide e ridículo e de que la chanson oportunamente tomará conta”. O texto resgatado por Andrea Wanderley em sua pesquisa mostra um racismo desavergonhado presente nos jornais da época. No entanto, a jornalista lembra que havia também artigos de defesa dos Batutas, mostrando uma disputa cultura que estava por trás da defesa da arte brasileira feita pela Semana de Arte Moderna de 1922. Paris e seu caldeirão cultural Tocando nos cabarés de Paris, os Batutas tiveram contato com outros tipos de música e, mais especificamente com diferentes bandas de jazz norte-americanas que animavam os Anos Loucos da cidade. “Neste período, o governo norte-americano patrocinava quatro bandas de jazz na cidade. Em uma das viagens do Arnaldo Guinle para Paris, ele levou Pixinguinha a um clube desse e, encantado pelo saxofone, pergunta se ele seria capaz de tocar aquele instrumento”, conta Nogueira. É nessa turnê que Pixinguinha ganha seu primeiro saxofone, instrumento que o acompanhará para a vida e será sua principal ferramenta no final da carreira. A influência dos meses em Paris será sentida na música brasileira, com a incorporação de novos instrumentos e sonoridades, explica o violonista Jorge Simas, diretor musical do espetáculo "Os Oito Batutas e os Outros Batutas". “Na volta dos Batutas para o Brasil, o saxofone, o banjo, que são instrumentos muito característicos do [jazz] Dixieland tocado pelas orquestras de foxtote daquela época começaram assimilar um sotaque da nossa música, e o Pixinguinha teve grande importância nisso”, afirma Simas. Ele destaca que as fotos do grupo Oito Batutas após a turnê mostram um grupo muito mais parecido com uma jazz band. “Há a presença de mais metais, e fizeram isso tocando música brasileira, em uma adaptação para o maxixe, para o samba e o para o choro.” Em um estudo sobre esse período, o antropólogo Rafael Menezes Bastos, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, conclui que “foi na Cidade Luz dos anos 20 do século passado - cidade mundial (capital cultural do mundo, para as elites brasileiras), sede de um universo de encontros musicais internacionais (e plurilocais) de grandes dimensões - que a musicalidade d'Os Batutas pôde se desenvolver na direção da invenção de uma brasilidade musical que somente na década seguinte seria consagrada”. Cem anos depois dessa turnê francesa, a viagem ainda é pouco conhecida. Neste ano, o espetáculo Oito Batutas e Outros Batutas, dirigido por Simas e produzido por Nogueira, relembrou nos palcos do Sesc de São Paulo parte da trajetória. O projeto, no entanto, segue em busca de outras oportunidades para ampliar o resgate dessa história.
    6/24/2022
    6:57
  • Exposição em Paris revela a força da diáspora judaica portuguesa no Brasil
    Em 1497, a comunidade judaica em Portugal foi batizada à força na fé católica. A perseguição deu início a um longo período de imigração forçada para estes "novos cristãos", que se intensificou com o estabelecimento da Inquisição portuguesa, em 1536. Mas essa diáspora marcou territórios e continentes por onde passou, interagindo como agente criador desse "Novo Mundo", como conta a exposição em Paris “Diáspora judaico-portuguesa: cristãos-novos, cripto-judeus, marranos e gente da Nação”. Do século 16 ao 18, a diáspora judaico-portuguesa esteve no centro das profundas transformações sócio-econômicas, religiosas e intelectuais do mundo europeu e participou do surgimento de uma "certa modernidade" no Ocidente. Mas que ameaça os judeus representavam para o poder e a sociedade portuguesa no final do século XV, a ponto de serem perseguidos e fugirem numa diáspora global? “Na verdade, os judeus não representavam nenhuma ameaça para a Coroa portuguesa, muito pelo contrário", explica Livia Parnes, historiadora especializada na história judaica e curadora da exposição “Diáspora judaico-portuguesa: cristãos-novos, cripto-judeus, marranos e gente da Nação”, em cartaz na subprefeitura do 3° distrito da capital francesa. "A Coroa portuguesa, desde a fundação de sua monarquia, foi estabelecida a partir da integração de judeus em Portugal; podemos dizer que tudo que era administração da Coroa ou finanças recaía