Partner im RedaktionsNetzwerk Deutschland

BRASIL-MUNDO

Podcast BRASIL-MUNDO
Podcast BRASIL-MUNDO

BRASIL-MUNDO

ajouter

Épisodes disponibles

5 sur 23
  • Em Londres, exposição com 40 fotografias mostra trajetória do futebol brasileiro
    Organizada pela Embaixada do Brasil na cidade, a exibição “The beauty of Brazilian Football” (A beleza do futebol brasileiro, em tradução livre) estará aberta ao público até o final da Copa do Mundo.  Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres O cartaz de abertura parece premonitório. É a imagem do gol de bicicleta do rei Pelé num amistoso entre Brasil e Bélgica no Maracanã, em 1965, ano em que a seleção brasileira ganhou de goleada: 5 a 0. O clique do fotógrafo paraibano Alberto Ferreira, nascido em 1932, rodou o mundo. A foto dele é a maior de todas na sala Brasil. Faz lembrar a imagem recente do capixaba Richarlison voando em um voleio perfeito em seu segundo gol contra a Sérvia nesta Copa do Mundo, do fotógrafo britânico Justin Setterfield, da Getty Image. Para o curador da exposição, o fotógrafo esportivo e antropólogo Alcyr Cavalcanti, que já passou pelas principais redações brasileiras, o clique de Ferreira, que ficou conhecido como o Pelé da fotografia, é único e perfeito, embora admita que a do britânico também deva entrar para a história do futebol. “É difícil fazer a bola parada. O corpo tem que estar na dimensão correta, para pegar o movimento. Há regras da fotografia baseadas na pintura”, afirma Cavalcanti, que hoje é presidente da Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro (Arfoc). “A foto é perfeita. Pela posição em que está o jogador, o Pelé, pelo clique único que ele fez, devido às extremas dificuldades de iluminação… O Alberto clicou no momento exato!”, destaca. Aliás, segundo Cavalcanti, a iluminação do Maracanã era péssima e só foi melhorar muitos anos depois, depois da reforma. Os fotojornalistas da época chegaram a fazer um abaixo-assinado para mudá-la. Segundo o fotógrafo, não foi fácil selecionar as 40 fotos que resumiriam na mostra a longa trajetória de sucesso da seleção canarinho. Uma das razões é o imenso número de boas jogadas. O Brasil é o único país do mundo que participou de todas as copas do mundo. Há imagens da vitória, o soco de Pelé no ar, ou o simples retrato do time da época.“Por isso é tão difícil fazer um retrato histórico exato do que é a importância da nossa seleção”, diz. As exposições organizadas pela Arfoc começaram em 1998, ano da derrota do Brasil em Paris na final contra a França. Apesar da derrota, Cavalcanti afirma que o material fotográfico era excelente. Os critérios para a escolha das fotos variam entre o fato histórico, a jogada histórica, definitiva, e relevância plástica e estética da imagem. Outro complicador para organizar mostras como essa, segundo o fotógrafo, é o fato de a associação contar com recursos escassos, o que significa que manusear o material do acervo é sempre difícil. Há muita foto em papel que ainda precisa ser digitalizada, registrada e indexada. Outras estão em arquivos de e-mail. Mas isso não chegou a impedir que fossem expostas nos últimos anos, à exceção do período da pandemia. A exposição de Londres tem ainda duas seções apresentadas em parceria com o Museu do Futebol de São Paulo: Figuras e Curiosidades do Futebol Brasileiro e a História da Camisa Amarela, que está disponível online na plataforma Google Arte & Cultura para o público navegar livremente.
    12/4/2022
    4:39
  • Coletiva Maria Felipa promove o seu 1º Encontro de Mulheres Brasileiras em Portugal
