Partner im RedaktionsNetzwerk Deutschland

CULTURA

Podcast CULTURA
Podcast CULTURA

CULTURA

ajouter

Épisodes disponibles

5 sur 22
  • Exposição parisiense promove diálogo entre obras de Krajcberg e Villa-Lobos
    Frans Krajcberg, o pioneiro na expressão das artes visuais como arma em defesa do meio ambiente. Heitor Villa-Lobos, o compositor que levou o ecletismo da cultura popular à erudição. Em comum, mais do que artistas autodidatas, plurais e autores de obras extremamente intensas, ambos traduzem em suas produções a paixão por um Brasil muitas vezes não visitado nem mesmo pelos próprios brasileiros. Por Andréia Gomes Durão, da RFI No ano em que se celebra o centenário da primeira viagem de Villa-Lobos a Paris, o Espaço Frans Krajcberg, no 15° distrito da capital francesa, promove o diálogo entre estes dois artistas que exaltaram em suas obras uma fascinação incansável pelo Brasil. “Essa data de 1923 marcou realmente o início da carreira dele como compositor. Claro, Villa-Lobos já tinha recebido um primeiro reconhecimento no Brasil, com a participação na Semana de Arte Moderna de 1922. Mas antes da viagem para a França, ele continuava muito pouco conhecido no próprio país. Foi realmente a conquista de Paris, a conquista da cidade luz, que deu asas a Villa-Lobos como compositor e como artista completo”, explica a historiadora Anaïs Fléchet, professora da Universidade Paris-Saclay. Autora de livros sobre Villa-Lobos e sobre a música brasileira, ela acredita que “a obra de Krajcberg, com suas ressonâncias amazônicas, tem toda uma relação com a paisagem musical de Villa-Lobos”. A exposição “Frans Krajcberg, o Militante” exibe o lado fotográfico deste artista que também transita entre pinturas, instalações e impressões. Mais que isso, reunindo obras de 1960 a 2000, a seleção trilha sua relação com o Brasil, do arrebatamento pela natureza ao engajamento para preservá-la. Imagens que denunciam, criticam e clamam por proteção, como um “grito” a que Krajcberg se empenhava em dar forma em suas obras. Filmes e arquivos ampliam a experiência em torno deste guardião artístico da natureza brasileira, exuberante e indefesa sob a ameaça desastrosa dos homens. A mostra revela tanto sua revolta quanto seu combate. Uma arte comprometida em sensibilizar o público à causa que norteou toda sua vida. Villa-Lobos e a rua Já o filme “Heitor Villa-Lobos, l’âme de Rio” (Heitor Villa-Lobos, a alma do Rio) mergulha o público no universo popular que formou este compositor único e absolutamente genial. “O filme é como um looping na verdade, por meio de choros e de conjuntos de rua. Começa pelos grupos de rua porque Villa-Lobos, quando criança, andava pelas ruas ouvindo esse tipo de música, e o filme também acaba nas ruas, na Feirinha de Laranjeiras, uma feira em uma praça do Rio de Janeiro”, descreve o diretor do documentário, Eric Darmon, que também é secretário-geral da Associação dos Amigos de Frans Krajcberg. Enquanto Villa-Lobos reinventa a música brasileira, à revelia de escolas tradicionais, Krajcberg vê no Brasil o país que ele escolheu, onde este artista “nasceu de novo”, em suas próprias palavras. Diferentes trajetórias movidas por um mesmo interesse. “É mais o Brasil na verdade. O amor pelo Brasil. Porque, para Krajcberg, o Brasil foi onde ele nasceu pela segunda vez. Depois do Holocausto, depois de todos os horrores que ele viu e viveu durante a Segunda Guerra Mundial, foi o Brasil que lhe deu de novo gosto pela vida. E Villa-Lobos em seu discurso também. Ele é muito brasileiro, muito apaixonado pelo Brasil, pelo coração do Brasil”, compara o diretor do filme. “Mas, ao final, a paleta de Krajcberg era a natureza, e Villa-Lobos, sua paleta era a rua”, continua Darmon. Militância Ambos eram apaixonados pelo Brasil e militantes. Villa-Lobos vive o embate pelo reconhecimento de sua própria carreira, brilhante mas trilhada