sobre os judeus, dos quais havia dinastias inteiras que coletavam impostos para o Rei”, diz Parnes. Segundo ela, o problema “começa em Portugal, alguns anos após a expulsão dos judeus da Espanha”. “Depois de 1492, muitos judeus espanhóis se refugiam em Portugal, especialmente os mais ricos. Os que ficavam se tornavam escravos", relata a historiadora. "Mas o grande problema começa em 1496 quando o Rei português contrai um contrato de casamento com a filha dos reis católicos da Espanha. Uma das cláusulas dessa união era expulsar os judeus. Um decreto de “pureza do sangue” destinado a essa expulsão é então emitido em Portugal. Como cerca de 10% da população portuguesa era judia, e a economia portuguesa dependia de uma certa classe de judeus portugueses, o Rei decide suprimir a existência do judaísmo, sem expulsar os judeus”, diz. A solução foi então a conversão forçada de todos os judeus de Portugal. Eles se tornarão os novos cristãos e poderão ter acesso a diversas profissões que eram proibidas aos judeus. A raiva e o preconceito anteriores contra os judeus, foram então acrescidos de uma inveja, conta a historiadora. “Haverá um massacre de judeus em Lisboa em 1506”, lembra Parnes. "Ao mesmo tempo, o que é extraordinário em Portugal é que o Rei queria que esses novos cristãos fossem assimilados à sociedade portuguesa. Eles proíbem o judaísmo oficialmente, mas permitem que vivenciem sua fé tranquilamente e secretamente em suas vidas privadas, praticando uma forma de judaísmo”, detalha a curadora da exposição, idealizada pela editora francesa Chandeigne, especializada em literatura de língua portuguesa na França. “Em 1536, começa a Inquisição em Portugal, e, neste momento, todos os novos cristãos, mesmo aqueles que já haviam perdido contato com o judaísmo, serão suspeitos de ‘judaizar’, de serem ‘cripto-judeus’, ou seja, de praticar o judaísmo em segredo, e então começam os três séculos de Inquisição e perseguições ferozes em Portugal, que serão depois estendidas às colônias portuguesas”, relata a historiadora.  Os "novos cristãos" no Brasil “Desde que os portugueses chegam ao Brasil para colonizar este vasto território, os ‘novos cristãos’, que já tinham experiência com a cultura da cana de açúcar, farão parte dos primeiros colonos que importarão essa cultura da ilha da Madeira para o Nordeste brasileiro, criando os famosos “engenhos”. Eles participarão de toda a produção e a comercialização da cana de açúcar, eles serão os grandes senhores dessa ‘indústria’, sendo, evidentemente e infelizmente, envolvidos no tráfico negreiro. Uma grande quantidade de escravos era necessária para fazer funcionar os engenhos de cana de açúcar”, conta Livia Parnes. O Brasil parecia, a princípio, o local ideal para se fugir da terrível Inquisição. “O que vai acontecer é que, no começo, no Brasil, eles estam longe da Inquisição, mas a Inquisição vai conseguir chegar até eles...", lembra a historiadora. "Haverá visitas da Igreja Católica no país que vai deixá-los inquietos e que vai levá-los a Lisboa para serem julgados. No século 17, em 1630, serão os holandeses com a Companhia das Índias Ocidentais que vão conquistar o Nordeste brasileiro, criando um momento de descanso e alívio para esses novos cristãos, que poderão retornar ao Judaismo. É dessa época que data a fundação da primeira sinagoga no continente americano, em Recife, na ‘rua dos Judeus’, que antes era a rua do Bom Jesus”, relata.   No Brasil, a calmaria durou pouco, cerca de 25 anos. “Com o retorno dos portugueses ao Brasil, haverá um novo êxodo, um novo período de perseguições que vai durar até o século 18. Mas entre esses novos cristãos, que voltaram a ser judeus e que serão obrigados a partir do Brasil, alguns irão à chamada ‘Nova Amsterdã’, que se tornará posteriormente a cidade de Nova York. A primeira comunidade judaica do continente americano, é, portanto, uma comunidade de judeus vindos do Brasil”, conclui a curadora. A exposição “Diáspora judaico-portuguesa: cristãos-novos, cripto-judeus, marranos e gente da Nação (séculos XV-XXI)” fica em cartaz em Paris dentro da programação do Festival de Culturas Judaicas até o dia 4 de julho de 2022.