    A Coletiva Maria Felipa é formada por ativistas migrantes brasileiras, residentes em diferentes cidades portuguesas, e tem promovido debates sobre o impacto da herança colonial na vida das mulheres migrantes. Fábia Belém, de Portugal A menos de um mês de completar dois anos de fundação, a Coletiva Maria Felipa promove, neste sábado (03), na cidade de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, o seu 1º Encontro de Mulheres Brasileiras em Portugal. Segundo Aline Rossi, coordenadora política da Coletiva, o evento terá duas funções: oferecer um espaço para as mulheres “politizarem as suas vivências, se organizarem”, além de criar oportunidade para que elas trabalhem com outras representantes de organizações brasileiras de imigrantes, como a Casa do Brasil de Lisboa, o grupo Brasileiras Não se Calam, a Plataforma Geni e os coletivos Andorinha e Afreketê. Juntamente com as representantes dessas organizações, a Coletiva Maria Felipa pretende “criar uma pauta comum e poder firmar alianças, digamos assim, para atuar juntos politicamente, porque acreditamos que, assim, teremos mais força, visto que cada uma atua numa frente diferente”, explica Rossi. Em menos de 24 horas, quase cem mulheres brasileiras conseguiram se inscrever para participar do primeiro encontro do grupo. O começo do evento prevê discussões em torno de violência, precariedade e colonialidade. A coordenadora política da Coletiva defende que é preciso pensar “como é que essa herança colonial impacta, cria violências ou mantém a precariedade e afeta os nossos direitos básicos e a vivência da mulher brasileira”. Violência, precariedade e colonialidade De acordo com Aline Rossi, as integrantes da Coletiva Maria Felipa têm recebido diversos relatos de brasileiras, que revelam o influência da herança colonial nas suas vivências diárias. Muitas têm enfrentado dificuldades, em Portugal, quando tentam alugar casa, por exemplo. Quando os proprietários percebem que são brasileiras, “ou são barradas imediatamente ou criam-se barreiras pra dificultar”, como a cobrança do pagamento adiantado de doze meses de aluguel. “Ou, então, você liga e a casa está automaticamente, magicamente indisponível. E, de repente, uma amiga sua, portuguesa, ou o seu companheiro português liga e a casa tá disponível de novo”, conta Aline. Comuns no Brasil, casos de violência obstétrica nos blocos de parto, em Portugal, também fazem mulheres portuguesas de vítimas. Quanto às mulheres brasileiras, “além da violência obstétrica, [elas também] relatam esse assédio do tipo ‘Tá mal, volta pro Brasil. O que que tá a fazer aqui? Vem pra cá ter filho e depender de subsídios’, diz Aline ao se lembrar de um dos testemunhos. Herança colonial A Coletiva Maria Felipa se apresenta como feminista anticolonial e considera que é responsabilidade do grupo provocar reflexões sobre a herança colonial. “Toda vez que a gente tem uma reunião aberta, a primeira pergunta é ‘anticolonial, por quê? A colonização acabou faz tanto tempo. Não tá na hora de a gente assumir as responsabilidades, cortar esse cordão umbilical?’”, recorda a coordenadora política. Segundo Rossi, às vezes, a herança colonial está explícita “quando nos abordam na rua e oferecem dinheiro pra gente, do nada, e fica subentendido que eles entendem que mulher brasileira é prostituta”, afirma. “Eu tô te trazendo relatos que a gente ouviu nas nossas reuniões de diferentes mulheres”, observa. “De onde vem esse pensamento, essa ideia de que a mulher brasileira tá disponível e que os homens portugueses têm direitos aos nossos corpos? Se a gente não compreende a raiz da discriminação que sofre, a gente não consegue ter reivindicações concisas que consigam resolver o problema”, reflete.  