à margem das renomadas academias. Krajcberg denuncia em suas imagens a urgência de salvar das chamas o país que ele ama. “Porque por meio da violência de suas fotos, da violência de sua obra, da violência de seus totens, há, enfim, uma poesia trágica, uma tragédia e, ao mesmo tempo, a beleza da tragédia. Isso é Krajcberg. E Villa-Lobos também, porque também há sofrimento. Villa-Lobos sofreu. Ele sofreu porque não era reconhecido. Estranhamente, é um homem que lutou muito, até os anos 1930, para ser reconhecido”, conclui o cineasta. Tanto empenho garantiu um reconhecimento inquestionável do compositor no cenário musical em todo o mundo. O quinteto Concert Impromptu, que preenche de música este grande encontro entre os dois artistas brasileiros, acaba de lançar o álbum Opus 2, sua segunda antologia em torno das obras de Villa-Lobos para instrumentos de sopro. “Villa-Lobos é a figura carismática da liberdade e da música, da essência musical que tanto amamos. Ele sozinho representa um músico sem igual. Autodidata, ele é também o sincretismo, a mistura de toda essa rica cultura brasileira”, revela Violaine Dufes, diretora artística do grupo. “Krajcberg também é uma figura do Brasil, muito especial na arte contemporânea, que transmite uma mensagem universal e humanista, como Villa-Lobos”, completa Violaine. A exposição “Frans Krajcberg, o Militante” pode ser visitada até 22 de abril. O Espaço Frans Krajcberg Centre D'Art Contemporain Art & Nature fica no Chemin du Montparnasse, 21 avenue du Maine. A entrada é gratuita.
    1/27/2023
    7:24
  • Artistas estrangeiros que influenciaram Paris no pós-guerra são tema de exposição na França
    É o fim da Segunda Grande Guerra e o início de um novo capítulo também na história da arte. À sombra dos anos de conflito, o mundo vive um renascimento cultural, animado por trocas estéticas e um grande fluxo de artistas em todas as direções. Paris é um dos epicentros dessa revolução de cores e formas. Por Andréia Gomes Durão, da RFI É isso que tenta traduzir a exposição Paris et Nulle Part Ailleurs (Paris e nenhum outro lugar), em exibição no Museu da Imigração, no 12° distrito da capital francesa. “Paris era um centro de efervescência excepcional. Para um artista estrangeiro, a Paris dos anos 1950 e 1960 tem um papel central para a criação artística de vanguarda”, destaca o curador da exposição, Jean-Paul Ameline. Eles vêm do Líbano, Marrocos, Romênia, Islândia, Japão, Cuba, Hungria, Senegal, de países da América-Latina, de toda a parte, para vivenciar, mas também transformar, o surgimento de novas visões artísticas, nos campos da abstração, da figuração e da arte cinética. “Havia cerca de 7 mil a 8 mil artistas estrangeiros presentes em Paris nesses anos do pós-guerra, o que é evidentemente enorme. Nós escolhemos 24 que são característicos de diferentes tipos de expressão neste momento. Não mostramos apenas pinturas e esculturas, mas também colagem de objetos, que são importantes, e instalações, porque Paris era também um lugar onde outros movimentos se desenvolviam”, acrescenta Jean-Paul Ameline. “Eu penso, por exemplo, no cinetismo, a arte do movimento, do deslocamento, uma ideia que é muito fortemente desenvolvida pelos artistas estrangeiros em Paris”, continua. Exílio A exposição narra a experiência do exílio, voluntário ou não, e a relação plural que se estabelece seja com o país de origem, seja com o país que passa a acolher esses artistas. “O exílio é voluntário, muito poucos partem porque são perseguidos em seus países. São escolhas de criação para desenvolverem seus trabalhos”, explica o curador. “Essa relação vai determinar o discurso de suas produções, como acontece, por exemplo, com o artista senegalês Iba N’Diaye. “Ele chega a Paris nos anos 1940, e ele se apaixona pela pintura clássica do Louvre, acreditando que a arte é universal e se limitar a uma arte tipicamente