    6/17/2022
    6:41
  • Teatro Zoukak renasce das cinzas após ser destruído pelas explosões do porto de Beirute
    Nem todo mundo sabe, mas o animal que simboliza a capital libanesa é a mítica Fênix, metade pássaro, metade dragão, que, desde o culto ao Sol no Egito antigo, faz referência à capacidade de se reconstruir de suas próprias cinzas. Nenhuma outra descrição se aproximaria melhor do que encarna hoje o célebre Teatro Zoukak em Beirute. Literalmente reduzido a pó após a dupla explosão no porto, ele agora volta a acolher novas criações em sua nova sede, um trabalho que começou em 2006 com refugiados. Márcia Bechara, enviada especial da RFI ao Líbano "Qual é o país no qual queremos viver", e não "qual é o país do qual queremos fugir", essa é uma das questões essenciais do Teatro Zoukak, que há mais de 15 anos trabalha com refugiados, traumatismos de guerras, grupos de vulnerabilidade social no Líbano, misturando clássicos da dramaturgia universal a suas próprias criações. "Ficar" ou "fugir" parece ser mesmo uma das questões essenciais do Líbano contemporâneo, como relatou à RFI o diretor do teatro, e um de seus fundadores, Omar Abi Azar, em Beirute. Para pensarmos juntos qual é o país onde queremos viver, e não aquele do qual queremos ir embora... "Hoje, como o resultado das eleições [legislativas, no Líbano] começam a nos mostrar, esse lugar vai ser reinaugurado nas próximas semanas como um recomeço, certamente sobre ruínas, mas também sobre a derrota simbólica e prática da máfia governamental libanesa", afirma o diretor. "Os primeiros resultados nos dão coragem para continuar, retomar as atividades, dar apoio aos jovens e realizar nossas próprias criações; para pensarmos juntos qual é o país onde queremos viver, e não aquele do qual queremos ir embora", diz Abi Azar. O Teatro Zoukak fica no bairro Karantina (quarentena), a leste do porto de Beirute, uma região que recebeu seu nome da quarentena imposta aos viajantes que chegavam à capital libanesa e que tinham que se confinar em um forte durante a peste, no século 19. Além disso, o "massacre de Karantina", como ficou conhecido a matança de cristãos no local, é um dos episódios mais dramáticos da guerra civil libanesa.  Trata-se de um lugar que quer lutar contra a amnésia "Com o arquiteto e a equipe da reforma, chegamos à conclusão que queríamos mudar tudo, mas sem apagar as ‘cicatrizes’ dessa explosão", afirma Abi Azar. "Para que, de alguma forma, não nos esqueçamos que esta explosão aconteceu, porque esta amnésia é a fonte de todos os problemas atuais. Como se trata de um lugar de cultura, de reflexão, trata-se também de um lugar que quer lutar contra a amnésia, e criar um novo discurso para o amanhã", diz, esperançoso, no meio do caos da reforma na sede do Zoukak. O novo estúdio do teatro Zoukak, que havia acabado de ser concluído em 2019 na vizinhança, foi completamente destruído em 4 de agosto de 2020, com as explosões no porto de Beirute. Os artistas estavam ensaiando no local 10 minutos antes da explosão, de acordo com Omar Abi Azar. O diretor e os atores testemunharam as explosões em um café próximo, cujo teto caiu com a força das explosões. Agora eles estão terminando o trabalho de reconstrução do local, como conta Abi Azar.  