Políticas públicas Cultura, habitação, trabalho, saúde e política são as cinco áreas transversais que afetam o dia a dia das mulheres brasileiras em Portugal, de acordo com a Coletiva Maria Felipa. No encontro deste sábado, as participantes planejam discutir esses temas e saber “quais são as urgências, quais são as necessidades, o que é que nós precisamos avançar enquanto mulheres brasileiras imigradas em Portugal, e, por fim, construir, a partir dessas reflexões e desses debates nessas cinco áreas, a nossa pauta e agenda comum de luta pros próximos tempos”, ressalta Aline Rossi. Reivindicar políticas públicas também está nos planos, bem como cobrar pesquisas e estatísticas públicas, que “são necessárias para informar projetos de lei”. A ideia é poder levar propostas“ para o Parlamento português ou para os órgãos institucionais, dependendo de qual for a estratégia adotada” no 1º Encontro de Mulheres Brasileiras em Portugal. Atuação Criada em janeiro do ano passado, numa das fases mais críticas da pandemia em Portugal, a Coletiva Maria Felipa promove reuniões e debates online, além de estar presente em importantes atividades presenciais no Porto e em Lisboa. Somente este ano, já esteve à frente ou no grupo de organizadores de manifestações contra a violência sexual e obstétrica, pelos direitos das mulheres no parto e também das mulheres trabalhadoras.
    12/3/2022
    5:03
  • Escritora carioca é coautora de série de TV infantil portuguesa que incita interesse de crianças pelo meio ambiente
    A escritora e roteirista brasileira Flávia Lins e Silva assina a série “Panda e os Super Vets” no canal Panda Portugal, juntamente com a escritora portuguesa Maria Inês Almeida. Ela conversou com a RFI sobre as particularidades de escrever para um público fora do Brasil.  Fábia Belém, correspondente da RFI em Portugal A série “Panda e os Super Vets” foi lançada no final do mês passado e traz um episódio novo por semana. As histórias giram em torno do personagem Panda e dos irmãos Guilherme e Beatriz, que, durante as férias, vão ser voluntários num parque ajudando o veterinário a cuidar dos animais.  “A mãe os inscreveu num programa de voluntários porque eles queriam muito ter animais de estimação em casa e a mãe não deixou porque moram em apartamento”, conta Flávia.  Por meio das histórias, as duas escritoras passam mensagens que contribuem para o desenvolvimento das crianças, ao fazê-las perceber que “coisas acontecem, se não escovar o dente, se não pedir ajuda, se a mochila tiver muito pesada”, reforça Flávia. “A ideia é muito isso: um cuidado de si e do outro, e uma atenção com a natureza”, completa. As aventuras do Panda e dos Super Vets têm sido uma ferramenta importante para despertar o interesse das crianças pelo meio ambiente e aproximá-las dos animais.  “É muito bacana ver que algumas questões que os animais vivem, os meninos também vivem - às vezes [eles] têm uma dor de dente que o animal tem. Aí você mostra o animal, e a criança se identifica”, explica a escritora e roteirista.  Diferenças linguísticas Apesar dos 26 anos de trabalho como roteirista, Flávia conta que não deixa de ser desafiador escrever a série “Panda e os Super Vets”, pois sempre precisa levar em conta os aspectos linguísticos. “Varal vira estendal, penso é o nosso curativo, o “band-aid”. Então, são muitas as palavrinhas diferentes que a gente vai aprendendo, mas não é só isso, é a maneira também de usar as expressões, as gírias “É fixe. Isso é giro!”. A primeira significa legal, a segunda pode ser usada para dizer que algo ou alguém é bonito ou bem-humorado. A escritora e roteirista brasileira garante que está “adorando estar em Lisboa, em Portugal” pelo fato de o país também promover “um encontro da língua portuguesa”.  “Chega gente de Angola, chega gente de Moçambique, de Cabo Verde. Então, há muita riqueza na língua portuguesa nesses encontros. Sou um grande fã de Fernando Pessoa e a minha terra é a língua portuguesa”, pontua Flávia Lins e Silva. Encontro de escritoras  O encontro entre Flávia e Maria Inês aconteceu graças ao pediatra das filhas das duas escritoras. Certo dia, ele disse: "Olhe, vocês têm tanto em comum, acho que vocês deviam se conhecer", recorda Flávia. Com mais de 55 livros publicados, a portuguesa também tem uma famosa série de livros - a “Diário de uma Miúda Como Tu”.   “Começamos a conversar, e já ter ideias, e contar histórias, e pronto. E marcamos um café e mais outro, e começamos a escrever livros juntas e essa série juntas", diz a escritora brasileira. Juntas, as duas assinam três livros: “Carta aos Líderes do Mundo”, “Com pensos tudo passa” e “O mistério da meia malcheirosa”. A parceria “tem sido muito bacana”, revela Flávia, “porque eu faço a versão do português para o Brasil e publicamos lá, e ela faz a versão do português de Portugal, publicamos aqui. Então, todos os livros tão saindo lá e cá”.  “Diário de Pilar” e “Detetives do Prédio Azul” Há seis anos vivendo em Portugal, a carioca Flávia Lins e Silva é autora de importantes obras dedicadas ao público infantojuvenil. Entre as mais conhecidas está a coleção “Diário de Pilar”, que já conta com sete livros traduzidos para cinco idiomas. A Pilar tem uma rede mágica com a qual viaja pelo mundo, e “eu sempre tive esse desejo de conhecer o mundo. Havia esse sonho de ter essa rede mágica para poder ir pra qualquer lugar do planeta”, lembra. Flávia também já assinou roteiro para novelas, séries e seriados no Brasil. De Lisboa, continua a escrever “Detetives do Prédio Azul”, série criada por ela, e que este ano completa uma década de exibição na TV com 500 episódios.  “Imagina, 500 casos num único prédio, que a gente brinca aqui que é uma aventura incrível, e que eu amo escrever”, assegura com entusiasmo. Imaginação Ao comentar a importância de incentivar a imaginação nas crianças, Flávia Lins e Silva diz que “esse negócio de literatura ajuda muito a abrir o imaginário porque, enquanto você tá lendo, você tá imaginando o cenário, a cara do personagem, você tá imaginando sem pensar”. E ela chama a tenção ao afirmar que o imaginário não serve só pra escrever.  “Ele é fundamental pra inventar, repensar o mundo e não apenas repeti-lo. Quando eu converso com as crianças eu falo: 'Olha, se alguém, um dia, não imaginasse uma ponte, a ponte não existia. Se alguém não imaginasse o avião, o avião não existia.'"
    11/26/2022
    6:10
  • Leitura de conto sobre o Saci-Pererê na Suíça incita crianças a valorizar os negros e a floresta
    A Suíça conheceu um dos personagens mais populares do folclore brasileiro: o Saci-Pererê. Ele desembarcou no país em grande estilo, em um evento realizado no Museu de Etnografia de Genebra, o MEG.  Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça As crianças tiveram a oportunidade de descobrir um pouco da história desse personagem que adora fazer travessuras e pregar peças. Eu escrevi um conto sobre ele, chamado “O superpoder do Saci”, que valoriza a cultura brasileira e as nossas influências. A ideia foi mostrar esse super-herói que resiste ao tempo e representa um pouco o próprio Brasil, falando também de amizade e de respostas coletivas para a solução dos nossos problemas. A história foi apresentada em francês pela professora brasileira Dulcimara Aparecida da Silva. Depois da leitura do conto, as crianças participaram de um ateliê comandado por Adriana Batalha, mediadora cultural no MEG.  A RFI conversou com Dulcimara, que contou o que significou para ela estar ali, num museu de Genebra, apresentando uma história sobre um personagem brasileiro.   “Falar do Saci é trazer um pouco do nosso folclore para uma sociedade que não conhece nada. Poder apresentar a nossa cultura, o nosso Saci-Pererê é um orgulho para mim. Interpretar, falar para as pessoas que não falam português, que não são brasileiras, que nunca ouviram falar do Saci, é muito gratificante”, explicou. Na opinião da professora, “é assim que a gente passa a cultura, com um pouquinho de cada vez, nas pequenas relações, nos pequenos causos que a gente conta”. A reação das crianças, segundo ela, foi melhor do que esperava. “As crianças não gostaram da história, elas amaram”, disse Dulcimara. E por quê? “Porque o Saci é um personagem fantástico, de superpoderes. Eu acho que elas se veem um pouco também no Saci, porque ele adora rir, fazer brincadeiras. Todas as vezes que tinha uma brincadeira no conto, elas achavam o máximo, se identificavam em algumas situações com aquilo que fazia o Saci.” O Saci na visão das crianças  Filha de mãe brasileira e pai franco-suíço, Eva Manon Barbey, de 7 anos, falou sobre o que aprendeu a respeito do personagem.  “Eu vim escutar a história do Saci-Pererê e fiz uma caixa da natureza. Ele gosta da natureza, ele protege, faz 'farsas' (brincadeiras). Eu já conhecia o Saci, aprendi no curso de português”, explicou a menina.  Valentina Stadelmann, de 14 anos, que fala português e francês, era uma das adolescentes que foram ao museu naquele dia e conversou com a RFI sobre a experiência. “Eu achei legal porque a gente está falando do Saci, que é uma história brasileira, na Suíça. É muito interessante. O Saci é engraçado, faz brincadeiras com os animais e com as pessoas da floresta”, disse.  As irmãs Olivia, de 6 anos, e Vitória Arai, de 3, que moram em Pully, foram ao evento com os pais Aldo Arai e Aline Carvalho. Toda sorridente, Vitória disse à RFI que tinha gostado do Saci, porque ele “fazia brincadeiras com os animais”. Já a irmã contou que tinha ido ao museu “passear” e conhecer um pouco mais sobre esse personagem.  Há 15 anos em Genebra, a brasileira Ririnan da Silva Alcântara, de 51, levou a neta Beatriz, de 9, para conhecer mais sobre o seu país. “Foi super legal, muito interessante. As crianças que aqui nasceram precisam aprender um pouco da cultura dos seus pais.”  Por que o Saci foi parar num museu da Suíça  Mediadora cultural do museu, a brasileira Adriana Batalha, que comandou o ateliê com as crianças, disse que a ideia do projeto do Saci nasceu a partir de uma foto do Saci exibida na nova exposição de Dom Smaz e da jornalista Milena Machado Neves – "Helvécia, uma história colonial esquecida". "Achei que era uma oportunidade de apresentar a cultura brasileira para a comunidade, dando a oportunidade de as crianças conhecerem o Saci e também de verem a exposição”, conta Adriana. Segundo ela, “a contação de história foi fantástica, porque nós tivemos uma contadora brasileira, da Associação Raízes, que soube trazer a alma e o gosto do Saci para as crianças e para os adultos”. “Nós também fizemos uma caixa de madeira que representa o Saci como defensor dos animais, da floresta, um ser que gosta de fazer rir, de fazer brincadeiras. E, nessa brincadeira, o Saci traz uma magia única, que é dele, com as ervas medicinais e o rir, a alegria. Eu acho que as crianças adoraram’, afirmou a mediadora do MEG.  O que o Saci representa  Para Adriana, o saci “representa um sincretismo de três culturas: a europeia, com a chegada no Brasil dos portugueses; a indígena – o Saci é um termo Yaci-Yaterê, da cultura tupi-guarani, que significa “ser mágico”; e a africana iorubá, que é Ossaim, também o guardião da floresta”. Mas há também um outro aspecto, segundo ela, bem atual. "Por que o Saci tem só uma perna? Quantos negros não foram mutilados? Quantos negros, mesmo mutilados, tiveram coragem de fugir e de encontrar, de buscar a liberdade?", questiona a mediadora. Para Adriana, "o Saci pode e merece ser um 'star', porque a raça negra, apesar de todo o sofrimento que teve, de todas as injustiças que ela ainda vive hoje, encontrou uma maneira de rir e de ser livre", explica. "Eu acho que o Saci é muito mais do que aquilo que a gente imagina ser”, completa.  O que foi realizado naquele dia no museu, de acordo com a mediadora cultural, “é uma porta de entrada para se ter menos racismo na sociedade".
    11/20/2022
    7:04
  • Para bióloga italiana, custo de preservação da Amazônia não deve recair apenas sobre o Brasil