africana é cair no exotismo. Ele recusa o exotismo. Ele se engaja no Museu do Homem, no serviço de iconografia, utiliza temas africanos em sua pintura, mas é também uma arte impregnada de pinturas de Rembrandt, de Velasquez, e outros”, exemplifica Jean-Paul Ameline. “É a ideia de um artista que vai além de todas as fronteiras, um tipo de pioneiro que marca uma época importante, uma época de transformação da arte em Paris”, conclui o curador. França, terra de liberdade? Mas Paris et Nulle Part Ailleurs se propõe também a mostrar a pluralidade desses artistas muitas vezes interpretados de uma forma homogênea. Suas motivações para migrarem para Paris, como seus discursos serão pautados – ou não – pela experiência do exílio, a influência dos anos vividos em território francês, a construção de uma nova linguagem, mas também, algumas vezes, uma desconstrução de uma França idealizada como uma terra de asilo e liberdade. “Então esses artistas, que querem encontrar na França uma terra de liberdade, são também, às vezes, testemunha de situações de racismo, como Hervé Télémaque mostra tão bem em suas obras. Afinal, nós ainda estamos em uma França, nesses anos 1960 e 1970, que não está livre de preconceitos, de racismo, ou mesmo de um racismo ordinário, entre aspas, que esses artistas estrangeiros colocam muito bem em evidência em algumas de suas obras”, observa o historiador de arte Eric, enquanto visita a exposição. Mas ainda que a diversidade de experiências vividas por esses artistas possa muitas vezes parecer dissonante, em suas realizações, mas, também, decepções na capital francesa, o fato é que os anos passados em Paris no período pós-guerra serão para sempre uma marca indelével em suas produções. “No que diz respeito às feridas do passado, porque frequentemente esse é um exílio não desejado, obrigado pelo fracasso social e político, em Paris esse passado ganha uma outra cor, um outro olhar, uma outra tradução. Esses artistas são enriquecidos, se tornam mais doces, ou são ampliados pelo que descobrem aqui”, avalia a professora Michelle ao contemplar as obras. Paris et Nulle Part Ailleurs reúne obras de Shafic Abboud (Líbano), Eduardo Arroyo (Espanha), André Cadere (Romênia), Ahmed Cherkaoui (Marrocos), Carlos Cruz-Diez (Venezuela), Dado (Montenegro), Erró (Islândia), Tetsumi Kudo (Japão), Wifredo Lam (Cuba), Julio Le Parc (Argentina), Milvia Maglione (Itália), Roberto Matta (Chile), Joan Mitchell (Estados Unidos), Véra Molnar (Hungria), Iba N’Diaye (Senegal), Alicia Penalba (Argentina), Judit Reigl (Hungria), Antonio Seguí (Argentina), Jesús Rafael Soto (Venezuela), Daniel Spoerri (Romênia), Hervé Télémaque (Haiti), Victor Vasarely (Hungria), Maria Helena Vieira da Silva (Portugal) e Zao Wou-Ki (China). A exposição pode ser visitada até 22 de janeiro no Museu da Imigração, no Palais de la Porte Dorée.
    1/13/2023
    8:14
  • Cabaret, Asterix e Obelix e homenagens a Picasso prometem animar a agenda cultural francesa de 2023
    O ano novo revela também o início de uma agenda cultural trepidante para 2023 na França. Pablo Picasso e Marcel Proust serão lembrados em diversos projetos, pelos aniversários de morte. O mundo das artes visuais ainda terá exposições de Degas, Manet, Warhol e Basquiat. A dupla Asterix e Obelix volta às telas esse ano como um dos maiores lançamentos do cinema, enquanto os musicais animam a noite parisiense. Andréia Gomes Durão, da RFI Nas artes visuais, o mundo lembra os 50 anos da morte do mais francês dos espanhóis, o pintor Pablo Picasso. Além disso, a partir de março, o Museu d'Orsay promove um confronto da obra de Edgar Degas com a de Édouard Manet. Outro “duelo” ocupa a Fundação Louis Vuitton, a partir de abril, com uma centena de telas pintadas a quatro mãos pela dupla Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat. Enquanto essas mostras não começam, o público já pode