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BRASIL- AMÉRICA LATINA

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  • Brasil-América Latina - Treinadora de golfinhos brasileira acredita que interação entre animais e público favorece preservação
    Aos 8 anos de idade, Cinthya Coutinho foi pela primeira vez a um parque aquático. Aquele momento despertou na brasileira o sonho de trabalhar com golfinhos, baleias orcas e outros cetáceos. Ela chegou a estudar veterinária, mas decidiu que biologia marinha seria o melhor caminho para chegar à meta. Também percebeu que precisaria morar fora do Brasil para trabalhar com o que sempre quis. Ainda na faculdade, ela foi preparando o terreno, fazendo contatos para consolidar a almejada carreira. Elianah Jorge, correspondente da RFI na Venezuela Cinthya conta que o começo da carreira foi bem difícil. "Quando cheguei nos Estados Unidos, fiz um trabalho voluntário no zoológico e depois entrei como estagiária no aquário. Vida de estagiário não é fácil. E aqui não é diferente", recorda. O estágio da brasileira incluía lavar, limpar, preparar os peixes para alimentação e monitorar os golfinhos. Mas ela conseguiu uma vaga e ficou satisfeita. No início, foi treinadora aprendiz até conquistar, etapa por etapa, o posto de treinadora sênior.  É no Miami Seaquarium, um dos parques aquáticos mais visitados da Flórida, que Cinthya trabalha. Ela vive seu sonho de infância, mas reconhece que o cotidiano como treinadora é exigente e a dedicação, praticamente integral.  “O que ninguém sabe é que a gente tem que estar no parque 24 horas por dia quando nasce um bebê. A gente não tem feriado, nem sábado e domingo, Natal ou Ano-Novo. A gente tem que trabalhar!", destaca. Mesmo tendo uma filha, Cinthya conta que há dias em que precisa trabalhar até a madrugada. "Tem vezes que eu trabalho 16 horas por dia, e as pessoas que estão do lado de fora não sabem disso. As pessoas só veem que a gente vai para o trabalho e que brincamos com os golfinhos.” A rotina no parque começa bem cedinho, com o preparo da comida dos animais e com a limpeza dos tanques e piscinas. Além, claro, dos treinos e ensaios diários para que profissionais e bichos façam bonito na hora do show. Pela regra, é preciso que sempre um treinador esteja de plantão no parque. Para este profissional, não há sábado, domingo ou feriados. A vida agitada é amenizada pelo contato diário com os animais. A brasileira cuida e treina golfinhos-nariz-de-garrafa, focas, leões marinhos e também uma baleia. O aquário onde Cinthya trabalha também abriga tubarões, tartarugas marinhas, aves, répteis e peixes-boi. De cara com a orca Para a brasileira, é um prazer interagir com os bichos. “A maior alegria que eu tenho é ver a carinha de cada um dos animais, passar o dia com eles, ver o reconhecimento deles e a relação que você cria, o convívio do dia a dia", avalia. "Você ensinar algo para eles, treinar algo que ajude na saúde deles... A relação com os animais é a melhor parte do trabalho”, declara. Em 2010, uma experiente treinadora morreu após ser atacada pela orca Tilikum, no parque SeaWorld. Batizada com o nome da famosa personagem do escritor Vladimir Nabokov (1899-1977), Lolita é a mais antiga orca cativa do mundo e atualmente a única do parque onde Cinthya trabalha. O show deste animal de quase seis metros de comprimento e de mais de três toneladas de peso é a atração mais esperada do aquário. Mesmo lidando diariamente com um superpredador, como é o caso de Lolita, Cinthya garante não ter medo. “No meu aquário nunca aconteceu nenhum acidente. Claro, trabalhando com animal é tudo sempre imprevisível. Os treinadores conhecem os animais muito bem. Mas, como eu digo, qualquer bicho tem boca pode morder. Isso faz parte do trabalho”, resume.     Conexão com animais A treinadora explica que nesta carreira o prazer pela interação com os bichos é o que prevalece. “A gente começa ganhando mal nessa profissão. É um trabalho que não se faz pelo dinheiro. É por amor! Para os outros departamentos e para os CEOs dos parques, eles não são tão focados nos animais. Para eles é um negócio. Mas para quem está ali todos os dias, e cuidando dos animais, é por amor”, enfatiza. Parece complexo ensinar animais aquáticos a interagirem com humanos, mas a treinadora garante que a tarefa é fácil. “Treinar golfinhos é o mesmo que treinar qualquer animal. Hoje em dia não se trabalha mais com punição e sim com reforço positivo. A gente só chama a atenção para aquilo que se quer e ignoramos o que é feito e a gente não quer. Se o golfinho fizer alguma coisa que vai chegar ao ponto do que quero, eu soo meu apito e ele ganha um peixinho. Tudo o que ele fizer e você não gostar, é ignorado.” Após anos de estudos e prática, Cinthya chegou à categoria sênior dos demais treinadores. O tempo também a ajudou a consolidar uma relação de cumplicidade com os animais.  “A gente se comunica por sinais e por gestos. Cada coisa que a gente treina tem um gesto diferente. Mas dependendo da relação que se tem com o animal, dá para se comunicar pelo olhar, toques, brincadeiras... Às vezes eu olho para o meu golfinho e ele já sabe o que eu quero. É bem mágico trabalhar com eles”, diz encantada.   Embora os cetáceos e mamíferos do parque sejam animais com longa expectativa de vida, para Cinthya o mais difícil da profissão é quando um dos bichos morre.  “Estou trabalhando de novo com os golfinhos. Eu já trabalhei com foca, com leão marinho e é muito complicado quando a gente perde um animal, você perde um dos seus, essa é a parte mais complicada da profissão”, pontua. Críticas dos defensores de animais Além das centenas de pessoas que visitam diariamente o parque, ativistas de direitos dos animais costumam protestar nas imediações do local pedindo a libertação dos residentes do Miami Seaquarium. Lolita, a orca e principal atração, foi protagonista de um documentário no qual ativistas pedem que ela seja reintroduzida na natureza. Eles afirmam que ela recebe treinamentos cruéis. Mesmo com tantos cuidados e a intensa dedicação aos animais, Cinthya vez ou outra recebe críticas, as quais rebate.  “As pessoas julgam muito essa profissão dizendo que os animais não deveriam estar sob cuidados de humanos e que o bicho não deveria morar em uma piscina. Eu até entendo. Não deveriam tirar um bicho da natureza para colocar em parque para entreter humanos. Mas esses animais são todos nascidos lá (no aquário). Eu digo: eles não saberiam viver na natureza. A interação humana é o que eles sabem. Eles buscam a atenção humana. São totalmente diferentes dos animais que estão na natureza. As coisas na natureza também não estão nada bem. Acho que tendo esses animais para o público ajuda na preservação, afinal as pessoas só cuidam do que conhecem. Conhecer esses animais é fundamental para proteger a natureza.” No dia 12 de setembro passado, cerca de 1.400 golfinhos-de-cara-branca foram mortos nas Ilhas Faroe, território autônomo do Reino da Dinamarca, sob a alegação das autoridades locais que a matança fazia parte da tradição local. A ação foi duramente criticada por defensores dos animais, que denunciaram a forma como o cruel abate foi orquestrado.  Na opinião da brasileira, a matança de centenas desses animais, que estão “sob ameaça”, demonstra que nem na natureza os bichos estão a salvo. “Eu recebo muitas críticas com o que trabalho. Mas ninguém olha para a realidade do mundo. Eles (os críticos) não têm ideia de quão bem tratados são nos nossos animais”, conclui.
    9/26/2021
    8:34
  • Brasil-América Latina - Como o Reino do Brasil ajudou na Independência da Argentina e do Chile há 200 anos
    Em 1821, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves foi o primeiro a reconhecer a Independência das Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina, e também do Chile. O reconhecimento internacional era um aval fundamental para que os novos países pudessem consolidar o processo de libertação. Porém, mais do que Portugal, o projeto de reconhecimento dos novos vizinhos era um interesse do Reino do Brasil. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires O crucial reconhecimento das independências da Argentina e do Chile está completando 200 anos, tendo os dois vizinhos o mesmo patrocinador desse passo que abriu o caminho para a legitimação internacional do processo: o então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Mas, dos três reinos, foi o do Brasil o grande interessado e impulsor da decisão. "O reconhecimento da Independência por parte do Reino de Portugal e do Brasil abriu um caminho importante para outros reconhecimentos posteriores. Foi o primeiro passo", indica à RFI o historiador Roberto Azaretto, apontando o exemplo seguido pelos Estados Unidos em 1822 e pela Grã-Bretanha em 1825. Posteriormente, será a Argentina a primeira a também reconhecer a Independência do Reino do Brasil e a formação do novo Império.  "O passo que o Reino de Portugal e do Brasil deram foi importante para a consolidação do processo de Independência porque foi o primeiro de um reino importante com influência no Rio da Prata e na Europa. Teve um efeito político forte", acrescenta à RFI o historiador Guillermo Cao. Os dois novos países tinham declarado as suas Independências anos antes num frágil processo que requeria de legitimação internacional para evitar uma reconquista por parte da Espanha. No caso do Chile, a Espanha chegou mesmo a reconquistar o território por um breve período. Já as Províncias Unidas do Rio da Prata ou Províncias Unidas do Sul, a situação não era menos frágil. Em 1820, disputas de poder entre as províncias no Rio da Prata tinham levado a região a uma guerra civil. O Governo de Buenos Aires tinha a representação das Relações Exteriores, mas disputava o poder com as demais províncias. O reconhecimento, portanto, teve um efeito internacional, mas também interno, ajudando a consolidar o poder de Buenos Aires. O nome Argentina surgiria, como alternativa, seis anos depois, mas só se consolidaria 50 anos depois. Presença no Brasil permitia proximidade O Brasil tinha sido elevado à categoria de Reino em 1815. Possuía bandeira e armas próprias. O Rio de Janeiro era a capital do Império, de onde o Rei D. João VI percebia que os movimentos de Independência na vizinhança eram irreversíveis. A Revolução Liberal do Porto, em 1820, exigia a volta do Rei a Portugal e o estabelecimento de uma monarquia constitucional. Antes de partir, D. João VI preparou o terreno para os interesses do Brasil na região. "A Casa de Bragança no Rio de Janeiro percebeu a importância do processo que acontecia no Rio da Prata. Era uma Corte europeia, mas, ao estar no Rio de Janeiro, tinha uma percepção mais próxima do que acontecia no continente. O Reino Unido de Portugal e Brasil viu que o processo de Independência era irreversível e que precisava inserir o Brasil na América, vincular-se com os países que estavam surgindo. Precisavam que o Brasil, já incorporado ao Reino, se vinculasse com essa nova geografia política que surgia", explica Roberto Azaretto. No dia 26 de abril de 1821, o Rei D. João VI retornou a Portugal, depois de 13 anos no Brasil. Dez dias antes, o então ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, Silvestre Pinheiro Ferreira, escreveu uma carta, por parte do Rei, na qual reconhecia a Independência das Províncias Unidas do Rio da Prata. Na carta, Pinheiro Ferreira anuncia que "Sua Majestade Fidelíssima não hesitará em reconhecer a independência dos Estados vizinhos ao Reino do Brasil que forem estabelecidos, instalados e obedecidos pelos seus respectivos povos". "O Rei sempre quis manter relações estreitas com os povos vizinhos ao Reino do Brasil", escreveu o ministro português, destacando que "as Províncias de Buenos Aires ocupavam, incontestavelmente, o primeiro lugar". A carta foi entregue no Rio de Janeiro ao então designado cônsul agente mercantil em Buenos Aires, o comerciante português João Manuel de Figueiredo. No dia 28 de julho de 1821, Figueiredo apresentou-se em Buenos Aires ao então ministro de Governo e Relações Exteriores, Bernardino Rivadavia, que, em 1826, seria o primeiro presidente constitucional das Províncias Unidas do Rio da Prata. A carta de "Reconhecimento da Independência por parte de Sua Majestade Fidelíssima o Rei de Portugal D. João VI" causou comoção naquela Buenos Aires de 50 mil pessoas, das quais 8,5% eram portugueses, muitos vindos do Reino do Brasil. Duas semanas depois, no dia 11 de agosto de 1821, Figueiredo também entregaria o reconhecimento ao representante diplomático do Chile. Projeto brasileiro Para o historiador argentino, Guillermo Cao, embora essa seja uma história administrada pela Corte portuguesa, o reconhecimento da Independência era um projeto brasileiro. A província Cisplatina, atual Uruguai, tinha sido ocupada pelas tropas luso-brasileiras entre 1817 e 1820. Com a partida de D. João VI a Portugal, o conflito precisava ser resolvido pelo Reino do Brasil. "Os Reinos de Portugal e do Brasil unidos foram os primeiros a reconhecerem a Independência da atual Argentina, mas o interesse foi mais pelo lado do Reino do Brasil do que pelo lado do Reino de Portugal. Esse reconhecimento é mais um projeto brasileiro devido a sua necessidade de expansão territorial, especialmente sobre o atual Uruguai", aponta Guillermo Cao. "O reconhecimento da Independência da Argentina obedece a uma pressão da elite brasileira ao redor de Pedro que queria consolidar um domínio sobre o estuário do Rio da Prata e era preciso resolver esse conflito", sublinha. Influência na Independência do Brasil Para o historiador Roberto Azaretto, esses reconhecimentos das Independências de Argentina e Chile terão influência um ano depois na Independência do próprio Brasil. Até então, como reino independente e única monarquia no continente americano, o processo brasileiro era diferente do vivido pela América hispânica. Porém, em 1822, quando D. João VI quis recuar o Reino do Brasil ao anterior status de colônia, os exemplos de Independência na região ajudaram a elite brasileira a articular um movimento com Pedro, quem, no dia 12 de outubro de 1822, tornou-se D. Pedro I, o Imperador do Brasil Foi a aclamação de D. Pedro I como imperador -e não "o grito da Independência" de 7 de setembro- a ruptura formal com Portugal. "Sem dúvida, os brasileiros que estavam no Reino do Brasil foram influenciados por esses processos