    A bióloga italiana Emanuela Evangelista trabalha no Brasil desde o ano 2000. Ela vive há mais de 10 anos na comunidade de Xixuaú, na divisa entre os estados de Amazonas e Roraima. Como presidente da organização italiana Amazônia Onlus, ela está na linha de frente da defesa ambiental e ajudou a criar a Reserva Extrativista Baixo Rio Branco Jauaperi. Nesta imensa área, a floresta e os habitantes estão protegidos. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma A reportagem da RFI conversou com Emanuela Evangelista no Parque da Caffarella, em Roma. “Nossa organização se dedica à Amazônia brasileira com o intuito de preservar o [meio] ambiente e lutar por esse grande desafio de manter a floresta em pé. A gente faz isso trabalhando em regiões remotas distantes do desmatamento, longe de degradação, em áreas que são ainda de floresta primária intacta e que são habitadas por populações tradicionais. Nosso trabalho é de aliança, de união com as populações tradicionais”, diz ela. Ela explica que seu trabalho consiste em ampliar, junto com os habitantes, alternativas de renda. “Nosso objetivo é o desenvolvimento sustentável para que as pessoas possam manter esse precioso tesouro que elas têm, a floresta Amazônica, sua biodiversidade, sua cultura e também suas tradições.” Na avaliação de Evangelista, é preciso ter vontade política e econômica de preservar a Amazônia. A responsabilidade, na opinião da italiana, não deve ser só do Brasil, mas sim "do mundo". “Acreditamos que a falta de recursos econômicos esteja ligada à vontade política. Os órgãos institucionais foram, de alguma forma, enfraquecidos nos últimos anos, e não houve grande disponibilidade econômica para a Amazônia”, estima a pesquisadora. Ela ressalta que zerar o desmatamento é um desafio complexo, principalmente neste momento em que a taxa de destruição da floresta está muito elevada. Segundo Evangelista, o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva poderá inserir a proteção da Amazônia entre as prioridades. “Lula pode ter a vantagem de reabrir o diálogo com os países desenvolvidos para atrair ajuda internacional, que eu acredito ser fundamental por dois motivos: em primeiro lugar, porque a Amazônia é um bioma que fornece benefícios ao mundo inteiro. Em segundo lugar, porque boa parte do mundo, inclusive os países industrializados, são responsáveis e participam de alguma forma do desmatamento, da destruição, do que estamos fazendo à Amazônia”. Ela salienta que é necessário reconhecer a responsabilidade europeia e dos países desenvolvidos, e participar de forma ativa da proteção da Amazônia. “Não é possível continuar dizendo que é um bioma que oferece benefícios ao mundo inteiro, e deixar que caia nos ombros e no bolso do Brasil, exclusivamente, o custo da preservação e de proteção da floresta", argumenta. Difíceis condições de vida Mesmo com riquezas naturais inestimáveis, as condições de vida dos ribeirinhos e povos indígenas da Amazônia são difíceis. Muitas vezes faltam estruturas básicas necessárias, como escolas e hospitais. De acordo com a bióloga, “mais da metade das pessoas residentes na Amazônia vive abaixo da linha da pobreza. Ela constata que há uma necessidade de desenvolvimento econômico importante na região. "Os povos tradicionais vivem isolados das regiões onde existe trabalho e pagam o preço por esse isolamento", observa. "Por um lado é bom, porque se preservam os recursos naturais; mas, por outro lado, torna tudo muito complicado”, destaca a italiana. Ela cita o exemplo de um quebrador de castanha, que deve vender seu produto nos mercados que ficam distantes do local de colheita. “Além disso, se você quer que seus filhos estudem e continuem após o quinto ano, que é o que normalmente você encontra nessas comunidades remotas, é preciso se deslocar ou mandar seus filhos para a cidade", explica. As necessidades sanitárias também são importantes, assim como as de educação e geração de renda. "O isolamento dificulta a vida de alguma forma", afirma Emanuela Evangelista. Amor à primeira vista A italiana fez a sua primeira viagem ao Brasil no ano 2000 para trabalhar como pesquisadora em um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com sede em Manaus. Como