visitar “Décadrage Colonial” (Desconstrução Colonial, em tradução livre), no Centro Pompidou, que explora uma densa história da representação do corpo negro. A exposição exibe fotos do próprio acervo do museu. As imagens mostram imagens pseudocientíficos, fantasias exóticas, erotização, e têm como ponto de partida a Exposição Colonial de 1931, em Paris, e as reações que o evento provocou. “É preciso lembrar que a exposição colonial era uma vitrine do império francês, com 8 milhões de visitantes. Uma produção ilustrada, visual, de produtos derivados, com os visitantes convidados a fazerem ‘a volta ao mundo’ em um único dia. E os [artistas] surrealistas, assim como os militantes coloniais da esquerda, se organizam para denunciar essa colonização que é principalmente econômica, mas, também, cultural”, explica Damarice Amao, assistente do gabinete de fotografia do Museu Nacional de Arte Moderna da França e que assina a curadoria da exposição. "Em busca do tempo perdido" Na literatura, 2023 também continua lembrando os cem anos da morte de Marcel Proust (em 22 de novembro de 1922) e a Biblioteca Nacional da França rende homenagem ao autor com uma exposição que evidencia, principalmente, o processo de produção e criação do escritor francês. “O que vai impressionar o público é até que ponto Proust trabalha: ele corrige, escreve à mão, escreve nas entrelinhas, cola papéis quando não tem mais espaço, assim como também faz decupagens para ir mais rápido no seu trabalho, porque ele sempre tinha medo de morrer antes de acabar. E foi o que aconteceu no final. É o trabalho de um homem que estava muito doente, e não é uma doença imaginária, ele realmente sofria de asma, o que não se podia tratar na época", revela Nathalie Mauriac Dyer, diretora de pesquisa do Instituto francês de Textos e Manuscritos Modernos e do Centro Nacional da Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês). Dyer acrescenta que "Ele [Proust] muito frequentemente tinha crises de asma, o que o impedia de trabalhar. Mas quando ele trabalhava, o fazia de uma forma hercúlea, de uma forma feroz”. Nomeada com o título de sua obra que se tornaria uma das mais importantes da literatura mundial, a exposição “Em busca do tempo perdido” é ambientada na estética da Belle Époque para inserir o visitante na atmosfera mundana vivida por Proust. Enquanto as editoras competem por lançamentos em torno do autor, histórias em quadrinhos, reedições de sua correspondência, múltiplos romances e ensaios ressuscitam o escritor e sua obra nas livrarias. Encontro de dois mundos Já os afeitos à arte mas também à história podem visitar a mostra “Splendeurs des oasis d’Ouzbékistan” (Esplendores dos oásis do Uzbequistão), que ocupa o Museu do Louvre. A exposição traz pinturas murais tiradas dos palácios dos príncipes, joias em ouro, alguns dos mais antigos exemplares conhecidos do Corão, estátuas de perfil grego ou influenciadas pelo budismo. O evento é uma viagem que atravessa sete séculos de história, passando pelas rotas da seda e por uma grande pluralidade de culturas. “A ideia central é o meio entre dois grandes polos, da história antiga até hoje, com a China a leste e o Mediterrâneo, com suas diferentes civilizações, a oeste. O que faz dessa região da Ásia Central um local de diferentes culturas, que liga também o sul e o norte, como o Cazaquistão atual e até mesmo a Sibéria”, conta Rocco Rante, arqueólogo do Departamento de Arte Islâmica do Louvre, que responde pela curadoria científica da mostra. A inauguração teve a presença do chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, e do presidente uzbeque, Chavkat Mirzioev. São quase 180 obras de valor inestimável e algumas nunca saíram desta ex-república soviética da Ásia Central, que se tornou essencial no jogo diplomático. Outra exposição, literalmente faraônica, poderá ser visitada a partir de abril, no