de Independência na atual Argentina e no Chile. Era mais um elemento que provava ser possível declarar a Independência. Além do mais, os brasileiros já tinham consciência do que representavam: um imenso território com riquezas", compara Roberto Azaretto. O histórico mandato de João Manuel de Figueiredo Ainda naqueles dias de 200 anos atrás, João Manuel de Figueiredo, quem veio do Rio de Janeiro para ser cônsul em Buenos Aires, faleceu repentinamente no dia 21 de agosto de 1821, apenas dez dias depois de formalizar o reconhecimento à Independência do Chile. O seu mandato como cônsul, portanto, durou apenas três semanas. No dia 29 de julho, dia seguinte ao reconhecimento da Independência da Argentina, Figueiredo participou do funeral do General Manuel Belgrano, autor da bandeira argentina e quem, em conjunto com o general San Martín, é o máximo herói da Independência de 1816. No dia 12 de agosto, participou na inauguração da Universidade de Buenos Aires. Nove dias depois, morreu de forma repentina na sua casa, a 300 metros do convento de Santo Domingo, onde permanece sepultado, justamente ao lado do general Manuel Belgrano. "É incrível o que ele fez a partir de 28 de julho de 1821, após a sua apresentação formal de credenciais. Em apenas três semanas, passou à história e, com isso, à imortalidade", ressalta o historiador Guillermo Cao.   Retribuição argentina Outra prova de que o reconhecimento das Independências dos novos países era mais um projeto brasileiro do que português é a continuação desta história. Em maio de 1822, quem assumiu o cargo vago pelo óbito de João Manuel de Figueiredo foi Antonio Manuel Correa da Câmara, enviado do Rio de Janeiro para representar o Reino do Brasil em Buenos Aires -já não o Reino de Portugal. As credenciais foram apresentadas ao mesmo ministro das Relações Exteriores, Bernardino Rivadavia, em 1º de agosto de 1822. No ano seguinte, em junho de 1823, será o ministro Rivadavia quem vai oficializar o reconhecimento das Províncias Unidas do Rio da Prata à Independência do Brasil, mas essa será uma história a ser contada dentro de dois anos, no bicentenário do primeiro reconhecimento internacional ao Império do Brasil.
    8/7/2021
    4:51
  • Brasil-América Latina - Brasileiras usam excedente de soja para melhorar nutrição na Bolívia
    A Bolívia está entre os dez maiores produtores mundiais de soja. Mas também ainda é um país carente de recursos, onde parte da população não tem acesso à alimentação adequada. Inspiradas em fazer a diferença, as empresárias brasileiras Flavia Cabral e Karina Cabral criaram há mais de 18 anos a Fundação Soya y Vida, radicada no departamento de Santa Cruz, no sudeste boliviano. Por Elianah Jorge, correspondente da RFI na América Latina Com este trabalho social elas apoiam mais de 5.000 pessoas por ano com doações de soja e de produtos derivados da oleaginosa. Marina Cabral, filha de uma das fundadoras e que também ajuda a levar adiante este sonho feito realidade, dá detalhes: “Esse projeto surgiu quando as pessoas que fizeram a Fundação reconheceram a baixa nutrição das pessoas aqui na Bolívia. Pelo fato de a carne ser uma comida um pouco mais cara e a soja ser um grão com muita produção em território boliviano, principalmente aqui em Santa Cruz, ela é barata e tem bastante proteína”, conta. “Então, em vez da pessoa comprar a carne, que é cara, ou então ela dar a soja para o porco comer e depois comer a carne do porco, ela pode consumir a soja diretamente e assim melhorar o consumo de proteína. E de uma forma que não é preciso gastar tanto para ter acesso à nutrição um pouco mais barata”, explica. Programa brasileiro Foi graças a um programa colocado em prática na década dos anos 1980 pela Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, que as Cabral decidiram fazer a diferença na terra que as recebeu, explica Flávia.  “A gente veio do Brasil e lá tem um trabalho muito interessante da Embrapa em eles se preocupavam em aproveitar os benefícios nutricionais da soja na alimentação. Chegando aqui, em conversa com as amigas, falamos sobre fazer alguma coisa. Começamos aos poucos com essas amigas. Os amigos que acreditavam na gente iam doando e assim íamos fazendo, e tudo foi crescendo.” Seis anos após o início do projeto, as integrantes da família Cabral perceberam que o programa ganhava maior dimensão, parte delas graças às doações de voluntários. Era preciso ampliar e formalizar a estrutura, conta Flávia.  “Percebemos que para entrar em empresas para que elas fizessem doações - muita gente queria doar-, mas não tínhamos documentação. Então formalizamos a Fundação e fizemos tudo. Hoje em dia a gente recebe doações de multinacionais. O negócio cresceu muito mais do que a gente esperava”, continua.    