Levamos três anos para juntar nossas forças e reunir os fundos necessários para ter o desejo de recomeçar neste país em queda livre "Tínhamos um pequeno estúdio em 2008 e foi apenas em 2017 que conseguimos abrir esta sede aqui. Foram anos até que este lugar acontecesse na cidade, e apenas num piscar de olhos, no 4 de agosto de 2020, o trabalho de 15 anos desapareceu. Foi apenas mais um absurdo pela qual o país passava", avalia o diretor. "Levamos três anos para juntar nossas forças e reunir os fundos necessários para ter o desejo de recomeçar neste país em queda livre. Mas, espelhando o resultado das eleições, vamos reinaugurar o teatro abrindo uma nova era, certamente sobre as ruínas, mas também sobre a derrota simbólica e concreta da máfia governamental. O resultado dessas eleições nos dá coragem para continuar", diz.  O Zoukak vem trabalhando desde 2006 com refugiados de guerra e populações traumatizadas por conflitos e violência. Em 2013, os artistas libaneses do Zoukak se mudaram para a Europa (Áustria, Alemanha e depois Calais, na França) para trabalhar com a onda de refugiados da Síria e de outros países. Suas criações são exibidas em vários teatros europeus.  "Começamos a trabalhar em 2006 em nossa primeira criação, e aconteceram os ataques israelenses sobre o Líbano", lembra Omar Abi Azar. "Confrontados com a realidade, ao invés de dizer que nossos sonhos iriam se evaporar, decidimos ir para os campos e escolas para onde se dirigiram os refugiados que vinham do sul, e começamos a fazer teatro com as crianças, os jovens, as mulheres, os mais velhos. Essa se tornou nossa base de trabalho, fazer intervenções de teatro em situações de crise. E, sobretudo, começamos a encenar na Europa a partir de 2013 com os refugiados na Sérvia, na Alemanha e em Calais, esta é uma grande parte do nosso trabalho", relata o diretor.
    6/8/2022
    5:38
  • Exposição sobre Notre-Dame usa tecnologia da realidade aumentada para contar história da catedral
    De sua fundação medieval até o terrível incêndio de 2019, passando pela consagração de Napoleão e o casamento de Henrique IV, "Notre-Dame de Paris, a exposição em Realidade aumentada" é um verdadeiro mergulho em 850 anos da história de um dos principais monumentos da França. Ana Carolina Peliz, da RFI Instalada no Collège des Bernardins, em Paris, a exposição interativa conjuga um cenário físico com a tecnologia da realidade aumentada, sobrepondo recursos virtuais sobre a história da catedral a elementos reais. Para que a mágica aconteça, um tablet chamado “histopad” é entregue para cada visitante na entrada da exposição. Ele permite escanear cada uma das 21 “portas do tempo”, que fazem parte do percurso da visita, espalhadas por 550 m2. Através de cliques nas imagens que aparecem na tela do tablet, o visitante pode ver a reconstituição de diversos períodos que contam a história de Notre-Dame de Paris, do século XII, quando foi construída, até sua atual reconstrução, após o incêndio de 2019. Bruno de Sa Moreira, CEO e co-fundador da startup francesa Histovery, que realizou a exposição, diz que a ideia é mostrar para as pessoas a evolução da catedral, mas também de aproximar o público do estado atual do monumento, que está fechado, e de seu processo de reconstrução. Portas do passado A primeira porta do passado que se abre leva o visitante diretamente ao incêndio de Notre-Dame. Entre sirenes e o barulho do fogo, o visitante pode assistir à luta dos bombeiros, que durou oito horas, na noite de 15 de abril de 2019. Mas a viagem no tempo tem