grande salão de La Villette, que recebe a mostra “Ramsés”. Depois do sucesso de Tutancâmon, o público é convidado a mergulhar no coração do reino de um dos maiores construtores do antigo Egito. Serão mais de 180 peças originais, em que algumas nunca saíram do Egito. "Ramsés e o Ouro dos Faraós" tratá a Paris um tesouro de mais de 3 mil anos entre joias, máscaras reais, além de móveis dos túmulos inviolados da cidade de Tanis. A exposição também oferecerá uma experiência de realidade virtual para o visitante descobrir o templo de Abu Simbel e a tumba de Nefertari. Dos quadrinhos para as telas Dos museus para os cinemas, quem volta à grande tela é uma dupla velha conhecida do público francês. O filme “Asterix e Obelix: O Império do Meio”, dirigido por Guillaume Canet e com um orçamento colossal de € 65 milhões, estreia em fevereiro. Enquanto isso, outro herói das histórias em quadrinhos, Tintim, inspira “Le Parfum Vert” (O Perfume Verde), um filme de espionagem lúdico e engraçado do diretor Nicolas Pariser. “Eu me dei conta de que alguns desenhos de Tintim se pareciam muito com os filmes de Hitchcock, filmes contemporâneos, dos anos 30, se pareciam muito. Eu assisti tanto que, em um determinado momento, me dei conta de que deveria tentar fazer a mesma coisa, na França, hoje. E foi o que aconteceu: Voilà O Perfume Verde”, resume o cineasta.  Mas para quem prefere acreditar que Paris é sempre uma festa, como Hemingway, o mundo dos espetáculos também reserva surpresas. Depois de renunciar aos shows de dançarinas com plumas, o Lido de Paris passa a investir nos musicais. E para inaugurar esta nova fase da icônica casa de shows, nada mais glamuroso do que o clássico musical "Cabaret". O público assiste o espetáculo como se estivesse no Kit Kat Club, com direito a beber enquanto acompanha a performance. "Escolhemos essa forma artística, que consiste em abolir ‘a quarta parede’, quer dizer, o obstáculo entre o público e os artistas”, celebra o novo diretor artístico da casa, Jean-Luc Choplin, para quem "o mundo dos espetáculos nunca irá parar". Fiel à versão original, "Cabaret" remete o público à atmosfera de perigo da Berlim dos anos 1930, traduzida pelos filmes em preto e branco, explica Robert Carsen, que responde pela mise en scène do show: “Pensei nessa angústia que eu absolutamente queria levar para o palco, de lembrar as pessoas do perigo do avanço da extrema direita, da ideologia que levou, nessa época, a eventos absolutamente inimagináveis, e de se lembrar do perigo disso neste momento. Nós não estamos à salvo, na França, na Europa, no mundo inteiro. Nós vivemos um momento perigoso.” * Os entrevistados foram ouvidos pelos jornalistas da RFI Muriel Maalouf, Sophie Torlotin, Sébastien Jédor e Isabelle Chenu.
    1/6/2023
    7:29
  • Retrospectiva: em 2022, setor da cultura voltou a funcionar após dois anos de pandemia
    Em 2022, teatros, cinemas e festivais voltaram a funcionar a todo vapor, após dois anos sofrendo os impactos da pandemia de Covid-19. A crise do cinema, a morte do diretor francês Jean-Luc Godard e da cantora Gal Costa e os vários prêmios conquistados por cineastas brasileiros em festivais europeus estão entre os fatos que marcaram o mundo da cultura.  O cinema foi a atividade cultural mais abalada pelo Covid-19. O setor começou a perder espaço para as plataformas digitais durante a pandemia e o movimento continuou em 2022, tanto que, pela primeira vez, o Oscar foi concedido a uma produção feita por um serviço de streaming. Mas o que realmente entrou para a história da comedida e ensaiada cerimônia não foi a premiação de "No ritmo do coração", da Apple TV+, na categoria Melhor Filme, mas o polêmico tapa na cara dado por Will Smith em Chris Rock, que fez uma brincadeira sobre a mulher do ator, Jada Pinkett Smith.  