Na Fundação boa parte dos membros ativos são brasileiros, perfil similar ao dos produtores de soja na Bolívia: muitos chegaram do Brasil, mas há também bolivianos e argentinos. Entre os maiores produtores mundiais A terra e o clima tropical do sudeste boliviano favorecem a produção da oleaginosa. No departamento de Santa Cruz estão 90% das plantações de soja do país. Essa característica posiciona a Bolívia entre os dez maiores produtores mundiais de soja. Na região sul-americana, o país andino ocupa a quarta posição entre os semeadores do grão. A safra anual da soja gira em torno de 2,7 milhões de toneladas. Desse volume, 60% são exportados. A produção da soja gera mais de 110 mil empregos diretos e indiretos, e representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto boliviano. As integrantes da família Cabral estão entre os mais de 14 mil produtores de soja radicados em Santa Cruz. Com o excedente da colheita a Fundação Soya y Vida, apoiada por outros produtores, faz a diferença nas mesas bolivianas. “A Soya y Vida atende a mais de 5.000 pessoas, entre orfanato de crianças e adolescentes, hospitais, clubes de mães (que é algo onde mães do mesmo bairro se unem para a ajuda mútua), asilos, centros para pessoas com necessidades especiais... Então são mais de 12 toneladas de alimentos, seja em forma de leite, soja em grão ou em purê, e em 18 municípios diferentes”, enumera Marina, que é filha de Flávia. O foco da Fundação Soya y Vida é melhorar a qualidade de vida da população carente através do consumo da soja. Para isso, se baseia em quatro pilares, explica Marina: “A primeiro é a produção do leite de soja e do purê; a outra é a distribuição do purê, do leite e do grão; também ensinamos a usar a soja. O último é fazer o acompanhamento para saber se eles estão gostando e se estão usando (a soja) corretamente”. Alto valor proteico A soja tem alto valor proteico. De acordo com o Instituto Boliviano da Soja (IBS), o consumo de 100 gramas satisfaz cerca de 80% das necessitadas diárias de proteína.    De acordo com o Unicef, a desnutrição aguda na Bolívia é inferior a 5% da população, mas este número pode variar motivado pela crise alimentar ocasionada pela pandemia da covid-19. “Pegamos essa soja, a transformamos no leite de soja e também usamos o resíduo após a extração do leite - que é tipo um purê de soja - e o doamos a pessoas de baixos recursos. Às vezes doamos o grão, às vezes o leite e o purê. Além disso oferecemos aulas de culinária para ensiná-los a introduzir a soja na alimentação diária, já que não é algo que se saiba consumir. Ensinamos a usar a soja para aportar mais proteína (na alimentação) dessas pessoas”, enumera Marina. De acordo com dados do PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - até 2019 cerca de 37,2% da população boliviana vivia na pobreza. As ações da Fundação Soya y Vida acontecem sobretudo em regiões carentes de Santa Cruz de la Sierra, cidade que é considerada a capital econômica da Bolívia.   “A gente ajuda sem distinção. Nosso objetivo e, doando a soja, melhorar a nutrição das pessoas. Porque, inclusive, a gente sabe que quanto menos instrução a pessoa tem, menos condição de fazer uma alimentação adequada”, cita Flávia.    A Soya y Vida conta com o reforço de peso de outros produtores da região. É graças a doações de toneladas de soja, feitas após a colheita anual de março, e aos aportes feitos em dinheiro que a Fundação leva adiante o plano de alimentação. Flavia explica que “os doadores depositam ou em soja ou em dinheiro". "A gente precisa que a máquina (de moer a soja) funcione, a gente tem que pagar funcionários, impostos e todo esse tipo de coisas que custa: luz, água e etc. Então alguns pagam em grãos e outros pagam em dinheiro”. Há pouco tempo a Soya y Vida passou a ser um braço da Associação dos Produtores de Oleaginosas, a Anapo. Por meio dessa parceria a Fundação consegue reduzir custos e armazenar em silos as toneladas de soja doadas. “Nessa associação, a gente tem a nossa cozinha escola dentro de um dos silos da Anapo. Então quem doa em grãos envia para a associação onde temos a câmara fria para guardar a semente. Para o grão durar um ano, sem bichos, eles (a associação) têm toda essa estrutura de armazenamento para a gente puder fazer as doações”, detalha a fundadora.    Além da proteína, a soja tem alto teor de ferro, cálcio, zinco, potássio e vitamina E, o que demonstra o aporte nutricional do grão na alimentação. Para incentivar o consumo, sabendo que muitos ainda desconhecem o benefício da oleaginosa, Flavia descreve o que motiva as ações da Fundação:  “A nossa preocupação é introduzir a soja na receita da senhorinha que cozinha. Ela vai fazer a sopinha então a gente orienta: põe um pouquinho de soja que você está pondo proteína e melhorando a sua alimentação. Essa era a nossa preocupação. Aliás, sempre foi”.