outros momentos históricos, como a chegada das relíquias da paixão de cristo, sagradas para os católicos, — entre eles um pedaço da cruz e a coroa de espinhos de Jesus — trazidas para Notre-Dame por Luiz IX da França e conservadas na catedral até o incêndio. O visitante pode descobrir, por exemplo, que a fachada da igreja, na Idade média, era colorida. “Essa viagem no tempo permite entender melhor como se constrói uma catedral gótica na Idade média, com um ponto de vista universal. Falamos de arte, de arquitetura, explicamos o “savoir-faire”, os trabalhadores, tudo que foi preciso para fazer da Notre-Dame o que nós temos hoje”, explica. “O passeio pela história da catedral inclui todas as modificações, variações e evoluções que o monumento viveu em quase 900 anos”, diz Sa Moreira. “São momentos fortes da história da França que aconteceram na catedral e que podem ser revividos em imersão dentro dessas reconstruções que são feitas com uma imagem 3D”, diz. Realidade aumentada A startup tem 20 projetos de realidade aumentada em monumentos e museus. No caso de Notre-Dame, o trabalho de reconstituição foi feito por historiadores e as informações foram validadas por um comitê de especialistas da história da catedral. Bruno de Sa enumera as vantagens da tecnologia. “Primeiro você tem a imagem em uma tela muito maior que a de um smartfone e essa imagem tem um poder genial de chamar a atenção e aumentar a curiosidade do visitante. Além disso, tem a interatividade”. A exposição já recebeu quase 30 mil visitantes desde sua abertura em abril. Para o idealizador do projeto, o segredo do sucesso da “nova mediação cultural” é que cada pessoa pode fazer sua própria visita. “Eu vou dentro desse conteúdo e escolho o que me interessa. Cada um aqui pode fazer uma visita bem pessoal, ainda que estejamos juntos, uma família, amigos, um grupo”, argumenta Bruno de Sa. Antes do incêndio, a empresa já estava negociando para desenvolver um historypad para a visita de Notre-Dame. Mas a tragédia mudou um pouco o rumo do projeto. “Sabíamos que depois da tragédia, Notre-Dame fecharia as portas durante anos para a reconstrução e foi assim que tivemos a ideia de fazer essa exposição, que vai viajar, e de levá-la ao mundo.” Com essa ideia eles encontraram a gigantes dos cosméticos L’Oréal, que aceitou patrocinar exclusivamente o projeto e tiveram o apoio do estabelecimento público que cuida da conservação e da restauração de Notre-Dame. Simultaneamente, a mesma exposição já está sendo exibida no National Museum de Washington, até setembro. Depois ela segue para Dresden na Alemanha, a partir de agosto. A turnê deve visitar 10 países e o Brasil poderia ser um deles. Exposição para todas as idades A visitante americana Natalie Powel, de Atlanta, na Georgia, privilegiou Paris e não se arrependeu. "É maravilhoso, muito melhor do que eu esperava”, disse após ver a exposição. Eu estou com meu filho de 10 anos e ele ficou envolvido durante quase uma hora. Eu acho que seria ótimo se tivéssemos mais coisas assim”, afirma.    Outro visitante, Dominique Labory, diz que a mostra está ao alcance de todos. “Vim com os meus sogros de 80 e 85 anos e agora vamos voltar com nossos filhos. É feito realmente para todos. Além de tudo, podemos sentar para olhar o tablet." Notre-Dame de Paris, a exposição em realidade aumentada fica no Collège des Bernardins até 17 de julho e a entrada é gratuita.