Outra premiação americana de cinema que perdeu o brilho foi o Globo de Ouro. Sob acusação de corrupção, a festa foi boicotada. Ao invés do tapete vermelho repleto de celebridades sorrindo, a cerimônia descontraída que sempre marcou a premiação, promovida pela Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood, se reduziu a um evento fechado.  Cinema brasileiro brilhou Já o cinema brasileiro não perdeu tempo, aproveitou a relativa volta ao normal, saiu das fronteiras e brilhou nos festivais europeus.  Em Locarno, na Suíça, um dos mais importantes da Europa, o filme “Regra 34”, da cineasta Julia Murat, ganhou o prêmio principal, levando às telas o tema do prazer feminino.  Outro brasileiro, Carlos Segundo, ficou com o prêmio de melhor curta-metragem autoral por "Big Bang", no mesmo festival.  Já no Cinélatino de Toulouse, dedicado ao cinema latino-americano na França, foi a vez da cineasta Carolina Markowicz levar o Prêmio dos Distribuidores Europeus com o filme "Quando minha Vida". Na competição oficial, o primeiro longa-metragem do diretor pernambucano Fellipe Fernandes, "Rio Doce", recebeu o prêmio do Sindicato Francês da Crítica de Cinema.  Também foi em Toulouse que Gabriel Martins lançou seu filme "Marte Um", que vai representar o Brasil no Oscar no ano que vem. O cineasta disse à RFI que via o longa como "uma carta de amor aos brasileiros". Ainda entre os brasileiros premiados em Toulouse, estão o curta "Fantasma Neon", do diretor Leonardo Martinelli, e o filme "Deus me Livre", de Carlos Henrique de Oliveira e Luis Ansorena Hervés. "Fogaréu", longa de ficção da goiana Flávia Neves, com Bárbara Colen no elenco, venceu o prêmio de audiência no Festival de Berlim, e o curta  "Manhã de Domingo" recebeu o Urso de Prata, o segundo Prêmio do Júri oficial da Berlinale. Em Veneza, o brasileiro Pedro Harres levou o Grande Prêmio do Júri na seção paralela Venice Immersive, dedicada à Realidade Virtual, com o curta “From the main square".  Despedidas  Mas não só de prêmios viveu a sétima arte, que chorou a morte de um dos criadores da nouvelle vague. Jean Luc Godard morreu em setembro e deixou como legado filmes icônicos como “O Desprezo”, com Brigitte Bardot, “Week-end à francesa” e "Acossado".   Hollywood perdeu Sidney Poitier, primeiro ator negro a ganhar um Oscar, e o ator francês Gaspard Ulliel morreu aos 37 anos vítima de um acidente de esqui. O mundo da música perdeu Pablo Milanés, um dos maiores nomes do cancioneiro cubano e internacional, e também Gal Costa. A imprensa do mundo inteiro homenageou a artista, falecida em novembro. "Uma das maiores cantoras do mundo", "musa eterna da Tropicália", "uma carreira rica e densa", disseram os principais jornais europeus. "Essa cantora de carisma excepcional e voz cristalina marcou toda uma geração", resumiu o jornal francês Le Figaro.   Também foi destaque nos principais jornais americanos e europeus a morte da cantora e compositora Elza Soares, aos 91 anos. "Elza Soares ultrapassou as fronteiras da música brasileira", disse o New York Times.  Música e na literatura Em 2022, a cantora Anitta lançou disco e realizou uma turnê europeia durante um mês. A garota do Rio transformou o tradicional Festival de Jazz de Montreux em um baile funk, sacudiu o Rock in Rio de Lisboa, foi um dos destaques do festival de Roskilde, na Dinamarca, e se apresentou em duas versões do Lollapalooza, em Estocolmo e Paris, entre outros shows que marcaram o ano da cantora.  Mas foi Liniker que ganhou o prêmio de Melhor Album de Música Popular Brasileira por seu trabalho em Índigo Borboleta Anil, seu primeiro disco solo. Ela se tornou a primeira artista trans a ganhar um Grammy Latino.  Na literatura, uma vez mais o Nobel foi para a França, e para uma mulher, Annie Ernaux, a mestre da autobiografia impessoal que se transformou em ícone feminista.  No principal festival de histórias em quadrinho do mundo, o Festival de Angoulême, na França, o prêmio foi para o quadrinista e escritor brasileiro Marcello Quintanilla, pelo álbum "Escuta, Formosa Márcia".  