    7/17/2021
    11:13
  • Brasil-América Latina - Brasileiros contam as dificuldades de morar na Colômbia, país palco de violentos protestos
    “Aqui na Colômbia não existem direitos. O colombiano sempre abaixa a cabeça para tudo, mas agora não. Eles levantaram a cabeça e não abaixam mais. Eles querem brigar pelos seus direitos, pela reforma tributária e eles vão até o fim, com isso eu estou de acordo, mas não concordo com o vandalismo que está prejudicando a todos”. Por Elianah Jorge , correspondente da RFI As palavras da potiguar Micarla de Almeida apontam o que motivou milhares de pessoas a ocupar as ruas da Colômbia nas últimas semanas - apesar da pandemia da Covid-19. O estopim dos protestos foi o aumento de impostos proposto pelo presidente Iván Duque. A medida despertou a ira popular.  Quem também mora na capital Bogotá é o paulistano Mauricio Troncoso. Ele dá detalhes sobre a abrangência das mudanças que incentivaram as manifestações. “Dessa vez começou com o motivo da reforma tributária. O governo queria colocar um imposto de 19% sobre o combustível, serviços básicos de água e de luz. Esse imposto geraria várias consequências no dia a dia da população. Esse projeto já caiu, mas há outras reformas na área da saúde e das aposentadorias. Os protestos continuam para tentar vetar esses outros projetos”.    A economia desse país de 50 milhões de habitantes - e que faz fronteira com o Brasil – foi gravemente afetada pela pandemia. Em apenas um ano o número de pobres passou de 35,7% para 42,5%, em grande parte alavancado pela ausência de políticas estatais aos mais carentes. Explica Micarla: “Subsídio do governo isso não existe. Quem diz que recebe subsídio aqui na Colômbia está mentindo”. Sem encontrar apoio no governo, restou ao povo protestar nas ruas, enfrentar o fantasma invisível da pandemia e as truculentas forças de segurança estatais. Estas, por sua vez, respondem com fogo contra manifestantes que atacam com pedras e outros artefatos improvisados.  Vários países, entre eles os Estados Unidos, e organismos internacionais vêm lançando alertas ao governo colombiano contra a violência a civis. A Anistia Internacional pediu o fim da ajuda militar dos Estados Unidos ao governo colombiano após a escala de mortos nos protestos.  Mauricio prefere não ir aos protestos.      “A polícia revidou de uma maneira ainda mais violenta, usando armas de fogo. Pessoas desapareceram, pessoas morreram. Então os manifestantes reagem com mais força. Há um sentimento de indignação”.    Desde o começo das manifestações, em 28 de abril, pelo menos 43 pessoas morreram, a maioria civis; e cerca de 1.700 ficaram feridas. .  A violência desatada nos protestos intimida Micarla:  “O colombiano abriu os olhos, mas não é quebrando, destruindo as coisas. A insegurança está imensa. Eu já tinha trauma de sair sozinha, agora eu praticamente não saio”. Mauricio é terapeuta e continuou trabalhando, seja online ou presencialmente. A tensão motivada pelos protestos tem sido tema das consultas: “Os meus pacientes todos se sentiram afetados. Você sai à rua e tem gente morrendo, tem gás lacrimogêneo... O ponto do ônibus está destruído ou a pessoa não tem como chegar em casa porque há um protesto. O clima de insegurança é alto nesses dias”.      A empresa onde Micarla trabalhava, no ramo de aviação, mudou as políticas internas. Em vez do salário mensal, os funcionários trabalhariam por hora e precisariam arcar com custos de transporte e alimentação no horário de trabalho. Não valia a pena, explicou a brasileira. Para ajudar nas contas, ela começou a vender cestas de café da manhã. A princípio se deparou com a imposição da quarentena radical, e agora, com as vias bloqueadas pelos protestos.  “Como vamos conseguir nos manter se o governo não ajuda? (A conta dos) serviços e do aluguel vão chegar para pagar. Tem fralda, tem supermercado, como a gente vai se manter se não tem de onde tirar? O pouco que estávamos conseguindo fazer (de dinheiro) o governo não deixa sair por causa da quarentena total”. Na Colômbia o custo de vida é alto. O salário mínimo é equivalente a R$1.200. Em marco deste ano a inflação chegou a 0,51%. Para ter uma boa qualidade de vida é preciso ganhar alguns salários mínimos, realidade distante para boa parte da população.  