    6/3/2022
    9:40
  • Exposição “Floresta Mágica”, em Lille, propõe reflexão sobre crise ambiental através da arte
    Quem não guarda na memória uma referência à floresta, seja ela mágica, relaxante ou assustadora? O imaginário humano, a pintura, a escultura e o cinema estão cheios de alusões à nossa relação com as árvores. Esse é o ponto central da exposição “La Forêt Magique” (A Floresta Mágica), uma das mostras de arte contemporânea que acontecem em Lille, no norte da França, durante o festival Utopia. A RFI visitou o evento que se espalha por toda a cidade, para chamar a atenção para a crise climática. Maria Paula Carvalho, enviada especial a Lille Até o mês de outubro, quem for ao Palácio de Belas Artes de Lille vai se deparar com uma estrutura circular de 170m², no saguão principal do edifício que guarda coleções importantes, como telas do pintor holandês Rubens. Ao entrar na instalação, o visitante encontra grandes telas curvas, em que são exibidas imagens de paisagens. É possível ver o movimento das folhas, ouvir o som do vento e imaginar a sensação do ar passando entre os galhos das várias espécies. Intitulada “Pleasent Places”, a videoarte em 360° assinada pelo artista italiano Quayola mostra o que teria visto o pintor Vincent Van Gogh (1853-1890), ao retratar a natureza. As árvores tomam uma forma viva, abstrata e quase fantasmagórica nesta grande instalação que “evoca o lugar da floresta no nosso imaginário”, de acordo com Bruno Girveau, diretor do Palais de Beaux-Arts de Lille e um dos curadores. A obra é cercada de textos sobre o projeto do botânico francês Francis Hallé, autor de um manifesto “Por uma floresta primária na Europa do Oeste” (2021, éd. Actes Sud). Em 2018, ele criou uma associação com o seu nome para despertar o interesse das pessoas para o reflorestamento. “Não é algo complicado. É só não fazer nada. Parece bobo, mas o mais difícil para nós é não interferir”, disse em entrevista à RFI Brasil. “O ser humano se autoproclamou responsável do universo. Somos nós que sabemos e a floresta não sabe nada. Somos nós que temos que melhorar a sua performance. Isso não dará certo!”, exclama. “Antes de o homem estar aqui, o continente europeu era inteiramente coberto de florestas primárias. Mas elas foram destruídas”, destaca. “Eu não digo de forma selvagem, pois me coloco no lugar de nossos ancestrais que precisavam de madeira e de terras agrícolas e por isso desmataram. Nós teríamos feito a mesma coisa. Mas somente agora nos damos conta de que eles deveriam ter preservado um pouco, e não o fizeram”, lamenta. “Há florestas no planeta desde o período Devoniano, há mais 500 milhões de anos elas viviam bem e nós não estávamos lá. Desde que o ser humano se interessou pela floresta, ela não parou de diminuir. Veja o que acontece na Amazônia brasileira, mas não só, também na Austrália, na Polônia. Não! O ser humano não é responsável pela floresta. Quanto menos ele se meter, melhor ela vai se comportar”, acredita Hallé. Exposição imersiva e sensorial Mas como os diferentes artistas representaram a floresta ao longo do tempo? Este é o propósito da exposição Floresta Mágica, que reúne cerca de 50 obras numa organização imersiva e sensorial. Percorrer suas salas é como viajar através do tempo e de outros mundos: Um Raio de Sol (1848), um óleo sobre tela do pintor francês Célestin Nanteuil, aparece ao lado de trechos do filme Avatar (2009), de James Cameron. A videoinstalação Albion, de Mat Collishaw (2017), é uma representação em laser de um carvalho centenário da Floresta de Sherwood, onde, segundo a lenda, viveu Robin Hood. Cécile Beau e Anna Prugne apresentam a obra “La Siouva”, formada por uma raiz aérea que se eleva do solo, desestabilizando a ideia de separação entre os mundos vegetal e animal. São pinturas, instalações monumentais, peças decorativas e trechos de filmes que ilustram o tema da floresta em diferentes aspectos: a árvore sagrada, as árvores que têm características próprias e se comunicam entre si, às vezes misteriosas e encantadas. Acima de tudo, a mostra evidencia os riscos de que elas desapareçam da face da Terra.   “Através de diferentes momentos históricos, é possível aumentar a sensibilidade para a questão climática e a preservação da floresta, sabendo que ela nos oferece a vida e nos dá oxigênio”, destaca Regis Cotantin, responsável de arte contemporânea no Palácio de Belas Artes de Lille. “Todos os artistas presentes, pintores e escultores, antigos, modernos e contemporâneos mostram que ela tem uma linguagem e temos que considerá-la como um ser vivo, com o qual temos de ter uma relação de respeito”, afirma. “Combinar a arte antiga com a arte contemporânea é uma maneira de ver que o homem, às vezes, é um espelho das árvores. Existe essa ideia da verticalidade, de crescer, mas também da árvore que busca o fundo com suas raízes e depois se levanta, como a ideia de se elevar espiritualmente. E a longevidade, a autonomia, entramos em relação com ela como seres vivos”, finaliza.
    5/27/2022
    7:13

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