Soft power Em 2022, o cancelamento de artistas pró-Putin e a solidariedade a ucranianos marcaram a "guerra cultural" na França, contra a invasão da Ucrânia pela Rússia. Da Ópera Nacional de Paris ao Festival de Avignon, instituições culturais francesas expressaram seu apoio "ao povo e aos artistas da Ucrânia".  Os ucranianos da banda Kalush Orchestra se consagraram vencedores do Eurovision — o maior concurso musical do mundo — com a canção "Stefania", Em uma das edições mais políticas deste evento tradicional. A conquista foi festejada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para quem a façanha simbolizava um presságio da vitória da Ucrânia também no campo de batalha.  Celebração O ano que passou também teve momentos de celebração. Gilberto Gil e a família decidiram em 2022 fazer uma turnê na Europa, lotando os lugares por onde passaram e levando o que o Brasil tem de melhor: a música, a alegria e o otimismo. Avô, filhos e netos no mesmo palco, celebrando a vida e o cantor, que fez 80 anos recentemente, como explicou Preta Gil em entrevista à RFI. Os 100 anos da Semana de Arte Moderna de 22 também foram celebrados. O movimento, que influenciou a arte em toda a América Latina, foi homenageado com uma série de exposições no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires e pelo Teatro Municipal de São Paulo, principal palco da manifestação que buscava romper com o conservadorismo da época. No próximo ano, o maior desafio da cultura brasileira será o de se reconstruir. O novo governo de Lula vai recriar o Ministério da Cultura, extinto durante os anos de Jair Bolsonaro. E, assim como no resto do mundo, será preciso atrair de volta o público às salas de cinema, teatro e exposições.
    12/30/2022
    13:17
  • "Faz escuro mas eu canto": obras da 34ª Bienal de São Paulo são expostas em Arles
    O centro cultural Luma Arles, no sul da França, inaugura nesta sexta-feira (16) a exposição itinerante “Faz escuro mas eu canto”, com obras da 34a Bienal de São Paulo, realizada em 2021. Até março, o público francês poderá conferir uma seleção de trabalhos - entre pinturas, fotografias, vídeos, experiências sonoras e instalações - deste que é um dos maiores eventos dos circuitos artísticos internacionais do mundo.  Daniella Franco, da RFI A mostra “Faz escuro mas eu canto” conta com 14 artistas de sete nacionalidades diferentes, autores de obras que fazem eco aos recentes acontecimentos políticos no Brasil, trazem à tona questões pós-colonialistas, ambientais e sobre os povos indígenas.  Em entrevista à RFI, Jacopo Crivelli Visconti, curador da 34ª. Bienal de São Paulo, falou sobre a decisão de levar a exposição itinerante para Arles, depois de ela ter passado por várias cidades brasileiras e Santiago, no Chile. "Esse é um encontro de um desejo institucional da Bienal de São Paulo, de ter as obras viajando, e um desejo, do ponto de vista curatorial, de mostrar como uma obra de arte ou uma exposição sempre quer dizer coisas diferentes, dependendo do contexto de onde ela é vista", explica. Essa é a primeira vez que uma exposição itinerante da Bienal de São Paulo é realizada na Europa. Para Jacopo, o público francês não terá dificuldade de imersão ou compreensão das obras.  "Acho que as temáticas serão compreendidas perfeitamente. Fizemos esse esforço já na própria concepção da Bienal de São Paulo: partir sempre de elementos ou episódios da história brasileira, mas para falar de questões absolutamente urgentes na maioria dos lugares do mundo, como a questão ecológica, por exemplo. Lutas pela justiça e pela igualdade racial ecoam de uma maneira muito forte no Brasil, mas na França também já há muito tempo", ressalta.  