O terapeuta paulista explica que no começo da pandemia os vários dias de confinamento obrigatório ajudaram a manter em baixa os casos de Covid. No entanto, agora com milhares de pessoas protestando nas ruas o cenário deve mudar, conta Mauricio: “Aqui em Bogotá nas primeiras semanas não se podia sair de casa; se a polícia te pegasse na rua multava, então foi bem fechado. Até hoje bares e lugares noturnos estão fechados. Todos estão preocupados com esses protestos. Daqui a duas semanas a coisa piora. A notícia que eu tive foi de que os leitos hospitalares na capital estão quase 100% ocupados”. Desde o começo dos protestos, a curva de contágio começou a subir. Até o momento, mais de três milhões de casos da Covid-19 foram registrados na Colômbia. Cerca de 83 mil morreram em decorrência do vírus.  A vacinação também está longe de beneficiar grande parte da população. Com problemas cardíacos, Micarla teria prioridade em receber a imunização. Ao acessar a página do programa nacional Mi Vacuna (Mi Vacina) os dados dela não aparecem no sistema.  Pelas redes sociais são inúmeras as denúncias de fraude e ilegalidades na campanha colombiana de vacinação. Na Colômbia não existe sistema público de saúde. Lá cada cidadão tem de ter o próprio seguro médico. Esse é outro fator que motiva os protestos.  “A gente não tem um sistema público de saúde. Não é como funciona no Brasil. Aqui você é obrigado a ter um plano de saúde. É preciso escolher entre as poucas empresas de seguro médico para se afiliar”.   Convocação pelas redes sociais  É através das redes sociais que a população fica sabendo da data dos protestos. Nesses dias, é complicado transitar nas principais cidades do país, sobretudo em Bogotá e Medellín.  Mas é em Cali, na costa do Pacífico, que a situação é ainda mais grave. Civis com armas de fogo agrediram manifestantes, uma demonstração da divergência econômico-cultural que aumenta a tensão naquela região da Colômbia.  Com as estradas bloqueadas, o desabastecimento já é uma realidade. Alguns comércios racionam a quantidade de produtos por cliente. Outros cobram ágio. É o que conta Mauricio: “Aqui em Bogotá não chega um monte de coisa. Fui ao posto de gasolina e não havia gasolina. Fui ao mercado e já não tinha mais ovo. O mercado está ficando desabastecido aqui na cidade”. Na última quinta-feira, o governo de Iván Duque se reuniu pela terceira vez com os organizadores do Comitê da Greve. Ele vem tentando conquistar a população, ou ao menos conter os ânimos com a promessa de dar créditos para a aquisição de casas e a entrada gratuita de jovens nas universidades. Mas os problemas do país são ainda mais profundos e complexos. Eles transitam pelo sistema de aposentadorias, a demanda por uma reforma policial e a melhor implementação do processo de paz.  Tantos fatores de divergência entre governo e população apontam que a crise colombiana tem tudo para se arrastar por um bom tempo.
    5/22/2021
    8:09
  • Brasil-América Latina - Decadência de "Torres Gêmeas" da Venezuela reflete ascensão e declínio do país, relata brasileira
    O complexo urbanístico do Parque Central, localizado no coração de Caracas, é o perfeito retrato da Venezuela de antes e de agora. Quando foi inaugurado, em 1983, os edifícios e o país eram sinônimos da riqueza e vanguarda de uma potência petroleira. Agora, esta que foi a estrutura urbana mais famosa da América Latina continua sendo o símbolo do país – ambos empobrecidos, sucateados e maltratados. É lá que, há 30 anos, mora a comerciante paraense Imara Santos. “No Brasil, a coisa estava difícil e quando cheguei aqui encontrei um país próspero. Com um salário mínimo venezuelano, dava para fazer compras, pagar aluguel e ainda sobrava para comprar presentes. Não era milagre, era a moeda [bolívar] que tinha força", relembra.  Dados de 1990, um ano antes da chegada do Imara ao país, apontam que a Venezuela era a quarta economia da região. O Produto Interno Bruto (PIB) chegava a US$ 48 bilhões e o salário mínimo era equivalente a U$148,20. A pobreza extrema não passava de 23,18%. A brasileira é uma das quase 15 mil pessoas que moram no complexo composto por oito edifícios residenciais e dois prédios empresariais, de 225 metros cada um, conhecidos como as Torres Gêmeas de Caracas. Até 2003 elas ocuparam o primeiro lugar na lista de arranha-céus mais altos da América Latina. Atualmente estão em 27° e 28° lugares neste ranking – uma queda similar à da economia venezuelana, se comparada a dos demais países.  