bióloga, ela é especialista em mamíferos aquáticos. Segundo Evangelista, a Amazônia foi "paixão à primeira vista". “Vim ao Brasil para estudar uma espécie de mamífero que é chamada Lontra Gigante, que em português a gente chama de Ariranha. Aí foi amor à primeira vista, né? Eu me apaixonei pela biodiversidade da floresta, pela magia das águas. Essas regiões remotas da Amazônia são únicas. É muito difícil para quem não nasceu no Brasil imaginar tanta beleza.” Sabedoria dos povos nativos A bióloga alerta que muitos pesquisadores internacionais não reconhecem a importância da sabedoria dos povos nativos. Segundo ela, a destruição da floresta poderá acarretar a perda de conhecimentos ancestrais das populações locais.   “O conhecimento dos povos nativos não recebe o justo valor nos países industrializados. Muitas vezes um cientista anuncia ao mundo a descoberta de uma nova espécie, e um ribeirinho diz que ela já era conhecida havia muito tempo”, ressalta. Reserva Extrativista Baixo Rio Branco Jauaperi Por iniciativa da Amazônia Onlus e de outras organizações da sociedade civil, a Reserva Extrativista Baixo Rio Branco Jauaperi foi criada em junho de 2018. O território fica na divisa entre os estados de Roraima e Amazonas. São quase 600 mil hectares de floresta, 14 comunidades e 1.500 moradores protegidos para sempre. Mas a luta pelo reconhecimento oficial como área de preservação durou quase duas décadas. Em 2009, o Ministério do Meio Ambiente emitiu uma avaliação favorável à criação da área para proteger as comunidades da região “de uma série de ações criminosas” feitas por invasores “que buscam a região para a prática de pesca e caça predatórias e grilagem de terras públicas”. De acordo com o texto, a reserva, localizada nos municípios de Rorainópolis (RR) e de Novo Airão (AM), vai “proteger os meios de vida e garantir a conservação e a utilização sustentável dos recursos naturais renováveis utilizados pelas comunidades tradicionais”. O espaço natural foi então dividido em três áreas. A primeira delas constitui uma zona de preservação, na qual não é permitida a ocupação nem a utilização direta ou indireta dos recursos naturais ali presentes. Uma segunda zona de uso restrito serve de moradia para as comunidades tradicionais e a tribo indígena Waimiri-Atroari, que podem utilizar a área. A terceira parte da reserva é voltada para atividades de recreação e turismo. A ocupação e o uso direto de recursos naturais, nesses casos, são definidas em um plano de manejo. O Instituto Chico Mendes administra toda a reserva e é responsável por sua proteção. A ONG Amazônia Onlus trabalha há mais de 20 anos na região do Jauaperi. "A organização contribuiu e participou de uma luta muito importante que foi, em primeiro lugar, a luta do povo residente da região, da população ribeirinha que mora nessa região, porque a demanda partiu deles”, destaca a bióloga italiana. “Conseguimos realizar o sonho da população, que era de criar uma área protegida de forma legal e robusta", acrescenta Evangelista. Segundo ela, a Reserva Extrativista do Baixo Rio Branco Jauaperi permite às populações tradicionais de continuar a viver na região e usar todos os recursos locais de forma sustentável. "É uma fórmula muito interessante, porque protege ao mesmo tempo a floresta, a cultura e as tradições das populações residentes”, explica. Emanuela Evangelista recebeu vários prêmios internacionais pela defesa da Amazônia. Em 2020, ela foi condecorada pelo presidente italiano, Sergio Mattarella, com a medalha de Oficial da Ordem do Mérito da República Italiana.
    11/19/2022
    7:58

Radios similaires

À propos de BRASIL-MUNDO

Site web de la radio

Écoutez BRASIL-MUNDO, France Inter ou d'autres radios du monde entier - avec l'app de radio.fr

BRASIL-MUNDO

BRASIL-MUNDO

Téléchargez gratuitement et écoutez facilement la radio et les podcasts.

Google Play StoreApp Store

BRASIL-MUNDO: Radios du groupe