Reagir através da arte Algumas obras da série "Mata", da artista brasileira Alice Shintani, fazem parte dos trabalhos expostos em Arles. São guaches sobre papel baseados em elementos da flora e fauna amazônicas, todas com o fundo preto. Ela contou à RFI sobre o contexto em que essas pinturas foram produzidas.  "Esse trabalho foi realizado durante o confinamento, na pandemia, um momento angustiante para todo mundo e que coincidiu com o início do governo Bolsonaro. Estávamos vivendo todo aquele desmonte de políticais sociais e a forma como o governo estava lidando com a pandemia, negando vacina, além do crescente desmatamento. Tudo isso foi acontecendo ao mesmo tempo e gerou uma sensação de impotência. Não tínhamos como reagir, estávamos confinados dentro de casa", relembra.  A maneira que a artista encontrou para superar a frustração foi trabalhando. "Pensei: 'quer saber, vou pintar flores no papel com tinta guache', que foi o material mais prosaico que eu tinha em casa, pra reagir de alguma maneira. Foi uma forma muito íntima minha de tentar lidar com aquilo que eu estava sentindo naquele momento", completa.  “Faz escuro mas eu canto” também foi o tema da 34ª. Bienal de São Paulo, em homenagem a um verso do poeta Thiago de Mello, escrito durante a ditadura militar no Brasil. O poema posteriormente virou música, que foi interpretada po Nara Leão em 1966.  "Naquela época da ditadura militar, quando o poema foi escrito por Thiago de Mello, esse escuro era algo projetado para fora, diante da violência, das pessoas sendo mortas, desaparecidas, presas. Mas, atualizando para o momento presente, fiquei me questionando se escuro está realmente só do lado de fora. Porque hoje a gente aponta tanto para o outro, mas esquece de olhar para dentro de nós. E essa escuridão pode estar dentro da gente também", explica.  Ñamíriwi'í ou a Casa da Noite A artista e a ativista indígena Daiara Tukano terá uma obra exposta em Arles, Ñamíriwi'í ou a Casa da Noite, que faz referência às narrativas de criação do povo Tukano Yé'pá Mahsã. Segundo a tradição desta etnia, no início da humanidade existia apenas o dia e foi preciso procurar a noite, que estava guardada em uma caixa. Quando aberta, revelaram-se novos horizontes.  "Essa tela faz parte de uma série de pinturas que fala sobre as mirações do arco-íris, de todas as luzes, todas as cores que se iniciam por esse momento da escuridão. Talvez, no meio de todos os devaneios, um dos objetivos da noite, além do descanso, possa ser esse sonhar, a capacidade de atravessar mundos através de nossas visões, desde esse ponto de origem no escuro, de onde surge a luz", diz.  Para Daiara Tukano, poder participar da primeira mostra da Bienal de São Paulo na Europa "é uma alegria". A artista, que morou na França durante a infância, acredita que o público europeu pode se conectar à sua obra. "Mas compreender, não sei. Seria prepotência demais achar que qualquer um de nós possa compreender a potência da arte, a potência de nossas expressões", observa. Segundo ela, o caráter político da participação dos povos originários em eventos culturais e artísticos contemporâneos é de extrema importância. "Espero que ao menos possa surgir uma curiosidade do público europeu em relação aos debates e desafios que acompanham as presenças indígenas, não apenas sobre a luta por nossos territórios, que é a questão mais emergencial, mas também a compreensão que nossos territórios não são apenas um espaço físico; são também um espaço de pensamento, de filosofia, de visão e postura diante do mundo", conclui.   “Faz escuro mas eu canto” fica em cartaz no centro cultural Luma Arles até 5 de março de 2023.
    12/16/2022
    13:20

Radios similaires

À propos de CULTURA

Site web de la radio

Écoutez CULTURA, France Inter ou d'autres radios du monde entier - avec l'app de radio.fr

CULTURA

CULTURA

Téléchargez gratuitement et écoutez facilement la radio et les podcasts.

Google Play StoreApp Store

CULTURA: Radios du groupe