40 mil pessoas por dia O Complexo do Parque Central se assemelha a uma cidade dentro da cidade. Além da excelente localização em uma nevrálgica área da capital venezuelana, o Complexo abriga museus, cinemas, teatros, dezenas de estabelecimentos comerciais, entre eles supermercados, e a estação Parque Central do metrô caraquenho. Lá também funcionam ministérios e organismos estatais. Antes da pandemia, cerca de 40 mil pessoas circulavam diariamente por ali. “Isso era um mundo, uma cidade para mim. Tudo era um luxo, luxo total. As ascensoristas pareciam aeromoças lindas, impecáveis, perfeitas. Tudo (aqui) funcionava perfeito.”      Não é à toa que a brasileira usa o verbo no passado. O Parque Central já era. Hoje em dia, é sinônimo de deterioração, adjetivo que pode ser aplicado também para descrever o país. Em 1998, o PIB venezuelano conseguiu se manter dentro das cinco maiores economias da região. Mas em 2011 foi o último ano em que a economia da Venezuela cresceu, atingindo um PIB de US$ 334 bilhões. Depois, só decaiu, culminando em 2018, quando a crise fez desaparecer 44% das riquezas nacionais. A pobreza disparou e os casos de desnutrição começaram a aumentar.   "Caindo aos pedaços" A falta de manutenção transformou para pior o Parque Central. Similar ao que acontece em boa parte de Caracas, lá o fornecimento de água encanada é deficiente. As infiltrações formam poças nos corredores planos, e cascatas nas escadas. Nos edifícios residenciais, empresariais e nas galerias comerciais, falta iluminação adequada. “O Parque Central está caindo aos pedaços. Tem todo tipo de problema. O condomínio é barato, mas não funciona. Está tudo destruído. Tudo! É uma coisa muito triste, um verdadeiro caos", lamenta a moradora brasileira. "Não é nem sombra do que foi.” Atualmente o Complexo do Parque Central faz lembrar o filme “Mad Max”, produção australiana exibida em 1980 no Brasil, que mostra um território abandonado à própria sorte. Não é raro o surgimento de focos de incêndio nas estruturas do complexo. Em 2004 o fogo consumiu um terço de uma das Torres Gêmeas. Pelo menos dez andares da Torre Leste, onde funcionavam ministérios e organismos estatais, ficaram completamente destruídos. Apesar das 15 horas de labaredas, a estrutura conseguiu se manter de pé. Já em 2013, foi a vez da Torre Oeste sofrer um incêndio, de menores proporções. Perigo Nos prédios comerciais e residenciais, boa parte das escadas rolantes e dos elevadores não funcionam. É preciso transitar pelas escadarias. No entanto, o roubo de lâmpadas e de fios, além dos constantes apagões que acontecem na capital do país, transformaram o lugar em um escuro labirinto. No complexo, funciona uma unidade da Polícia Nacional Bolivariana e das Forças de Ações Especiais (FAES) –mas a presença deles não freia a criminalidade. Pelas redes sociais circulam denúncias e alertas de crimes e de situações arbitrárias que acontecem nos corredores e nos estacionamentos subterrâneos do Parque Central. Muitas pessoas evitam transitar desacompanhadas pelo local. “Tem muito assalto aqui. As pessoas não podem sair muito. Não podem chegar em determinada hora. É um salve-se quem puder”, indica Imara.      O governo bolivariano criou, em 2013, a Corporação do Distrito Capital, a Corpocapital, para gestionar o urbanismo em determinados lugares de Caracas, incluindo o Complexo do Parque Central. Com a justificativa de melhorar a infraestrutura do lugar, o organismo tenta arrecadar taxas, mas se depara com o empobrecimento da população. De acordo com a moradora, a “Corpocapital quer cobrar cinco dólares por apartamento, além de sete meses retroativos. Isso dá US$ 35”. “Quem pode ficar assim?” “Não tem sentido uma coisa dessas. A maioria das pessoas que mora aqui não são aqueles milionários de antes. São pessoas que estão recebendo uma pensão de dois dólares”, critica a brasileira. No Dia do Trabalhador, o presidente Nicolás Maduro subiu o salário mínimo de 1.800.000 bolívares para sete milhões de bolívares, o equivalente a cerca de US$ 2,40. Sem reconhecer o país onde passou momentos felizes e prósperos, a brasileira decidiu fazer o caminho inverso ao traçado três décadas atrás. “Penso ir embora, de volta ao Brasil, porque aqui está tudo muito difícil. O dinheiro não dá para nada. Você trabalha para viver o dia. Não tem direito a comprar mais nada, só a comida. Quem pode ficar assim?”, desabafa.
    5/9/2021
    5:18

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